Natal
Celebrar o Natal na Missa: o encontro real com o Verbo Encarnado
- 23-12-2025
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O verdadeiro sentido do Natal e o risco do consumismo
O Natal carrega, intrinsecamente, na sua identidade, um movimento de união e fraternidade, tornando as pessoas mais sensíveis a lembranças e memórias. É importante que as pessoas vivam este momento de fraternidade, que é também um tempo de perdão e onde muitas pessoas experimentam a reconciliação.
No entanto, esta época também apresenta um risco: o consumismo desenfreado. A busca por compras, prazeres e as muitas comemorações e eventos podem levar a uma busca desregrada pelo prazer. Quando isto acontece, corre-se o risco de esquecer o verdadeiro sentido e centro do Natal, que é o mistério de nosso Senhor Jesus Cristo, o seu nascimento e o reconhecimento da sua centralidade na vida da humanidade e de cada cristão. Esta perda de foco muitas vezes vem da falta de uma catequese apropriada ou da nossa falta de interesse em querer saber mais, em ter um maior conhecimento.
Fraternidade centrada em Cristo
É crucial viver a fraternidade e a união, mas de forma clara e mais centrada em Jesus Cristo. A Palavra de Deus, em Filipenses, capítulo 2, apresenta o famoso hino cristológico, que trata do que significa a “descida de Deus”.
A descida de Deus segundo Filipenses 2
São Paulo explica que Cristo, existindo em forma divina, não se apegou ao facto de ser igual a Deus, mas, num acto de despojamento, assumiu a forma de escravo e tornou-se semelhante ao ser humano. Encontrando-se em aspecto humano, Ele humilhou-se, fazendo-se obediente até mesmo à morte, e morte de cruz. Por essa razão, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, garantindo que em nome de Jesus todo o joelho se dobre, no céu, na terra e abaixo da terra, e que toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai.
A Centralidade da Salvação
Esta descida de Deus é a resposta ao desejo de Deus Pai, que sempre buscou salvar o ser humano das trevas do pecado, fazendo com que o seu filho Jesus se tornasse homem, sendo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, com o único intuito de nos salvar.
O grande mistério celebrado no Natal é, portanto, o mistério da salvação. É importante notar que o mistério da salvação não se manifesta somente na cruz, mas já na encarnação e no seu nascimento.
Nascimento e Eucaristia: a unidade do Mistério
Tanto no nascimento de Cristo, na manjedoura em Belém, como na Eucaristia, Cristo é o centro. O Cristo que nasce e o que se oferece na Eucaristia é o mesmo.
Existe uma conexão interessante na maneira como Cristo é celebrado em ambos os mistérios: no nascimento de Cristo, pastores, reis magos e todos os povos reuniram-se ao redor do menino que nasce. Da mesma forma, no banquete eucarístico, todos os povos e nações estão ao redor do altar.
A pobreza e a humildade do Cristo
Um elemento fundamental que une o nascimento de Cristo e a Eucaristia é a pobreza e a humildade. O mesmo menino pobre presente no nascimento é representado na Eucaristia nas espécies simples do pão e do vinho, unindo o povo ao redor para comungar. A descida de Deus, tem a humildade como seu elemento fundamental. Esta humildade faz-se presente na manjedoura, atraindo a todos. Na Eucaristia, o mesmo Cristo, humilde e pobre, entrega-se a nós como alimento. A vida de Cristo foi uma entrega total, livre e humilde, desde o seu nascimento.
A mensagem final: a solenidade da pobreza e da humildade
O Natal é a solenidade da pobreza e da humildade. Para que haja entrega, é preciso humildade, uma qualidade extremamente presente na pessoa de Cristo. Não é possível viver a unidade e a fraternidade, e não é possível ter Cristo como centro, sem que tenhamos um coração humilde.
