Ave Maria Imaculada... Rezai o Terço todos os dias... Mãe da Eucaristia, rogai por nós...Rainha da JAM, rogai por nós... Vinde, Espirito Santo... Jesus, Maria, eu amo-Vos, salvai almas!

Jornadas Mundiais da Juventude

XXIII Jornada Mundial da Juventude

Imagem ActivaXXIII JORNADA
MUNDIAL
DA JUVENTUDE 2008

A decorrer em Sidney (Austrália) de 15 a 20 de Julho, com a presença de Sua Santidade o Papa Bento XVI.

O tema para este ano, escolhido pelo Papa, é o seguinte:
“Ireis receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas” (Act 1,8).
No dizer do Papa, esta “será uma extraordinária oportunidade de anunciar a beleza e a alegria do Evangelho numa sociedade secularizada”.

"O principal objectivo destas Jornadas é fazer a pessoa de Jesus o centro da fé e da vida de cada jovem para que Ele possa ser seu ponto de referência constante e também a inspiração para cada iniciativa e compromisso para a educação das novas gerações".

- A cruz da Jornada foi entregue pelo Papa João Paulo II aos jovens em 1984 pela primeira vez, para ser um sinal do amor de Cristo pela humanidade, sendo transportada por fiéis desde a primeira JMJ em 1985.

Em 2003, o saudoso Pontífice também presenteou os jovens com o ícone de Maria para que acompanhasse a cruz. Os símbolos já foram levados por vários jovens de todo mundo e visitaram locais muito significativos. Em todos os locais por onde estes objectos sagrados têm passado levam a mensagem de Cristo, de amor, de paz, esperança e reconciliação.

 

Imagem ActivaA Oração da Jornada
Mundial
da Juventude 2008

Deus Nosso Pai,
Nós te consagramos a Jornada Mundial da Juventude de 2008 em Sidney.
Guia e protege o Papa Bento XVI e todos os líderes da Igreja.
Inspira e dirige todos os que conduzem e planeiam a Jornada Mundial da Juventude.
Une-os e protege-os com o teu cuidado paternal.
Amém

Senhor Jesus Cristo, antes de ascender ao Pai,
Prometeste enviar o teu Santo Espírito para que nós pudéssemos ser as tuas testemunhas até aos confins do mundo.
Abençoa e multiplica os esforços de toda a esta equipa e dos voluntários.
Ajuda-nos a assumir a nossa cruz e a seguir-Te sob o sinal celestial do Cruzeiro do Sul.
Amém

Espírito Santo,
derrama a tua graça sobre este Grande Território do Sul e nos concede um novo Pentecostes.
Faz desta terra um verdadeiro local de acolhimento dos jovens de todo o mundo.
Concede a estes jovens conversão de vida, profundidade de fé e amor por todos.
Capacita-os a construir uma Nova Civilização de vida, amor e verdade.
Faz com que eles sejam verdadeiras testemunhas do teu poder e da tua graça.
Amém

Nossa Senhora do Cruzeiro do Sul, Auxílio dos Cristãos – rogai por nós Bem Aventurada Mary MacKillop – rogai por nós!

 

Imagem ActivaHino da Jornada

Mundial

da Juventude 2008

em português

O músico católico Márcio Cruz (Brasileiro) foi o escolhido para gravar a versão em português do Hino oficial da Jornada Mundial da Juventude de 2008.

Ele partilha como tudo aconteceu:

"A primeira inspiração foi colocar a música-tema da JMJ no meu novo disco, cujo título será 'Uma Nova História'.
Quando escutei o hino pela primeira vez senti que precisava cantá-lo em nossa língua. Então, entramos em contacto com o Comité da Jornada Mundial da Juventude e em seguida com Guy Sebastian, que é o compositor da canção. E aí tudo começou!
Logo em seguida, o comité mandou um formulário de inscrição para eu cantá-lo, pois eles haviam me escolhido (entre 600 artistas do mundo) para me apresentar na Jornada. Foi uma surpresa ser escolhido para representar o nosso povo e também cantar no Sidney Operan House, que é um dos maiores símbolos da Austrália. Pensei: 'Por que eu?' Até agora não sei explicar! Só sei que Deus não nos escolhe por mérito, mas por misericórdia.

A minha expectativa em relação à Jornada Mundial da Juventude começa pelo simples facto de saber que não estamos sozinhos. Somos muitos e somos o rosto jovem da Igreja! Que não é o futuro, mas o presente da Igreja!

