Página Mariana
A reparação ao Imaculado Coração de Maria como via de consagração a Deus
- 20-05-2026
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O papel de Maria na história da salvação
Antes de entendermos a reparação, precisamos de olhar para a Palavra de Deus e para a tradição da nossa Igreja. São Luís Maria Grignion de Montfort ensina-nos algo fortíssimo: “A salvação do mundo começou por Maria e é por ela que se deve consumar”. Na primeira vinda de Jesus, Maria esteve mais oculta. Mas para a segunda vinda de Cristo – para a qual nós preparamos o caminho -, Maria tem de ser conhecida e manifestada pelo Espírito Santo. Nós somos o exército de Nossa Senhora, e acreditamos no seu papel salvífico como a primeira cooperadora na obra redentora de Cristo.
A profecia de Simeão e o início da reparação
O Evangelho de São Lucas (2, 22-35), que narra a Apresentação de Jesus no Templo, marca um momento muito significativo para todos nós, batizados e consagrados. Quando Maria e José levam o Menino para ser apresentado ao Senhor, o termo usado evoca a ideia de “oferta” e “sacrifício”.
Lá, o velho Simeão abençoa a Sagrada Família e profetiza a Maria: “E a ti uma espada de dor trespassará a tua alma para que se revelem os pensamentos íntimos de muitos corações”. O que Jesus sofreu no corpo e na alma durante a Sua Paixão, Nossa Senhora sofreu na sua alma! Ela cooperou de modo singular com este sofrimento. Desde o seu “Sim” na Anunciação, que foi um profundo acto fundado na fé e na obediência, a vida inteira de Maria Imaculada foi e é uma contínua reparação a Deus.
O que significa “Reparação”?
Reparação é uma palavra teológica fortíssima que foi um pouco esquecida, mas que Nossa Senhora quer resgatar nos nossos dias.
A reparação indica a participação do cristão na obra redentora de Cristo. É a expiação do pecado e a restauração da obra de Deus. Precisamos de reparar porque o pecado ofende a Deus e degrada a Sua criação. Sobretudo, reparar é ter uma atitude de compaixão pelos sofrimentos de Cristo, procurando consolá-Lo pelas ofensas que mais entristecem o Seu Sagrado Coração. E lembrem-se: tudo em Maria diz respeito a Nosso Senhor Jesus Cristo. Consagrar-se e reparar o Coração de Maria é consagrar-se e reparar o próprio Deus.
Penitências voluntárias e involuntárias
Quando o Anjo de Portugal apareceu aos Três Pastorinhos em Fátima, ele introduziu-os na mística da reparação ensinando: “De tudo o que puderdes, oferecei a Deus um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido”.
Como é que nós podemos fazer isto hoje? Através de duas vias:
Penitências Voluntárias: São os sacrifícios que nós mesmos escolhemos para oferecer a Deus.
Penitências Involuntárias: São as contrariedades, humilhações e sofrimentos diários que o Senhor permite que cruzemos. O Anjo disse: “Sobretudo, aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar”. Suportar a dor com a intenção de consolar a Deus é um acto belíssimo de reparação.
A mensagem de Fátima, a paz e os primeiros sábados
O apelo à reparação está muito ligado à paz no mundo. Nossa Senhora avisou que, se fizermos o que Ela pede, muitas almas se salvarão e teremos paz.
Para que isso aconteça, a Virgem Maria pediu algo muito concreto: a Devoção dos Cinco Primeiros Sábados. Em 1925, Ela apareceu à Irmã Lúcia com o coração cercado de espinhos, pedindo que fôssemos nós a tirar esses espinhos cravados pelas blasfêmias e ingratidões dos homens.
Os quatro actos reparadores dos primeiros sábados
Para consolar o Coração da nossa Mãe e alcançar as graças necessárias para a salvação, Ela pede-nos que, durante cinco primeiros sábados consecutivos, façamos quatro actos com a intenção de desagravo:
Confissão.
Receber a Sagrada Comunhão.
Rezar um Terço.
Fazer 15 minutos de companhia a Ela, meditando nos mistérios do Terço.
Esta não é uma devoção para se fazer apenas uma vez. É uma espiritualidade perene, pois o exército de Nossa Senhora precisa de viver dos sacramentos e estar sempre em estado de graça.
Consagração, reparação e santificação são a mesmíssima realidade! Elas acontecem quando oferecemos o nosso próprio “eu” ao Deus Amor.
Quando nos unimos aos sofrimentos de Cristo através das nossas cruzes e penitências, nós também ajudamos a salvar almas com Ele.
Que a graça de Deus seja o vosso conforto nesta caminhada. Deixem que a Virgem Maria guie cada um de vós até ao coração de Deus.
