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O veneno da inveja e suas consequências

 O veneno da inveja e suas consequências  

 

Por vezes encontramos pessoas que se alegram com as dores do outro. Quando alguém não consegue uma vitória que tinha buscado, há uma solidariedade por vezes camuflada. Nem todos se alegram, mas é verdade também que nem todos se compadecem. É mais fácil ser solidário na dor do que se alegrar com as conquistas dos amigos. Ver a felicidade alheia causa sintomas que roubam a paz que falta no olhar de quem vê o sorriso da vitória.

Um sorriso que não nasce dos nossos próprios lábios sempre é fácil de ser digerido. Bom mesmo é sorrir com as nossas conquistas e ver o olhar do outro querendo consumir em prestações a nossa felicidade. Triste realidade de quem vive na dependência do consumismo alheio. Mais triste ainda é ver a inveja destruir amizades.

Há diamantes querendo ser topázios, no entanto, não compreenderam que o rubi nunca será uma esmeralda. Cada um é um, no projeto singular da existência humana. Se Deus nos fez diamantes, Ele irá, ao longo da vida, lapidar-nos para que sejamos um diamante mais bonito, mas nunca deixaremos de ser um diamante para nos tornarmos topázio. Precisamos de aceitar as nossas belezas e deixar que o outro seja tão belo quanto ele foi criado. Este processo leva tempo, requer maturidade e confiança na graça de Deus, pois Ele nos fez únicos para sermos luz no mundo.

A inveja talvez tenha a sua raiz na incapacidade que uma pessoa carrega em si de fazer a diferença a partir das suas próprias capacidades. Quando o jardim do outro parece mais bonito do que o nosso próprio jardim, deixamos o cuidado do nosso tempo ao descuido e passamos a vida a contemplar as flores que não nos pertencem; deixamos as nossas morrerem secas pela inveja que não nos permite cuidar da nossa própria vida.

A inveja deixa os olhos grandes, mas de incapacidades que poderiam ter se transformados em lindos jardins. Não é o elogio que faz o outro feliz, mas a capacidade que temos de cuidar da nossa própria vida e deixar o outro seguir os seus próprios caminhos. Quem se preocupa demais com a vida alheia é porque já não tem tempo de cuidar das suas próprias demandas. Transformou a sua vida no mito de Narciso, mas, em vez de contemplar a sua própria face, enxerga sempre no lago dos seus pensamentos o rosto da felicidade alheia. Perdeu os seus olhos num mundo que nunca será seu. O tempo que se usa a vigiar a vida do outro seria muito mais bem aproveitado se se cuidasse das suas próprias fragilidades humanas.

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