O Homem
Por que é que alguns homens não gostam de ir ao médico
- 19-07-2024
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Por que é que, para o homem, é tão “tensa” esta realidade de se relacionar com a sua saúde? Por que é que, para o homem, é tão demorada a ida ao médico?
Alguns pontos que nos podem ajudar a chegarmos a um possível consenso.
1º) Fomos criados para ser fortes
Desde pequenos, quando caíamos no chão, esfolávamos os joelhos ou arrebentávamos o dedo do pé, escutávamos: “Sê forte! Não chores. Não foi nada! Levanta-te já daí”. Não podíamos mostrar fraqueza, afinal, “um homem não chora”. Isto, de certa forma, deixou marcas em nós e um desconforto ao assumirmos fragilidades. Logo, ir ao médico é, no mínimo, assumir que “não somos imortais”, que podemos estar “falhos” (doentes). Isto seria assumir as fraquezas. Então, deixa o médico para lá, pois “isso é para os fracos!”.
2º) O homem não sente dor
A nossa relação com a dor, na linha do 1º ponto, seguiu o mesmo caminho. Às vezes, sentíamos uma dorzita, mas, diante dos amigos e até dos pais, tínhamos de fazer cara de “estou a aguenta”. Desta forma, assumir que o corpo padece é também tocar na fraqueza e questionar a nossa masculinidade.
3º) O nosso tempo é precioso
O nosso tempo é precioso. Precisamos de fazer, produzir e realizar algo a todo o momento. O masculino traz em si o papel do “fazer” como um dos elementos estruturantes de si mesmo. Logo, ir ao médico é deixar de “fazer” (produzir, realizar), e não dá para perder horas na fila de espera, no consultório do médico ou naquele exame demorado, pois isso seria perda de tempo.
4º) Não somos de muita conversa
Marcar horário para conversar com alguém que mal conheço? Nem pensar! Se nem à minha esposa eu não conto tudo o que sinto, imagine com um médico! Nós homens, na maioria dos casos, temos dificuldades para falar de nós mesmos. Qual a primeira pergunta que o médico faz: “Como está?”
5º) Temos medo do desconhecido
Nós homens gostamos de ter controle sobre as variáveis da vida. Logo, não saber o que é essa ardência ao urinar ou a mancha aqui ou aquela dor ali é também ter de enfrentar o desconhecido. Queremos, ao máximo, deixar para depois. Fazer aquele exame e esperar o resultado pode ser angustiante.
Poderíamos ainda falar de várias outras hipóteses de resposta, como o medo que o homem traz de se mostrar, de ser invadido (colonoscopia, endoscopia, toque, etc.). São questões que questionam a masculinidade de muitos homens.
Precisamos de nos apropriar da nossa masculinidade, não ter medo de a libertar desses slogans que aniquilam a nossa essência masculina. Precisamos de assumir que a nossa fortaleza não está no facto de sempre sermos fortes e poderosos, mas na capacidade de reconhecer as nossas fraquezas e limites, buscando enfrentá-los. Temos de assumir que a nossa dor pode ser diminuída quando assimilada como nossa e como verdade de nós mesmos; quando fazemos muito, mas a nossa eficiência está no transbordamento do nosso ser. Precisamos de integrar o nosso eu interior quando nos colocarmos em relação com o outro, buscando ali novas respostas. O desconhecido só amedronta, porque eu o desconheço. Quando o reconheço, encontro nele novas oportunidades de o superar.
Nestes novos tempos que estamos a viver, é preciso que nós homens nos assumamos naquilo que somos, não tendo medo das nossas fraquezas, mas nos permitindo enfrentar, com coragem, os nossos fantasmas mais escondidos. A nossa relação com a saúde não deve ser a de “intervenção” (quando já estamos doentes), mas sim de prevenção. Marcar consultas preventivas, exames que nos podem antecipar de grandes doenças tornam-se grandes ferramentas para o exercício da nossa masculinidade. Afinal, um grande homem sempre tem uma boa estratégia! E por que não uma estratégia de saúde?
Vamos marcar a sua consulta médica!
