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O Demónio existe

O teólogo do Papa

O teólogo do Papa, afirma:«Devemos levar o demónio muito a sério»

- Pela sua acção contra o homem, «devemos tomar o demónio muito a sério», mas sem esquecer a confiança no amor de Deus – um amor «mais forte que tudo» –, cuja misericórdia «vence todo o obstáculo», explica o cardeal Georges Cottier, teólogo do Papa.


- Neste grande mistério do mal, quanto conta a acção do diabo e que parte tem a responsabilidade do homem?
- Cardeal: O diabo é o grande sedutor porque tenta levar o homem ao pecado apresentando o mal como o bem. Mas a nossa falta de responsabilidade conduz à queda porque a consciência tem capacidade de distinguir o que é bom e o que é mal.
- Por que é que o diabo quer induzir o homem ao pecado?
- Por inveja e ciúmes. O diabo quer arrastar consigo o homem porque ele mesmo é um anjo decaído. A queda do primeiro homem esteve precedida pela queda dos anjos.
- É uma heresia afirmar que também o diabo faz parte do projecto de Deus?
Satanás foi criado por Deus como anjo bom porque Deus não cria o mal. Tudo o que sai da mão criadora de Deus é bom. Se o demónio se converteu em mal é por sua culpa. É ele que fazendo mau uso da sua liberdade se fez mal.
- Por que é que o diabo, que é espírito inteligentíssimo, usa desta maneira a liberdade que é em qualquer caso sempre um dom de Deus?
Aqui estamos perante o mistério. O mistério do mal é antes de tudo o mistério do pecado. Somos golpeados justamente pelos males físicos, mas há um mal muito mais radical e mais triste que é o mal do pecado. O diabo estabeleceu-se na sua rejeição. Também o pecado do anjo é sempre mais grave que o do homem. O homem tem tantas debilidades em si que de alguma maneira a sua responsabilidade pode ficar velada; o anjo, sendo espírito puríssimo, não tem desculpas quando elege o mal. O pecado do anjo é uma eleição tremenda.
- Parece impossível que um anjo criado na luz de Deus tenha podido eleger o mal...
Quando falamos de um anjo decaído por causa do pecado, enfrentamos um tema muito grave e, portanto, devemos tratá-lo com grande seriedade. Na tentação do homem temos quase um reflexo do que foi o próprio pecado do anjo. Eis aqui a sedução suprema: pôr-se no lugar de Deus. Inclusive Satanás não reconheceu a sua condição de criatura.
- Por que é que o demónio é chamado príncipe deste mundo?
É uma expressão do Evangelho de João. Significa que o mundo, quando se esquece de Deus, é dominado pelo pecado. A acção do demónio está guiada pelo ódio para com Deus e pode fazer graves danos quando seguimos as suas tentações. O mal principal do demónio é o mal espiritual, o do pecado. Esta acção toca tanto o indivíduo como a sociedade.
- Deus não teria podido impedir tudo isto?
Sim, mas permitiu que tanto o demónio, como o homem, tivessem a liberdade de actuar e, às vezes, de pecar. É um mistério tremendo. São Paulo diz: «Tudo é para o bem dos que amam a Deus». Quando, portanto, estamos com Deus, inclusive o mal contribui para o nosso bem.
- Difícil de aceitar...
Pensemos nos mártires. No extraordinário bem espiritual que, à luz da fé, deriva-se de uma tragédia como um martírio. Santo Agostinho, comentando S. Paulo, diz: «Deus não teria permitido o mal se não quisesse fazer deste mal um bem maior». Há bens que a humanidade não teria conhecido se não tivesse estado na presença do pecado e do mal. É difícil afirmar isto, mas é a verdade.
- Como é que o diabo actua na realidade de todos os dias?
Podemos compreender isto por algumas expressões do Evangelho de João, onde diz que o demónio é homicida desde o princípio. Ou seja, é destruidor e faz morrer, tanto em sentido próprio como espiritualmente. Por isso é chamado o grande tentador.
- Referimo-nos ao diabo quando no «Pai Nosso» dizemos «não nos deixes cair em tentação»?
Sim, pedimos a Deus resistir à tentação. É errado pensar que toda a tentação venha do demónio, mas as mais fortes e mais subtis, as mais espirituais, têm certamente a sua contribuição. E são tanto tentações individuais como colectivas. O demónio actua sobre a história humana. A sua influência é negativa. A morte, o pecado, a mentira são sinais da sua presença no mundo.
- Diz-se que nem todas as tentações vêm do demónio. De que outra coisa nos devemos guardar então?
A tradição cristã diz que as fontes de tentações são três. A mais terrível é a do demónio. Depois está o mundo, a sociedade. E finalmente está a «carne», isto é, nós mesmos. São João da Cruz diz que destas três tentações a mais perigosa é a última, ou seja, nós mesmos. Para cada um de nós o inimigo mais pérfido é cada um de si mesmo. Antes de atribuir as tentações ao demónio e ao mundo, pensemos em nós mesmos. Aqui encontramos também a importância da humildade e do discernimento. O Espírito Santo dá-nos o dom do discernimento e preserva-nos da soberba de confiar demasiado em nós mesmos.
- Qual é a atitude mais correcta que o cristão deve ter frente ao mistério do maligno?
Não se esquecer que a paixão e a morte de Jesus triunfaram para sempre sobre o demónio. Isto é uma certeza, diz São Paulo. A fé é a vitória sobre o pai do pecado e da mentira. Isto quer dizer que o demónio, sendo uma criatura, não tem um poder infinito. Apesar de todos os seus esforços o demónio nunca poderá impedir a edificação do Reino de Deus, que cresce, apesar de todas as perseguições. O cristão, graças à fidelidade na fé, vence o mal.
- Em conclusão...
Devemos levar o demónio muito a sério, mas não devemos pensar que seja omnipotente. Há gente que tem um medo irracional do demónio. A confiança cristã, que se alimenta de oração, humildade e penitência, deve ser, sobretudo, confiança no amor do Pai. E este amor é mais forte do que tudo. Devemos saber que a misericórdia de Deus é tão grande que pode vencer todo o obstáculo.
 
 
 

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