Ave Maria Imaculada... Rezai o Terço todos os dias... Mãe da Eucaristia, rogai por nós... Rainha da JAM, rogai por nós... Vinde, Espirito Santo... Jesus, Maria, eu amo-Vos, salvai almas!

Espiritualidade

“Tudo o que pedirdes ao Pai celeste, Ele vo-lo dará”. É verdade, mas…

 Quantas vezes depois da oração ficamos decepcionados porque nada aconteceu do que pedimos ao Senhor! E se não foi Deus que não nos escutou, mas nós é que não compreendemos o real significado da oração de súplica?

A oração de súplica levanta muitas questões e às vezes ela é mal compreendida. É engraçado ver a avó que reza para o neto passar de ano mesmo quando ele passou o ano inteiro sem fazer os seus deveres de casa.

É desconcertante ver alguém a rezar para ganhar a lotaria.

Estes exemplos mostram que por vezes nós agimos como se estivéssemos num mundo mágico, coisa que nada tem a ver com o Evangelho. Precisamos de nos lembrar que Deus não é uma caixa automática. Não é o seu papel compensar-nos pela nossa preguiça ou pela nossa falta de esforço. Ele não virá em socorro dos nossos caprichos ou paixões. Isto seria como que uma inversão pagã do Pai Nosso: “Que seja feita a nossa vontade, que venha o nosso Reino, que sejamos nós o próprio Deus”. Às vezes, os nossos pedidos podem até ser ambíguos. Devemos parar de os fazer então? Claro que não!

 “O vosso Pai que está nos céus conhece todas as vossas necessidades”

A Bíblia é cheia de pedidos e súplicas. É a exortação de São Paulo: “Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, acções de graças por todos os homens” (1 Tim 2,1). O próprio Jesus teve as suas intenções de oração: para que a fé de Simão Pedro não diminuísse, para que Lázaro ressuscitasse, para que os discípulos se mantivessem em unidade e protegidos do mal. Pelas parábolas e palavras de encorajamento, Cristo ensina que é preciso rezar sem se cansar. “Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará.” (Jo 16, 23). Se os pais da terra são capazes de dar coisas boas aos seus filhos, por uma razão ainda maior o Pai do céu dará coisas boas àqueles que rogam pela sua ajuda, e dará ainda a mais preciosa de todas, o Espírito Santo. Mas o Espírito não exclui o resto.

Será que Deus se importa com os detalhes da nossa vida e com os nossos problemas? Sim, podes responder sim sem hesitar! Porque Ele é um Pai, não um personagem abstracto. Será que ele age a nível tão prático assim? Sim, podemos afirmar. Mas como é que ele age? Raramente através dos milagres, que quer dizer uma intervenção directa, embora também possa acontecer! Geralmente a sua força manifesta-se no nosso interior, através da força e docilidade do seu Espírito Santo, a causa segunda, em particular agindo junto à nossa liberdade. Mas frequentemente também permitindo felizes encontros e coincidências surpreendentes que os pagãos atribuem à sorte ou ao acaso, mas onde nós reconhecemos a Providência divina. Mas poderíamos perguntar, por quê pedir?

Será que a oração seria apenas uma informação, para actualizar Deus sobre as nossas necessidades? Não, “porque o vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós o peçais.” (Mt 6,8). A oração seria então uma espécie de pressão exercida sobre Deus, para arrebatar uma graça dele? Também não!

Na oração de súplica, não é Deus que muda, somos nós. É por isso que precisamos de perseverar. Não é Deus que é surdo, é a nossa oração que não é ainda suficientemente profunda, pura, forte, humilde. A súplica ou pedido abre o nosso coração, abre verdadeiramente em nós e no mundo uma passagem para a graça. Deus poderia fazer tudo sozinho, mas ele prefere contar com a nossa ajuda. Ele quer agir através de nós e particularmente através da nossa oração.


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