Acredito que a Jornada é um evento singular, no qual os jovens expressam uma única fé, que se une e revela o seu ápice na chegada do Papa.
Na Alemanha pude ver jovens de todas as nações a gritar cada um na sua língua "Bento, nós te amamos!".

Mostramos ao mundo que o Apóstolo Pedro permanece e permanecerá levando-nos a Cristo Rei.

O valor da Jornada não tem preço, é uma experiência de piedade que resgata a fé adormecida em nós!

Márcio Cruz

 Carregue aqui para fazer download da música.

 

História inédita da Jornada Mundial da Juventude

Quando em 1983 pensou-se em convocar uma Jornada Mundial da Juventude, no Vaticano isso parecia uma ideia descabida, impossível de se realizar. Hoje, como demonstra Sydney, o evento converteu-se em um dos acontecimentos evangelizadores mais importantes para a Igreja. O cardeal Paul Josef Cordes, hoje presidente do Conselho Pontifício «Cor Unum», naquele momento vice-presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, narrou a história inédita da Jornada Mundial da Juventude.* * *

A ideia de criar a Jornada Mundial da Juventude nasceu no Ano Santo extraordinário 1983/84. A cidade eterna foi invadida por associações, sociedades, irmandades e grupos de todos os tipos. Um dos voluntários do Centro Internacional Juvenil San Lorenzo (criado por João Paulo II há 25 anos), pe. Massimo Camisasca, de «Comunhão e Libertação», perguntou: «Por que, neste Ano Santo, não fazemos também um encontro internacional da juventude?». Respondi: «A ideia é interessante; mas quem poderá organizar este evento?». Parecia-me evidente que um assunto semelhante excedia completamente as possibilidades do Conselho Pontifício para os Leigos. E que teria podido consegui-lo apenas com a condição de que se empenhassem na idéia todas as novas iniciativas espirituais que colaboravam no Centro. Nós os reunimos e fomos capazes de arrancar-lhes sua disponibilidade, contra o parecer de alguns dentre os dirigentes mais velhos, que, devido a suas péssimas experiências em uma reunião análoga celebrada no Ano Santo de 1975, suscitaram muitas reservas. Mas - graças a Deus - os cépticos não conseguiram apagar a serenidade e o necessário impulso juvenil dos demais.Quanto mais se aproximava a primeira Jornada da Juventude, tanto mais forte se manifestavam as resistências externas. De algumas dioceses que havíamos convidado, chegavam comentários críticos, como: «Não é competência do Vaticano ocupar-se de nossos jovens». O prefeito (comunista) de Roma cancelou de última hora autorizações já concedidas, de maneira que não foi possível preparar o previsto acampamento no parque Pineta Sacchetti de Roma nem instalar ali os alojamentos designados. Aos ecologistas se associaram jornalistas para dar o alarme sobre a imediata devastação de jardins e áreas públicas da cidade. Apareceram artigos de jornal com títulos do tipo «Chegam os Hunos». E, contudo, apesar de nossa total inexperiência quanto a megareuniões desse tipo, e apesar dos obstáculos, o grande encontro foi um êxito triunfal. Algo assim como trezentos mil jovens acolheram o convite do Papa e no Domingo de Ramos participaram da eucaristia na Praça de São Pedro. A massa de estrangeiros era muito superior à esperada, e contudo se desenvolveu de modo tão ordenado e exemplar que assombrou o mundo inteiro. O nonagenário cardeal decano Carlo Confalonieri, que havia acompanhado algumas fases da festa juvenil do terraço da basílica vaticana, observou: «Nem sequer os romanos mais velhos podem recordar algo semelhante».No Conselho para os Leigos desgastamos até a última de nossas forças físicas. Durante meio ano não tivemos em mente outra coisa que não fosse a Jornada da Juventude. Havíamos deixado todo o resto de lado. Acreditamos nela e quisemos organizá-la com todas as nossas forças; de fato, havíamos pagado a nossa dívida com a juventude mundial. Evidentemente, o Papa João Paulo II pensava de outro modo. Pouco antes das férias veraneias, ele disse-nos: «O ano próximo foi proclamado pela ONU o Ano da Juventude. Não seria o caso de convidar novamente a Roma a juventude do mundo?».Ao ouvir a proposta, é compreensível que nosso entusiasmo fosse muito contido. Restava muito pouco tempo para os preparativos, já que a pausa das férias com os dois meses de interrupção estava às portas, e a data a fixar seria de novo o Domingo de Ramos. Sem dizer que não podíamos mais uma vez, durante meio ano, pretender o empenho de grupos do Centro Juvenil para uma nova JMJ. Por outro lado, devíamos dizer sim ao Papa, sobretudo porque é o Papa, e logo porque havíamos visto em primeira pessoa que a primeira Jornada da Juventude tinha marcado um grande impulso de fé para muitíssimos jovens. Nossa boa disposição à obediência encontrou logo um eco inesperado, que nos tirou muitas preocupações: Chiara Lubich, a fundadora dos Focolares, pôs à nossa disposição todas as forças de seu movimento, de modo que pudemos nos apoiar em uma organização já montada.Pela segunda vez, a participação dos jovens foi oceânica: na liturgia de encerramento diante da basílica de Latrão se contaram cerca de duzentas e cinquenta mil pessoas. No Conselho para os Leigos tínhamos querido encerrar por um pouco o capítulo «juventude», mas incumbiam-nos de muitas outras obrigações. Na Segunda-Feira Santa, ao limite da extenuação, escapei para a Alemanha para poder finalmente dormir e recuperar-me um pouco do cansaço. No Domingo de Páscoa acompanhei a transmissão televisiva da liturgia na Praça de São Pedro. A homilia do então jovem Papa me entusiasmou. Mas uma passagem me irritou: com muitíssima energia o Papa disse esta frase: «Encontrei-me no domingo passado com centenas de milhares de jovens e tenho impressa na alma a imagem festiva de seu entusiasmo. Desejando que esta maravilhosa experiência possa repetir-se nos anos futuros, dando origem à Jornada Mundial da Juventude no Domingo de Ramos...».

