Ave Maria Imaculada... Rezai o Terço todos os dias... Mãe da Eucaristia, rogai por nós...Rainha da JAM, rogai por nós... Vinde, Espirito Santo... Jesus, Maria, eu amo-Vos, salvai almas!

Temas de Formação

Diálogo sobre a eternidade

DEUS QUER QUE, NA ETERNIDADE, UMA PARTE DOS HOMENS GLORIFIQUE A SUA MISERICÓRDIA, E A OUTRA, A SUA JUSTIÇA

- O que é preciso para ser salvo ou condenado? Corresponder à graça ou resistir-Lhe? Poderá o homem, por si só, corrresponder à graça?
- Não; para isso, é necessária ainda uma nova graça, a graça da correspondência.
- Deus é livre em dar essa graça ou é obrigado a dá-la?
- Deus não é obrigado a dá-la, mas comprometeu-Se a dá-la a todos os que Lha pedirem.
- E Deus dá sempre essa graça a todos os que Lha pedirem?
- Sim, àqueles que Lha pedirem como deve ser.
- E como é que Deus quer a salvação de todos os homens?
- Quere-a de um modo condicìonal, isto é, sob a condição de os homens fazerem o que lhes manda e não de um modo absoluto, porque lhes deseja respeitar a liberdade de se salvarem ou não.
- E porque é que Deus quer que o homem tenha a liberdade de se salvar?
- Porque Ele Mesmo assim o quer. Não podemos nem sabemos dizer mais nada.
- Lembremos sempre que não é a graça que faz os santos, mas sim a correspondência à graça; que esta correspondência é uma nova graça e, por assim dizer, a graça das graças; que esta graça não está ao alcance do homem, mas vem de Deus; que Deus a não deve a ninguém, mas não a recusa nunca, sempre que se Lhe peça devidamente.
- Deus tem alguma necessidade do homem?
- Não.
- O que é que o homem mereceu, pelo seu pecado?
- A morte eterna.
- Deus é o Senhor do homem?
- Sim.
- E que é o homem?
- Uma criatura racional, dependente de Deus, seu Criador:
- E que fez, logo desde o princípio, esta criatura?
- Revoltou-se contra Deus.
- Era, então, justo que Deus castigasse o homem?
- Sim.
- Poderia considerar-se injusto que Deus, depois do pecado do homem, não quisesse salvar senão uma parte dos homens?
- Não; mas Ele quis salvá-los a todos e quer ainda que todos se salvem.
- Como é, então, possível que, desejando Deus a salvação de todos os homens, nem todos os homens se salvem?
- Porque a vontade dos homens é contrária à de Deus.
- E não poderia a vontade de Deus triunfar sobre a vontade dos homens?
- Poderia, mas Ele não o quer, porque fez o homem livre.
- É Deus que abandona as almas ou são as almas que abandonam Deus?
- São as almas que abandonam Deus. Não correspondem à graça, perdem a amizade de Deus e caem no pecado.
- É voluntariamente e no pleno exercício da sua liberdade que a alma comete o pecado?
- Sim; não sendo assim, de forma alguma poderia haver pecado.
- Será impossível a Deus impedir o homem de pecar?
- Não.
- Que faz, então, Deus, não impedindo alguém de O ofender?
- Deixa-o usar da sua liberdade.
- E quando a alma terminou o curso da sua existência, na terra, que faz Deus?
- Faz o que deve: julga-a com justiça.
- E como é que Deus julga esta alma com justiça?
- Julgando-a segundo as suas obras, isto é, castigando-a.
- E tem Deus o direito de a castigar?
- Sim.
- É injusto, se o faz?
- Não, porque lhe não dá senão o que ela mesma procurou, e a Justiça de Deus manifesta-se na pena que lhe impõe.
- Deus não encontra nunca uma correspondência à Sua Graça?
- Não; eu creio que há almas fiéis às graças de Deus.
- E estas almas correspondem à graça por sua própria vontade?
- Sim.
- Que deverá, então, fazer Deus das almas que correspondem à Sua Graça?
- Recompensá-las e de modo algum tornar inútil a Misericórdia que Deus lhes conquistou com a Sua Morte.

- Qual será, então, o juizo de Deus sobre estas almas?
- Um juizo de misericórdia.
- E sobre as almas rebeldes?
- Será, pelo contrário, um juizo de justiça.
- Que fará, pois, durante a eternidade, a alma que tiver resistido à graça de Deus?
- Será uma testemunha da Justiça divina, que castiga o mal e a iniquidade.
- Como sera este testemunho?
- Será a manifestação da Justiça de Deus.
- E a manifestação da Justiça de Deus é coisa diferente da glorificação dessa mesma Justiça?
- Não: dar testemunho de Deus é glorijicá-Lo.
- Que fará, durante a eternidade, a alma que tiver correspondido à graça de Deus?
- Será um testemunho da Misericórdia Divina, que recompensa o bem e a virtude.
- Como será este testemunho?
- Será a manifestação da Misericórdia de Deus.
- E a manifestação da Misericórdia de Deus é coisa diferente da glorificação dessa mesma Misericórdia?
- Não, porque dar testemunho de Deus é glorijïcá-Lo.
- Terá sido necessário a Deus esperar pela existência dos homens, para saber se iriam ser fiéis ou infiéis à Sua Graça?
- Não.
- Porquê?
- Por que Deus é eterno; o passado, para Ele, não existe; e vê, com um só olhar, o passado, o presente e ofuturo.
- Se a visão de Deus é eterna, o conhecimento que tem de todas as coisas não é também eterno?
- Sim.
- Se Deus vê e conhece, desde toda a eternidade, qual deve ser a consumação de uma tal visão e conhecimento eternos?
- Um juizo eterno.
- Qual será esse juizo, em relação às almas fiéis?
- Um juizo de felicidade eterna.
- E para as almas infiéis?
- Um juizo de infelicidade eterna.
- Como se chamas este último juizo?
- O da Justiça de Deus contra o homem que rejeitou a Sua Misericórdia divina.
- E o outro?
- O da Misericórdia, em favor do homem que, por Jesus Cristo, acalmou a Justiça divina
- E porque se chamas a um destes dois juizos, juizo de justiça e ao outro, juizo de miseri- córdia?
- O primeiro chama-se juizo de justiça, porque é só a Justiça de Deus que aparece neste juizo;
e ao Segundo juizo chama-se de misericórdia porque, neste juizo, é sobretudo a Mìsericórdia de Deus que aparece.

- Neste segundo juizo, há apenas juizo de misericórdia?
- Há também, ao mesmo tempo, um juizo de justiça; mas de justiça misericordiosa ou de justiça estritamente unida à misericórdia, de que os eleitos gozarão eternamente, ao passo que os condenados jamais poderão gozar da Misericórdia de Deus.
- Se Deus via, conhecia e julgava tudo desde toda a eternidade e antes da existência do homem, então estamos no direito de concluir:
que Deus, nos Seus juizos secretos e impenetráveis, destinou uns para glorificar a Sua Justiça, e outros, para glorificar a Sua Misericórdia.

 

Regressar