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A agressividade

A Agressividade

A Agressividade representa um instinto (disposição inata) próprio a todo o ser humano, necessário para a sua existência, que nos protege das agressões externas. É sinónimo da motilidade, algo vital que o bebé adquire nos seus primeiros meses de vida no contacto com o ambiente.
Os instintos geralmente são padrões herdados de respostas, mais facilmente observados em respostas a emoções, que servem para pôr em funcionamento mecanismos (automáticos) que levam um organismo a agir.
O comportamento agressivo faz parte da vida humana, devendo ser encarado como normal.
Está ligada ao mecanismo básico de resposta ao Medo, que é uma das emoções básicas, cuja reacção é luta ou fuga. Se não tivéssemos uma dose de agressividade reagiríamos sempre pela fuga perante uma situação nova (causadora de medo) e nunca poderíamos aprender… Assim, como podemos optar pelo “confronto” podemos partir à descoberta, interagir, viver novas experiências, aprender, crescer…

Agressividade, agressão e violência

Por outro lado… a agressividade designa também uma tendência especificamente humana marcada pelo carácter ou vontade de cometer um acto violento sobre outrem.
Violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objecto.
Nega-se autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado.
A violência diferencia-se de força: força designa energia ou “firmeza” de algo; violência caracteriza-se pela acção corrupta, impaciente e baseada na ira, que não busca convencer o outro, mas causar-lhe dano. Segundo Pinker, não é um impulso primitivo e irracional nem uma patologia, mas o resultado quase inevitável da dinâmica dos organismos sociais racionais movidos pelo auto-interesse. Há agressão quando um indivíduo prejudica o outro, de propósito. Existem vários tipos de agressão.

Convém não esquecer…

A nossa tendência agressiva é normal, mas quando se acumula transforma-se em violência (normalmente contra o outro, mas muitas vezes contra nós mesmos); e isso faz muito mal e causa muito dano.
Ora, a “Faculdade Moral” e a “Consciência” são dois princípios básicos da mente humana… e por Faculdade Moral entende-se o atributo da mente humana capaz de distinguir e eleger entre o bem e o mal; ou, dito de outro modo, entre a virtude e o vício. Trata-se de um princípio inato e, ainda que possa melhorar-se pela experiência e pela reflexão, não deriva de nenhuma delas, nem da experiência, nem da razão. Através das faculdades morais a pessoa pode desempenhar um comportamento ético! Quaisquer que sejam os nossos impulsos nós podemos sempre actuar segundo os nossos valores, de acordo com o que nos parece ser o bem e o mal.

O que leva uma pessoa a ter um acto agressivo?

Qualquer comportamento é considerado como um conjunto de inúmeros processos em complexa interacção. A violência é determinada pela complexa combinação entre factores externos e características inatas do ser humano.
Também as diferentes formas de violência têm diferentes origens, todas deixando sequelas psico-emocionais, muitas vezes, irreversíveis no indivíduo.
Considera-se que encontramos três causas principais para gerar a violência: a competição (pelo ganho), a insegurança (para defender-se ou de modo preventivo, para inibir a possibilidade de agressão), a glória (a reputação pessoal ou do grupo, atacada ou posta em jogo).
Diversas causas externas ao indivíduo já foram propostas para explicar a violência física: violência nos mass media, acesso a armas de fogo, discriminação e pobreza. Também diversas causas internas ao indivíduo também já foram propostas para explicar a violência física: Género (os homens são mais violentos em praticamente todas as culturas), distúrbios de personalidade (como perfil de personalidade: tendem a ser impulsivos, ter baixo nível de inteligência, ser hiperactivos e com déficit de atenção), factores genéticos, factores bioquímicos (a hormona mais relacionada com a agressividade é a testosterona), factores neurológicos (eventuais alterações cerebrais, essencialmente no hemisfério esquerdo), factores psicofisiológicos.

Como lidar com uma pessoa agressiva?