O Santo Padre havia tomado gosto e havia instaurado uma prática nova na Igreja Católica.Assim começou a celebração da Jornada da Juventude, que tocou diferentes países do planeta, alternando reuniões internacionais com as realizadas nas igrejas locais. Inaugurou-a Buenos Aires, na Argentina. Seguiram Espanha, Estados Unidos, Europa e Ásia. De especial destaque foram o encontro de Paris e o de Roma, este durante o Ano Santo de 2000. O cume numérico foi nas Filipinas, onde se reuniram cerca de quatro milhões de pessoas na festa. Os meios de comunicação estiveram de acordo em comentar que a família dos povos não havia assistido nunca a um evento no qual houvesse participado - voluntariamente com grandíssima alegria - uma multidão tão grande de pessoas. 

 

COMEÇOU NO DIA 15 DE JULHO o maior encontro juvenil do mundo católico em Sidney

Milhares de jovens estiveram reunidos na cidade australiana de Sidney para a Missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude 2008, o maior encontro do género no mundo católico. A cerimónia, presidida pelo Cardeal George Pell, Arcebispo local, foi marcada pela atenção dada às comunidades aborígenes, com danças tradicionais em diversos momentos da celebração.Após uma procissão com as bandeiras de todos os países presentes na JMJ, os principais símbolos da iniciativa – a cruz das Jornadas e o ícone de Maria – chegaram a Barangaroo após uma peregrinação de 12 meses na Austrália. Jovens aborígenes cantaram uma música tradicional de boas-vindas. Ecrãs gigantes ao longo da Cidade permitiram aos habitantes de Sidney acompanhar a celebração, onde foi sempre visível a internacionalidade deste acontecimento, com leituras em diversas línguas, incluindo o português.

A cerimónia, presidida pelo Cardeal George Pell, Arcebispo local, foi marcada pela atenção dada às comunidades aborígenes, com danças tradicionais em diversos momentos da celebração.Após uma procissão com as bandeiras de todos os países presentes na JMJ, os principais símbolos da iniciativa – a cruz das Jornadas e o ícone de Maria – chegaram a Barangaroo após uma peregrinação de 12 meses na Austrália. Jovens aborígenes cantaram uma música tradicional de boas-vindas. Ecrãs gigantes ao longo da Cidade permitiram aos habitantes de Sidney acompanhar a celebração, onde foi sempre visível a internacionalidade deste acontecimento, com leituras em diversas línguas, incluindo o português.

