Ave Maria Imaculada... Rezai o Terço todos os dias... Mãe da Eucaristia, rogai por nós...Rainha da JAM, rogai por nós... Vinde, Espirito Santo... Jesus, Maria, eu amo-Vos, salvai almas!

O Demónio existe

O demónio em forma de crucificado

Como o demónio em forma de crucificado apareceu a Frei Rufino

 

Frei Rufino, um dos mais nobres homens de Assis e companheiro de São Francisco, homem de grande santidade, foi fortissimamente combatido e tentado na alma, pelo demónio, sobre a predestinação, o que o fazia andar melancólico e triste.

 

O demónio tinha-lhe posto no coração que estava condenado e não era dos predestinados à vida eterna, e que era inútil o que ele fazia na Ordem.

 

A tentação durou muitos dias, e ele por vergonha não a revelou a São Francisco, sem deixar de fazer as orações e a abstinência de costume; porque o inimigo começou-lhe a mandar tristeza sobre tristeza, além da batalha interior, combatendo-o ainda exteriormente com falsas aparições.

 

Uma vez apareceu-lhe em forma de crucifixo e disse-lhe: “Ó Frei Rufino, por que te afliges com penitências e orações se não és dos predestinados à vida eterna?

 

“E crê em mim, porque sei a quem escolhi e predestinei, e não creias no filho de Pedro Bernardone, se ele te disser o contrário, nada lhe perguntes sobre isto, porque nem ele nem ninguém mais o sabe, senão eu, que sou o filho de Deus. Portanto crê-me com certeza que és do número dos condenados; e o filho de Pedro Bernardone, teu pai, e ainda o pai dele são condenados e todo aquele que o seguir está condenado e enganado”.

 

Ditas estas palavras, Frei Rufino ficou como que metido em trevas pelo príncipe das trevas e já perdia toda a fé e o amor que tinha por São Francisco, cuidando de não lhe dizer nada.

 

Mas o que ao pai santo não disse Frei Rufino, revelou-o o Espírito Santo.

 

Então, São Francisco, vendo em espírito o tal perigo do dito frade, mandou-lhe Frei Masseo; ao qual Frei Rufino respondeu: “Que tenho eu que ver com Frei Francisco?”

 

E Frei Masseo, cheio de divina sabedoria, conhecendo o engano do demónio, disse: “Ó Frei Rufino, não sabes que Frei Francisco é como um anjo de Deus, que tem iluminado tantas almas no mundo e do qual recebemos a graça de Deus? Por isso quero que a todo custo vás ter com ele; porque vejo claramente que estás enganado pelo demónio”

 

Dito isto Frei Rufino levantou-se e foi a São Francisco; e vendo-o vir de longe São Francisco começou a gritar: “Ó Frei Rufino mauzinho, em quem acreditaste?”

 

E Frei Rufino aproximando-se, contou-lhe a tentação que tinha tido do demónio dentro e fora; mostrando-lhe claramente que aquele que lhe tinha aparecido foi o demónio e não Cristo, e que de maneira nenhuma ele devia consentir nas suas sugestões.

“Mas – disse São Francisco – quando o demónio te disser ainda: “Tu estás condenado”, responde-lhe: “Abre a boca que a quero encher de esterco; e este seja o sinal de que é o demónio e não Cristo: porque, desde que lhe dês tal resposta, imediatamente fugirá. E por isso já devias ter conhecido que ele era o demónio, porque te endureceu o coração a todo bem, o que é próprio do seu oficio; mas Cristo bendito nunca endurece o coração do homem fiel, antes o enternece, conforme disse pela boca do profeta: 'Eu vos tomarei o coração de pedra e vos darei um coração de carne"'.

 

Então Frei Rufino, vendo que S. Francisco lhe dizia assim por ordem todo o modo de sua tentação, compungido pelas suas palavras começou a chorar fortissimamente e a venerar São Francisco e humildemente reconheceu a culpa de lhe ter ocultado a tentação.

 

E assim ficou todo consolado e confortado pelas admonições do pai santo e todo mudado para melhor.

 

Finalmente disse-lhe São Francisco: “Vai, filho, e confessa-te e não deixes a ocupação da oração costumada e tem como certo que esta tentação é de grande utilidade e consolação, e em breve o experimentarás”.

 

Voltou Frei Rufino à sua cela na floresta; e estando com muitas lágrimas em oração, eis que vem o inimigo em figura de Cristo, segundo a aparência exterior, e disse-lhe: “Ó Frei Rufino, não te disse que não confiasses no filho de Pedro Bernardone e que não te fatigasses com lágrimas e orações, porque estás condenado? Que te vale afligir-te enquanto estás vivo, se depois que morreres serás condenado?”

 

Subitamente Frei Rufino respondeu ao demónio: “Abre a boca, que a quero encher de esterco”.

 

O demónio, enraivecido, imediatamente partiu com tanta tempestade e comoção de pedras do monte Subásio, existente perto dali, que durante muito tempo tempo durou o desabamento das pedras que caíam; e era tão grande o choque que davam umas nas outras a rolar, que lançavam faíscas horríveis de fogo no vale.

 

E pelo rumor terrível que faziam, São Francisco e os companheiros saíram do convento para ver que novidade era aquela; e ainda se vê ali aquela ruína grandíssima de pedras.

 

Então Frei Rufino manifestamente percebeu que tinha sido o demónio que o tinha enganado.

 

E voltando a São Francisco, de novo se lançou em terra e reconheceu a sua culpa. E São Francisco confortou-o com doces palavras e mandou-o consolado à sua cela. Estando ele ali em oração devotissimamente, Cristo apareceu-lhe e toda a sua alma inflamou de divino amor e disse: “Bem fizeste, filho, de crer em Frei Francisco, porque aquele que te tinha contristado era o demónio; mas eu sou Cristo teu mestre e, para te dar a certeza, dou-te este sinal: enquanto viveres, não sentirás mais tristeza nenhuma nem melancolia”.

 

E dizendo isto Cristo partiu, deixando-o com tanta alegria e doçura de espírito e elevação de mente, que passou aquele dia e a noite absorto e arroubado em Deus.

 

Daqui em diante foi tão confirmado em graça e segurança de salvação, que se mudou inteiramente noutro homem, e teria ficado dia e noite em oração a contemplar as coisas divinas, se os outros o tivessem deixado.

 

Pelo que dizia dele São Francisco, Frei Rufino tinha sido canonizado em vida por Jesus Cristo e que na presença ou na ausência dele não duvidava de lhe chamar São Rufino, embora fosse ainda vivo na terra.

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