Ave Maria Imaculada... Rezai o Terço todos os dias... Mãe da Eucaristia, rogai por nós...Rainha da JAM, rogai por nós... Vinde, Espirito Santo... Jesus, Maria, eu amo-Vos, salvai almas!

Quaresma

Cuidado com as penitências absurdas na Quaresma

Quaresma é tempo de lutarmos contra os nossos pecados, pois é a pior realidade para nós, é um período de reflexão, penitências, conversão espiritual em preparação para o mistério pascal. O Catecismo diz: “Aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave do que o pecado, e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro” (n. 1489).

Olhando para Jesus, desfigurado e destruído na cruz, entendemos o horror que é o pecado. Foi preciso a morte de Cristo para que nos livrássemos do pecado e da morte eterna, a separação da alma de Deus. Então, a Igreja propõe-nos 40 dias de penitência, de resistência contra o pecado, na Quaresma.

Prática

Esta prática é baseada na vida do povo de Deus. Durante 40 dias e 40 noites, caiu o dilúvio que inundou a terra e extinguiu a humanidade pecadora (cf. Gn. 7,12). Durante 40 anos, o povo escolhido vagou pelo deserto, em punição pela sua ingratidão, antes de entrar na terra prometida (cf. Dt 8,2).

Durante 40 dias, Ezequiel ficou deitado sobre o próprio lado direito, em representação do castigo de Deus iminente sobre a cidade de Jerusalém (cf. Ez 4,6). Moisés jejuou durante 40 dias no Monte Sinai antes de receber a revelação de Deus (cf. Ex 24, 12-17). Elias viajou durante 40 dias pelo deserto, para escapar da vingança da rainha idólatra Jezabel e ser consolado e instruído pelo Senhor (cf. 1 Reis 19,1-8).

O próprio Jesus, após ter recebido o baptismo no Jordão, e antes de começar a vida pública, passou 40 dias e 40 noites no deserto, rezando e jejuando (cf. Mt 4,2). É um tempo de luta contra o mal.

São Paulo dá-nos uma indicação precisa: “Nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça”, porque Ele diz: “No tempo favorável, eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio’’. Este é o “tempo favorável”, este é “o dia da salvação” (2 Cor 6,1-2). A liturgia da Igreja aplica estas palavras de modo particular ao tempo da Quaresma. “Convertei-vos e crede no Evangelho” e “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar”.

Convite à conversão

O primeiro convite é à conversão, um alerta contra a superficialidade da nossa maneira de viver. Converter-se significa mudar de direcção no caminho da vida: uma verdadeira e total inversão de rumo. Conversão é ir contra a corrente, contra a vida superficial, incoerente e ilusória que, frequentemente, nos arrasta, domina e torna-nos escravos do mal ou pelo menos prisioneiros dele.

Jesus Cristo é a meta final e o sentido profundo da conversão, é o caminho ao qual somos chamados a percorrer, deixando-nos iluminar pela sua luz e sustentar pela sua força. A conversão é uma decisão de fé, que nos envolve inteiramente na comunhão íntima com a pessoa viva e concreta de Jesus. A conversão é o ‘sim’ total de quem entrega a vida a Jesus pela vivência do Evangelho. “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

As penitências não são para fazer mal

Para nos vencermos a nós mesmos, as nossas fraquezas e paixões desordenadas, a Igreja recomenda, sobretudo na Quaresma, o jejum, a esmola e a oração como “remédios contra o pecado”, para dominarmos as fraquezas da carne e nos aproximarmos de Deus. Mas, não se devem fazer penitências exageradas, uma mortificação que leve a pessoa a ficar doente ou a sentir-se mal. O jejum exige passar um pouco de fome durante o dia, mas sem causar mal à pessoa, sem tirar a sua condição de trabalhar, rezar, etc.

Saber calar pode ser uma boa penitência

Há formas boas de mortificação, como cortarmos aquilo que nos agrada, seja para o corpo ou para o espírito, mas há pessoas que fazem excessos. prejudicando a saúde. Deus não nos pede o impossível.

Que mortificação eu preciso de fazer? É aquela que abate o meu pecado. Se eu sou soberbo, então a minha penitência deve ser o exercício de humildade: vencer todo orgulho, ostentação, vaidade, exibicionismo, desejo de aparecer, de me impor aos outros e saber calar.

Se o teu pecado é o apego aos bens materiais e ao dinheiro, então é preciso exercitar muito a boa e farta esmola, o desprendimento do mundo e das criaturas. Se o meu mal é a luxúria e a impureza, então, vou exercitar a castidade nos olhos, nos ouvidos, nas leituras, nos pensamentos e actos. Se sou irado, vou conquistar a mansidão; se sou invejoso, vou buscar a bondade; se sou preguiçoso, vou trabalhar melhor e mais e ser diligente em servir os outros sem interesse.

Perdoar pode ser mais importante

São Francisco de Sales, doutor da Igreja, dizia que a melhor penitência é aceitar, com resignação, os males que Deus permite que nos atinjam, porque Ele sabe do que precisamos, e assim os nossos pecados são vencidos. As penitências que Deus nos manda, são melhores do que as impostas por nós mesmos.

Então, aceita, especialmente na Quaresma, sem reclamar, sem culpar ninguém, todos os males, dores, aborrecimentos e injúrias que sofreres, e oferece tudo a Deus pela tua conversão. Pode ser que dar o perdão a quem te ofendeu seja mais importante do que ficar 40 dias sem fazer isto ou aquilo. Uma visita a um doente, a um preso, o consolo de alguém aflito pode ser mais importante do que uma peregrinação demorada. Tudo é importante, mas é preciso observar o mais importante para a realidade espiritual.

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