26 Cardeais, 400 Bispos e cerca de 4 mil padres deram vida, juntamente com mais de 100 mil jovens, a uma das maiores celebrações da história da Austrália. A organização do evento espera que, no final desta semana, aquando das celebrações presididas pelo Papa, estejam no país peregrinos de quase 200 nações de todo o mundo. Na sua homilia, o Cardeal Pell partiu da imagem evangélica do “Bom pastor” e da “ovelha perdida”, frisando que a mensagem de Cristo se dirige a todos, “em especial aos que não têm religião”. O Arcebispo de Sidney convidou os presentes a estarem “sempre abertos” ao Espírito Santo, na linha do que tem sido a preparação para a JMJ 2008, sempre dedicada à reflexão sobre a terceira pessoa da Trindade.

D. George Pell pediu aos jovens para não se deixarem dominar pelo conformismo: “Não passeis a vida sem tomar posição, pensando que é melhor não escolher, porque é dando atenção aos compromissos assumidos, que podereis viver em plenitude”.

Num ambiente de grande festa, música e cor, a celebração misturou o Gregoriano com cânticos e danças tradicionais aborígenes – após a Comunhão, um grupo de peregrinos Maori cantou uma apresentação de acção de graças, em nome dos povos nativos da Nova Zelândia. Na apresentação das ofertas, os jovens representavam os cinco Continentes.Os peregrinos rezaram pela “unidade da Igreja”, pelas “nações atingidas pela praga da guerra e do medo”, pelos que vivem “na pobreza material ou espiritual” e pelos que perderam a vida por causa da sua fé em Jesus.

HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI PDFImprimire-mail

CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA FINAL DA XXIII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