O mais importante é saber lidar com a sua própria agressividade. Desenvolver a capacidade de autodomínio e autocontrolo é difícil, mas é fundamental.
É importante observar o outro e identificar quais as situações que despoletam nele a agressividade e a violência, por forma a evitá-las se possível e indicado.
É também necessário aprender a “arte de protestar”. Por exemplo: tratar dos assuntos em privado antes ou em vez de o fazer em público, protestar verbalmente e não por mímicas, evitar o humor ou a ironia, não deixar acumular um contencioso, não se desculpar, sugerir soluções realistas e aceitáveis para todas as partes interessadas, aceitar o protesto dos outros.
Para lidarmos com situações agressivas, também será necessário saber utilizar as críticas justificadas, i.é., ao invés de fugirmos das críticas, devemos utilizá-las como meio de correcção de trajectória (feed-back), conhecendo os nossos defeitos, acolhendo com tranquilidade as críticas, pedindo explicações concretas e recusando generalidades e estabelecendo um compromisso com o outro.
Do mesmo modo, será fundamental saber enfrentar as críticas injustificadas e as manipulações, optando por opor uma manifestação de autonomia sem contra-atacar agressivamente.

O que leva a criança a ser agressiva?

A agressividade é uma força instintiva que como outras são inatas em todos os seres humanos. Especialmente a criança, expressa tudo o que é mais essencial do ser humano, uma vez que ela ainda não completou o seu amadurecimento afectivo e intelectual.
Perante uma criança que expresse uma agressividade excessiva, devemos compreender o contexto em que isso ocorre. O primeiro passo é verificar se existe no seu convívio familiar e escolar, algum factor que esteja a estimular a reacção agressiva.
A criança que tem características que não correspondem às expectativas dos pais, familiares e professores encontrará muitas dificuldades no seu desenvolvimento caso os adultos a tratem como uma criança “problema”, estranha e indesejável, pois isso prejudica ainda mais a possibilidade de ela se aceitar da maneira e forma que é, e se tornar um dia numa pessoa equilibrada e saudável.
Toda a criança tende a ser um pouco agressiva quando começa a socializar-se. Essa atitude só se torna preocupante no momento em que a criança fica destrutiva, hostil, perversa.
Famílias super-protectoras ou muito autoritárias estão sujeitas a criar filhos agressivos. A agressividade da criança está muito ligada à agressividade do adulto.
Uma certa dose de agressão é importante na vida. A agressividade que incomoda é aquela descontrolada, sem limites, sem motivos aparentes. Em geral, a sua presença indica sofrimento psicológico.
Tal como os adultos, as crianças devem procurar ajuda especializada. Normalmente deveria estender-se esta ajuda à família.

Ciúme

É um sentimento que apresenta carácter instintivo e natural, marcado pelo medo (de base real ou irreal) de se perder o amor da pessoa amada ou ver diminuída a qualidade ou ameaçada a continuidade de uma relação tida pelo sujeito como valiosa.
O ciúme está relacionado com a falta de confiança no outro ou em si próprio e, quando é exagerado, pode tornar-se patológico e transformar-se numa obsessão.
Provoca o temor da perda e envolve sempre três ou mais pessoas: a pessoa que sente ciúmes (sujeito activo), a pessoa de quem se sente ciúmes (sujeito passivo do ciúme) e a terceira ou terceiras pessoas que são o motivo dos ciúmes (chamados o pivô do ciúme).
A explicação psicológica do ciúme pode ser uma persistência de mecanismos psicológicos infantis que já na idade adulta podem aparecer sob a forma de uma possessividade em relação ao parceiro, ou mesmo uma paranóia. Nesse tipo de paranóia, a pessoa está convencida, sem motivo justo ou evidente, da infidelidade do parceiro e passa a procurar “evidências” da traição. Nas formas mais exacerbadas, o ciumento passa a exigir do outro coisas que limitam totalmente a liberdade deste.
Os casos mais sérios devem sempre procurar a ajuda da psicoterapia; o trabalho de reorganização interior passa por um reforço da auto-estima e da valorização da auto-imagem. Em todos os casos pode ajudar-se estabelecendo um diálogo franco e aberto de encontro com o sujeito passivo, com a reflexão sobre o que sentem um pelo outro e sobre tudo o que possa levar a uma melhoria da relação, para que esse aspecto não se torne limitador e perturbador.

