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Não sabe como falar sobre sexo com um jovem?

 7 chaves para a teologia do corpo que trazem clareza

"Não podemos reduzir a pessoa apenas à sua corporalidade. O corpo é a porta de entrada para a pessoa como um todo, para sua dimensão mais profunda", diz Guasch.

A adolescência é uma fase de mudança e autoconhecimento, onde é essencial proporcionar uma educação afetivo-sexual abrangente. A Teologia do Corpo de São João Paulo II oferece uma estrutura valiosa de uma perspectiva cristã, vendo o corpo não apenas como biológico, mas como a expressão plena da pessoa. Esse ensinamento ajuda os jovens a entender quem são e a perseguir seus profundos desejos de amor e felicidade.

Lidar com estas questões com adolescentes é uma oportunidade de abrir um caminho com eles onde se descobre uma forma de viver plena e feliz. Blanca Guasch é professora do programa Aprendamos a Amar, da Universidade Francisco de Vitoria em Madrid e oferece-nos algumas chaves que podem servir de guia para acompanhar os jovens a apreciar a dignidade do corpo humano e a riqueza de viver uma sexualidade ordenada ao desejo de amor que está no íntimo de todos.

1. De onde eu venho? Tu vales o infinito!

Cada pessoa é criada à imagem e semelhança de Deus. Isto implica que a nossa origem não é apenas biológica, mas tem uma dimensão divina: é um acto de amor de Deus. Como é importante transmitir esta ideia aos jovens: Deus cria cada um de modo único e irrepetível, pensando em nós e amando-nos desde a eternidade. Cada vida já está a contribuir com algo para o mundo, sem depender de circunstâncias externas, como saúde, capacidade ou utilidade.

É necessário reconhecer o dom que cada um de nós é para a humanidade. Porque se alguém não tem consciência da sua dignidade e valor infinito, pode acabar por se contentar com qualquer coisa, com qualquer forma de se relacionar, mas nem tudo vai fazer alguém feliz. Vindo do Amor e querendo voltar a Ele, há um desejo de amar e ser amado que buscará constantemente ser satisfeito.

2. O teu corpo é a tua pessoa

A pessoa tem corpo e alma. Tem uma dimensão mais externa. Mas também tem uma interioridade. Não podemos reduzir a pessoa apenas à sua corporalidade. O corpo é a porta de entrada para toda a pessoa na sua dimensão mais profunda. São João Paulo II disse que "o corpo revela a alma vivente". Permanecer no superficial, corpóreo ou material é reduzir a pessoa ao puramente superficial, e perder toda a riqueza que o seu ser contém e o dom que ele é para o mundo.

Esta unidade de corpo e alma é também o fundamento do facto de que o corpo tem dignidade, igual à pessoa inteira, e por isso mesmo nunca deve ser tratado como um objecto. É preciso transmitir esta visão integral do ser humano que possa combater a ideia da separação entre o material e o espiritual, tão promovida hoje pelo materialismo. É tornar-se consciente de que tudo o que tu experimentas com o teu corpo deixará, portanto, uma marca em toda a tua pessoa.

3. O impulso sexual como motor do amor

Na adolescência, o desejo sexual aparece fortemente, o que é natural e positivo, pois é o motor que permite que se deixe amar e se doar ao outro. No entanto, é fundamental acompanhar os jovens para que aprendam a ordenar esses impulsos e guiá-los para o amor verdadeiro, que é o que lhes dará felicidade. Diante destes desejos, eles podem optar por satisfazê-los automática e impulsivamente ou, por outro lado, podem-se conectar com o seu desejo mais profundo que vai além do prazer físico: o desejo de amar e ser amado, de ser escolhido e olhado por quem eles são.

É essencial orientar os jovens para que compreendam o papel que a liberdade desempenha aqui: a capacidade de deixar para trás o "tenho vontade" para direcionar todas as suas ações para o que é bom para eles e aproximá-los de saciar o seu desejo de amor.

Não se trata de reprimir, como se o prazer fosse algo ruim em si mesmo. Não é assim. Mas sem um dom sincero para o acompanhar, ele não será capaz de satisfazer o anseio de amor e de comunhão que reside em cada coração humano. A prática de virtudes como o autocontrole e a temperança permitirá maior entrega e felicidade. Pois somente aquele que é o mestre do seus impulsos será capaz de se entregar, colocando o bem do amado diante e buscando-o.

4. O teu corpo tem uma linguagem

O corpo tem uma linguagem que pode expressar amor, doação e comunhão. As pessoas falam não só com palavras, mas também com o próprio corpo, e para isso também existem muitos gestos físicos para expressar amor. Mas nem todos expressam a mesma coisa.

Uma carícia, um abraço, um beijo ou uma relação sexual não dizem a mesma coisa, sendo esta a expressão máxima do amor fisicamente onde através da entrega do corpo também é dada a pessoa inteira. Portanto, é importante aprender a falar bem a linguagem corporal e entender o que cada gesto expressa para saber quando o viver com sinceridade.