Domingo, 20 de Julho de 2008

Queridos amigos,
«Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós» (Act 1, 8). Vimos hoje cumprida esta promessa. No dia de Pentecostes, como ouvimos na primeira leitura, o Senhor ressuscitado, sentado à direita do Pai, enviou o Espírito sobre os discípulos reunidos no Cenáculo. Com a força deste Espírito, Pedro e os Apóstolos foram pregar o Evangelho até aos confins da terra. Em cada idade e nas mais diversas línguas, a Igreja continua a proclamar pelo mundo inteiro as maravilhas de Deus, convidando todas as nações e povos a abraçar a fé, a esperança e a nova vida em Cristo.
Nestes dias, vim também eu como Sucessor de Pedro a esta maravilhosa terra da Austrália. Vim para confirmar-vos, meus jovens irmãos e irmãs, na vossa fé e abrir os vossos corações ao poder do Espírito de Cristo e à riqueza dos seus dons. Rezo para que esta grande assembleia, que congrega jovens «de todas as nações que há debaixo do céu» (Act 2, 5), se torne um novo Cenáculo. Que o fogo do amor de Deus desça sobre os vossos corações e os encha, a fim de vos unir cada vez mais ao Senhor e à sua Igreja e enviar-vos, como nova geração de apóstolos, para levar o mundo a Cristo.
«Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós». Estas palavras do Senhor ressuscitado revestem-se de um significado particular para os jovens que vão ser confirmados, marcados com o dom do Espírito Santo, durante esta Santa Missa. Mas, tais palavras são dirigidas também a cada um de nós, isto é, a todos aqueles que receberam o dom do Espírito de reconciliação e da nova vida no Baptismo, que O acolheram nos seus corações como sua força e guia na Confirmação e que crescem diariamente nos seus dons de graça por meio da Sagrada Eucaristia. De facto, em cada Missa o Espírito Santo, invocado na oração solene da Igreja, desce novamente não só para transformar os nossos dons do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Senhor, mas também para transformar as nossas vidas fazendo de nós, com a sua força, «um só corpo e um só espírito em Cristo».
Mas, o que é este «poder» do Espírito Santo? É o poder da vida de Deus. É o poder do mesmo Espírito que pairou sobre as águas na alvorada da criação e que, na plenitude dos tempos, levantou Jesus da morte. É o poder que nos conduz, a nós e ao nosso mundo, para a vinda do Reino de Deus. No Evangelho de hoje, Jesus anuncia que começou uma nova era, na qual o Espírito Santo será derramado sobre a humanidade inteira (cf. Lc 4, 21). Ele próprio, concebido por obra do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, veio habitar entre nós para nos trazer este Espírito. Como fonte da nossa vida nova em Cristo, o Espírito Santo é também, de modo profundamente verdadeiro, a alma da Igreja, o amor que nos une ao Senhor e entre nós e a luz que abre os nossos olhos para verem as maravilhas da graça de Deus ao nosso redor.
Aqui na Austrália, nesta grande «Terra Austral do Espírito Santo», tivemos todos uma inesquecível experiência da presença e da força do Espírito na beleza da natureza. Os nossos olhos abriram-se para contemplar o mundo circundante tal como verdadeiramente é: «repleto – como disse o poeta – da grandeza de Deus», cheio da glória do seu amor criador. Também aqui, nesta grande assembleia de jovens cristãos vindos de todo o mundo, tivemos uma experiência concreta da presença e da força do Espírito na vida da Igreja. Vimos a Igreja na profunda verdade do seu ser: Corpo de Cristo, comunidade viva de amor, que engloba pessoas de toda a raça, nação e língua, de todos os tempos e lugares, na unidade que brota da nossa fé no Senhor ressuscitado.
A força do Espírito não cessa jamais de encher de vida a Igreja. Através da graça dos sacramentos dela, esta força flui também no nosso íntimo como um rio subterrâneo que alimenta o espírito e nos atrai e aproxima cada vez mais da fonte da nossa verdadeira vida, que é Cristo. Santo Inácio de Antioquia, que foi martirizado no início do século II, deixou-nos uma esplêndida descrição desta força do Espírito que habita dentro de nós. Falou do Espírito como de uma nascente de água viva que brotava no seu coração e lhe sussurrava: «Vem, vem para o Pai!» (cf. Aos Romanos 6, 1-9).
No entanto esta força, a graça do Espírito, não é algo que possamos merecer ou conquistar; podemos apenas recebê-la como puro dom. O amor de Deus pode propagar a sua força, somente quando lhe permitimos que nos mude a partir de dentro. Temos de O deixar penetrar na crosta dura da nossa indiferença, do nosso cansaço espiritual, do nosso cego conformismo com o espírito deste nosso tempo. Só então nos será possível consentir-Lhe que acenda a nossa imaginação e plasme os nossos desejos mais profundos. Eis o motivo por que é tão importante a oração: a oração diária, a oração privada no recolhimento dos nossos corações e diante do Santíssimo Sacramento e a oração litúrgica no coração da Igreja. A oração é pura receptividade à graça de Deus, amor em acto, comunhão com o Espírito que habita em nós e nos conduz através de Jesus, na Igreja, ao nosso Pai celeste. Na força do seu Espírito, Jesus está sempre presente nos nossos corações, esperando serenamente que nos acomodemos em silêncio junto d’Ele para ouvir a sua voz, permanecer no seu amor e receber a «força que vem do Alto», uma força que nos habilita a ser sal e luz para o nosso mundo.
Na sua Ascensão, o Senhor ressuscitado disse aos seus discípulos: «Sereis minhas testemunhas (…) até aos confins do mundo» (Act 1, 8). Aqui, na Austrália, damos graças ao Senhor pelo dom da fé que chegou até nós como um tesouro transmitido de geração em geração na comunhão da Igreja. Aqui, na Oceânia, damos graças de modo especial por todos os heróicos missionários, sacerdotes e religiosos diligentes, pais e avós cristãos, professores e catequistas que edificaram a Igreja nestas terras. Testemunhas como a Beata Mary MacKillop, São Peter Chanel, o Beato Peter To Rot e muitos outros. A força do Espírito, que se revelou nas suas vidas, está ainda em acção nas beneméritas iniciativas que deixaram, na sociedade que plasmaram e que agora é entregue a vós.