Um conjunto complexo e as suas consequências

O ciúme é uma reacção complexa porque envolve um largo conjunto de emoções (dor, raiva, tristeza, inveja, medo, depressão e humilhação), pensamentos (ressentimento, culpa, comparação com o rival, preocupação com a imagem, autocomiseração) reacções físicas (taquicardia, falta de ar, excesso de salivação ou boca seca, aperto no peito, dores físicas) e comportamentos (questionamento constante, busca frenética de confirmações e acções agressivas e mesmo violentas).
O ciúme, em princípio, é um sentimento tão natural ao ser humano como o tédio e a raiva: nós sempre vivenciamos este sentimento em algum momento da vida, diferindo apenas as suas razões e as emoções que sentimos. Como todos os outros sentimentos, tem o seu lado positivo e o seu lado negativo:
• O lado positivo: protege o amor: ele lembra a cada membro da relação (de namoro, conjugal ou de amizade) que nunca se deve considerar o outro como definitivamente “conquistado”, e pode encorajar um esforço consciente para assegurar que o outro se sente valorizado;
• O lado negativo: prejudica o amor: às vezes os sentimentos de ciúme podem ficar desproporcionais e pode afectar gravemente uma relação, levando o outro a sentir-se constantemente constrangido para evitar uma crise de ciúmes.

Ciúme e inveja

O ciúme está intimamente relacionado à inveja. A diferença é que a inveja não envolve o sentimento de perda presente no ciúme. Mas ambas são um misto de desconforto e raiva e atormentam aquele que cobiça algo que a outra pessoa tem. Quanto mais baixa for a auto-estima, mais propensa está a pessoa de sofrer com um dos dois sentimentos.
Tanto o ciúme quanto a inveja desviam o foco de quem os sente para longe dos cuidados com a própria vida, tão preocupado fica com a vida de outra(s) pessoa(s).
Como acontece com todos os outros sentimentos, se forem olhados com atenção e sem rejeição, podem levar a atitudes positivas como melhorar a aparência, desenvolver novas habilidades e trabalhar a auto-estima.
Como regra, diz-se que a mulher é mais propensa que o homem a sentir ciúme ou inveja de relacionamentos, enquanto que o homem é mais frequentemente atormentado por diferenças de status, de finanças e de poder.

Ciúme patológico

O ciúme patológico é visto pela psiquiatria como uma espécie de paranóia (distúrbio mental caracterizado por delírios de perseguição e pelo temor imaginário de a pessoa estar a ser vítima de conspiração). Para um ciumento, a fronteira entre imaginação, fantasia, crença e certeza torna-se vaga e imprecisa, e todas as dúvidas podem transformar-se em ideias hiper-valorizadas ou delirantes.
Aquele que sente ciúme a este nível tem a compulsão de verificar constantemente as suas dúvidas, a ponto de se dedicar exclusivamente a invadir a privacidade e tolher a liberdade do outro: abre correspondências, bisbilhota o computador, ouve telefonemas, examina bolsos, chega a seguir o outro ou até a contratar alguém para o fazer… o que não só não ameniza o mal-estar da dúvida como até o intensifica.
A pessoa ciumenta apresenta na sua personalidade sentimentos de insegurança. O tratamento passa por um trabalho de psicoterapia que tenderá a melhorar a confiança em si mesmo. Só quem confia em si mesmo pode confiar em outros, de modo que é fundamental o fortalecimento da autoconfiança.

A vergonha

Considerada uma emoção secundária ou mista, reúne e condensa uma série de emoções primárias (medo, repulsa, raiva, tristeza…).
Pode definir-se como uma condição psicológica, misto de ideias, estados emocionais, estados fisiológicos e de um conjunto de comportamentos, todos induzidos pelo conhecimento ou consciência de desonra, desgraça, humilhação ou condenação. A vergonha perturba atacando ou destruindo a dignidade pessoal de uma pessoa ou grupo.
É uma das emoções mais intensas, pelo que o indivíduo que a experimenta pode sentir-se totalmente desprezível, inútil e até sentir que não há redenção possível. Por isso ela é frequentemente utilizada como uma forma de controlo (religioso, político, moral, judicial e social).