Onde alguém dá o seu corpo, o seu coração vai atrás. Eles não podem ser separados. E se este ainda não está pronto para esta entrega, é quando o coração pode sofrer. Daí a importância de viver a entrega dos gestos de acordo com a entrega do coração.

5. Cuide dos seus olhos para descobrir a beleza

Se corpo e alma formam uma unidade, tudo o que experimentamos afeta não apenas o corpo, mas toda a nossa pessoa. É essencial que os jovens entendam que tudo o que veem, ouvem, consomem... deixa uma marca profunda que molda quem eles são e como se relacionam com os outros; que todas as suas experiências sensoriais e emocionais influenciam a sua identidade e a maneira como interagem com o mundo.

Por isso, é fundamental acompanhá-los no caminho da educação do olhar, de convidá-los a refletir se o que consomem os ajuda a manter um olhar limpo, capaz de reconhecer o dom da pessoa que está à sua frente, ou se, pelo contrário, os leva a reduzir os outros à sua aparência física ou mesmo a comparar-se superficialmente. E não é mais só na pornografia que a objetificação da pessoa é mais evidente, mas também nas séries, nos livros, nas músicas, nas contas que segue nas redes sociais...

A educação do coração implica ensiná-los a ter um critério, para que, a partir da sua liberdade, possam orientar a sua vontade para aquilo que corresponde à dignidade e à verdade de quem são e para o qual foram criados: viver em plenitude a vocação ao amor.

6. Modéstia como reverência pelo valor infinito

A modéstia sexual não é uma fuga do amor, mas um meio para o alcançar. A modéstia salvaguarda a dignidade do corpo, mostrando que o corpo é valioso e deve ser tratado com respeito. É uma ajuda para proteger o valor da pessoa, permitindo que todo o seu valor intrínseco seja descoberto e não reduzido apenas ao corpóreo.

O pecado original introduziu a vergonha, mudando a percepção de Adão e Eva um do outro. Antes, eles viviam em perfeita comunhão, amando-se com dignidade e reverência. Depois do pecado, eles começaram a ver o outro como uma ameaça e um objeto de posse, em vez de um presente. Esta mudança levou-os a proteger-se, alterando a dinâmica dos seus relacionamentos. É contra esta mesma ameaça que se quer proteger hoje.

É importante que os jovens entendam que a maneira como se vestem e como mantêm a sua privacidade reflete a sua compreensão da dignidade pessoal e do valor dos outros. Vestir-se adequadamente não significa esconder algo ruim, mas proteger algo valioso, afirmando assim que o seu valor não está apenas na sua aparência física, mas na sua totalidade como pessoas. Além disso, manter a privacidade e ser seletivo com o que tu partilhas não é um sinal de desconfiança, mas uma forma de reservar o  teu valor pessoal para aqueles que realmente o apreciam e respeitam.

7. A sexualidade está na pessoa como um todo. A diferença enriquece!

Ao observar o corpo, podemos aprender mais sobre quem somos. A princípio, vemos que temos um corpo sexuado, entendendo a sexualidade como sendo masculina e feminina. Mas a sexualidade não se reduz apenas ao corpo físico, mas também se manifesta na maneira como pensamos, agimos, sentimos, cuidamos, expressamos amor... E embora a sexualidade esteja na pessoa como um todo, isto não significa que exista apenas uma maneira de ser homem ou mulher. Há tantos homens e mulheres no mundo.

Agora, esta diferença na nossa sexualidade não pode ser vista como algo negativo que temos que eliminar. Em vez disso, a riqueza da complementaridade está em como as nossas diferenças se unem para formar uma unidade harmoniosa. Vemo-lo directamente no corpo: quando estão juntos, os nossos corpos falam de amor e de fecundidade. E embora ambos sejamos chamados para a mesma coisa, fazemos de maneira diferente e é o corpo que nos lembra disso. O corpo do homem fala de se doar saindo dele, enquanto o da mulher é feito para o acolhimento, a maternidade, para receber dentro de si e assim se doar ao outro.

Este dar e receber não apenas enriquece os nossos relacionamentos, mas também destaca a  nossa capacidade de amar e criar vida juntos.

8. Tu não podes amar o que não conheces

Se em cada coração há um desejo de amar e ser amado, viver relacionamentos apenas no plano superficial, físico ou corporal, impede conhecer e ser verdadeiramente conhecido pelo outro. O amor genuíno requer um conhecimento profundo da outra pessoa, e é crucial orientar os jovens para relacionamentos autênticos que envolvam toda a sua pessoa, acompanhando-os para descobrir quem são e o seu valor infinito, ganhando assim confiança e autoestima.

Relacionamentos profundos exigem confiança, tempo e comunicação, algo difícil de alcançar em relacionamentos superficiais, como encontros de uma noite em que tu partilhas apenas uma aparência, mas não satisfaz o verdadeiro desejo de amor. Pois não se pode amar o que não se conhece. Sem se mostrar autenticamente, não se pode ser amado em totalidade.

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