Amados jovens, permiti que vos ponha agora uma questão. E vós o que é que deixareis à próxima geração? Estais a construir as vossas vidas sobre alicerces firmes, estais a construir algo que há-de durar? Estais a viver a vossa existência de modo a dar espaço ao Espírito no meio dum mundo que quer esquecer Deus ou mesmo rejeitá-Lo em nome de uma falsa noção de liberdade? Como estais a usar os dons que vos foram dados, a «força» que o Espírito Santo está pronto, mesmo agora, a derramar sobre vós? Que herança deixareis aos jovens que virão? Qual será a diferença impressa por vós?
A força do Espírito Santo não se limita a iluminar-nos e a consolar-nos; orienta-nos também para o futuro, para a vinda do Reino de Deus. Que magnífica visão duma humanidade redimida e renovada entrevemos na nova era prometida pelo Evangelho de hoje! São Lucas diz-nos que Jesus Cristo é o cumprimento de todas as promessas de Deus, o Messias que possui em plenitude o Espírito Santo para comunicá-Lo à humanidade inteira. A efusão do Espírito de Cristo sobre a humanidade é um penhor de esperança e de libertação contra tudo aquilo que nos depaupera. Tal efusão dá nova vista ao cego, manda livres os oprimidos, e cria unidade na e com a diversidade (cf. Lc 4, 18-19; Is 61, 1-2). Esta força pode criar um mundo novo, pode «renovar a face da terra» (cf. Sal 104, 30).
Uma nova geração de cristãos, revigorada pelo Espírito e inspirando-se a uma rica visão de fé, é chamada a contribuir para a edificação dum mundo onde a vida seja acolhida, respeitada e cuidada amorosamente, e não rejeitada nem temida como uma ameaça e, consequentemente, destruída. Uma nova era em que o amor não seja ambicioso nem egoísta, mas puro, fiel e sinceramente livre, aberto aos outros, respeitador da sua dignidade, um amor que promova o bem de todos e irradie alegria e beleza. Uma nova era na qual a esperança nos liberte da superficialidade, apatia e egoísmo que mortificam as nossas almas e envenenam as relações humanas. Prezados jovens amigos, o Senhor está a pedir-vos que sejais profetas desta nova era, mensageiros do seu amor, capazes de atrair as pessoas para o Pai e construir um futuro de esperança para toda a humanidade.
O mundo tem necessidade desta renovação. Em muitas das nossas sociedades, ao lado da prosperidade material vai crescendo o deserto espiritual: um vazio interior, um medo indefinível, uma oculta sensação de desespero. Quantos dos nossos contemporâneos escavaram para si mesmos cisternas rotas e vazias (cf. Jer 2, 13) à procura desesperada de sentido, daquele sentido último que só o amor pode dar!? Este é o dom grande e libertador que o Evangelho traz consigo: revela a nossa dignidade de mulheres e homens criados à imagem e semelhança de Deus; revela a sublime vocação da humanidade, que é a de encontrar a própria plenitude no amor; desvenda a verdade sobre o homem, a verdade sobre a vida.
Também a Igreja tem necessidade desta renovação. Precisa da vossa fé, do vosso idealismo e da vossa generosidade, para poder ser sempre jovem no Espírito (cf. Lumen Gentium, 4). Na segunda leitura de hoje, o apóstolo Paulo recorda-nos que todo o indivíduo cristão recebeu um dom, que deve ser usado para edificar o Corpo de Cristo. A Igreja tem uma especial necessidade do dom dos jovens, de todos os jovens. Ela precisa de crescer na força do Espírito, que agora mesmo vos enche de alegria a vós, jovens, e vos inspira a servir o Senhor com entusiasmo. Abri o vosso coração a esta força. Dirijo este apelo de forma especial àqueles que o Senhor chama à vida sacerdotal e consagrada. Não tenhais medo de dizer o vosso «sim» a Jesus, de encontrar a vossa alegria na realização da sua vontade, entregando-vos completamente para chegardes à santidade e pondo os vossos talentos a render para o serviço dos outros.
Daqui a pouco celebraremos o sacramento da Confirmação. O Espírito Santo descerá sobre os candidatos; estes serão «marcados» com o dom do Espírito e enviados para ser testemunhas de Cristo. Que significa receber o «selo» do Espírito Santo? Significa ficar indelevelmente marcados, inalteravelmente mudados, significa ser novas criaturas. Para aqueles que receberam este dom, nada mais pode ser como antes. Ser «baptizados» no Espírito significa ser incendiados pelo amor de Deus. «Beber» do Espírito (cf. 1 Cor 12, 13) significa ser refrescado pela beleza do plano de Deus sobre nós e o mundo, e tornar-se por sua vez uma fonte de refrigério para os outros. Ser «selados com o Espírito» significa além disso não ter medo de defender Cristo, deixando que a verdade do Evangelho permeie a nossa maneira de ver, pensar e agir, enquanto trabalhamos para o triunfo da civilização do amor.
Ao elevar a nossa oração pelos confirmandos, pedimos também que a força do Espírito Santo reavive a graça da Confirmação em cada um de nós. Oxalá o Espírito derrame os seus dons em abundância sobre todos os presentes, sobre a cidade de Sidney, sobre esta terra da Austrália e sobre todo o seu povo. Que cada um de nós seja renovado no espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de piedade, espírito de santo temor de Deus.
Pela amorosa intercessão de Maria, Mãe da Igreja, que esta 23.ª Jornada Mundial da Juventude seja vivida como um novo Cenáculo, para que todos nós, inflamados no fogo do amor do Espírito Santo, possamos continuar a proclamar o Senhor ressuscitado atraindo para Ele todos os corações. Ámen.

 

 

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