A vergonha pode ser induzida

• verbalmente: pelo ridículo, insultos ou pela exposição pública da vulnerabilidade ou fraqueza de uma pessoa ou grupo;
• e fisicamente: por ataques, estupro e espancamento.
ou seja: acções que visam provocar vergonha atacam e diminuem a dignidade humana de uma pessoa ou grupo e os separam do restante da humanidade.
Visto que a vergonha é uma condição complicada e frequentemente tabu, as pessoas muitas vezes confundem vergonha com culpa quando envergonham outros. A vergonha é frequentemente usada como forma de agressão relacional contra pessoas inocentes.
Vergonha de si mesmo
É também possível envergonhar-se a si próprio; seja com formas genuínas ou falsas de auto-condenação ou em pessoas que confundem a sua auto-avaliação com condições externas (como acontece quando alguém diz de si mesmo: “eu perdi, portanto, sou um perdedor”).
A vergonha de si mesmo pode ser internalizada como identidade após um ultraje de que a pessoa foi vítima. Uma pessoa pode sentir que a sua dignidade foi perdida de forma permanente e definitiva, seja por fazer parte de um grupo que é socialmente estigmatizado ou por vivenciar um ultraje ou o ridículo. As crianças são especialmente vulneráveis à formação de uma identidade de vergonha própria durante o seu processo de desenvolvimento.
A vergonha costuma ser usada para estabelecer limites, na infância, visto que as crianças mais pequenas são incapazes de associar causa e efeito por si mesmas.
Depois, quando as crianças se tornam mais capazes de julgar as suas próprias acções, a culpa torna-se a principal formadora da consciência.
E, finalmente, alguns atingem aquilo que seria a meta para todos: viver a capacidade de liberdade e justiça como critérios orientadores das suas escolhas e condutas…
Infelizmente, não é raro encontrar uma larga maioria de adultos que são moralmente orientados pela vergonha ou pela culpa (objectos “negativos”, repressores) e muito poucos orientados por princípios positivos, libertadores.

Distinções importantes

Alguns conceitos comummente relacionados com a vergonha são usados indiscriminadamente como sinónimos desta, mas sem realmente o serem: a culpa e o embaraço.
Não parece haver uma distinção padronizada entre vergonha e culpa. Contudo, a Antropologia Cultural descreve a vergonha como uma violação de valores culturais e sociais enquanto que o sentimento de culpa vem de violações de valores internos; mas a verdade é que é possível sentir-se envergonhado devido a pensamentos ou comportamentos “secretos” (apenas conhecidos pelo próprio: por exemplo pensamentos ou actos íntimos ditos obscenos), bem como sentir-se culpado por acções exteriores que tenham obtido a aprovação de outros (por exemplo: sentir remorso por ter participado de um linchamento).
Parece que estaremos mais de acordo com alguns terapeutas que afirmam que “enquanto a culpa é um sentimento doloroso de remorso e responsabilidade pelas acções de alguém, a vergonha é um sentimento doloroso sobre alguém enquanto pessoa”.
Também convém diferenciar entre vergonha e embaraço: ao passo que a vergonha não envolve necessariamente humilhação pública (alguém pode sentir vergonha por um acto que apenas a própria pessoa conhece), para que se sinta embaraço as acções têm de ser reveladas a outrem. Por outro lado ao passo que a vergonha tem uma conotação de ser uma resposta considerada moralmente errada, alguém pode sentir-se embaraçado a respeito de acções que são moralmente neutras mas socialmente inaceitáveis (tais como um acidente). Porém a verdade é que as duas emoções aparentemente apenas diferem em intensidade. O desejo de entrar num buraco e desaparecer de vista é comum a ambos!

Diferentes tipos de vergonha

Muitos se poderiam elencar; mas talvez os mais importantes a notar sejam os que seguem:
1. Vergonha tóxica: termo usado para descrever uma vergonha falsa (e, portanto, patológica), sem relação aparente com a realidade actual vivida pelo sujeito; é de origem muito profunda e geralmente localizada na infância: por exemplo, todas as formas de abuso infantil (sexual ou não) podem causar vergonha tóxica particularmente grave.
2. Vergonha religiosa: em muitos casos, esta vergonha está associada com a sexualidade e outras características ditas “carnais” dos seres humanos, embora resultem na maior parte das vezes de falsas interpretações dos princípios morais religiosos, onde somente as expressões pecaminosas destas características devessem ser motivo de vergonha.
3. Vergonha substituta: noção introduzida recentemente e que se refere à experiência de se envergonhar no lugar de outrem.
Em todas as circunstâncias, falar de vergonha é sempre dirigir-se a uma área relativamente problemática em cada um de nós, seja pelo defeito seja pelo excesso.
O processo de amadurecimento e de desenvolvimento pessoal encontra aqui um campo fértil de trabalho, aprimoramento, libertação e cura.


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