Espiritualidade
Cinco atitudes do dia a dia que nos aproximam de Deus
- 08-07-2026
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A importância de entender o papel de Deus na nossa vida
Numa rotina repleta de compromissos e intensamente online, viver em sintonia com Deus é algo desafiador, mas, possível. Para compreendermos, de forma prática, como fazer, é preciso, antes de tudo, entender que papel Deus ocupa na nossa vida. Se Ele é o Senhor da nossa história, se dependemos Dele em tudo, isso significa que a harmonia com Deus deve ser uma prioridade. Mas, se o nosso coração está preocupado, primeiramente, com outras coisas, o Senhor ficará em último plano e, assim, a intimidade com Ele será meta difícil de ser alcançada.
Jesus ensinou aos seus discípulos: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). A unidade com o Senhor preenche a nossa sede de eternidade e amadurece-nos em todos os âmbitos da vida. A partir deste princípio dado pelo próprio Cristo, podemos pensar em cinco atitudes que parecem essenciais para nos aproximarmos de Deus no dia a dia.
1 - Pensar no Senhor durante todo o dia.
“Do nascer ao pôr do sol seja louvado o nome do Senhor” (Sl 112,3). Isto significa viver em estado de oração, ou seja, iniciar o dia rezando, trabalhar, decidir e relacionar-se com as pessoas pensando em Deus, além, claro, de tirar um horário do seu dia exclusivamente para rezar. Santa Teresa d’Ávila, doutora da Igreja, ensina que, sem a oração, não se vai adiante. Rezar é estabelecer o nosso momento de encontro com Deus, conhecê-Lo, saber os seus planos a nosso respeito e, ao mesmo tempo, conhecermo-nos, compreender os nossos limites e fraquezas. A oração ordena o nosso interior e faz-nos entender a grandeza do amor do Senhor por nós. Sendo assim, devemos escolher um horário do dia para estar a sós com Deus. Pô-lo na agenda e cumpri-lo como o compromisso mais importante do nosso dia. É preciso que a nossa alma esteja repleta da presença do Senhor.
2 - Reduzir o excesso de informação.
Evite o uso constante do telemóvel. Não precisamos de saber todas as informações continuamente, nem de estar constantemente a analisar cada notícia que recebemos. Usar o telemóvel apenas nos momentos mesmo necessários. Estabeleça horários para verificar as suas redes sociais. Quem quer estar próximo de Deus precisa de ser amigo do silêncio. A voz do Senhor só pode ser ouvida quando as outras se calam. Por isso, mantenha a paz interior, mesmo que não esteja num momento exclusivo de oração. Ouça os seus pensamentos e sentimentos e ponha-os em ordem.
3 - Ter uma vida de ascese equilibrada.
Os excessos de consumo e prazeres também acabam por substituir Deus na nossa vida, a ponto de nos apegarmos a eles como ídolos. Portanto, uma ascese equilibrada — vivendo a máxima de “estar no mundo e não ser do mundo” (cf. Jo 17,14-16) — ajuda-nos a colocar as coisas nos seus devidos lugares, exercitando a virtude do autodomínio e aceitando também as privações. Santa Teresa d’Ávila, Santa Teresinha e muitos outros santos ensinam a importância de aceitar as privações do dia a dia para deixar cair o nosso orgulho e crescermos mais na humildade. Para isso, procure os sacramentos, como a confissão e a Eucaristia, para obter perdão e força para viver em sintonia com o que Ele tem para si. O pecado é errar o alvo, e isso tira-nos da presença de Deus e da sua graça. Procurar a santidade, ao contrário, torna-nos mais parecidos com o Senhor e mais íntimos Dele.
4 - Viver uma caridade concreta.
“Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito” (1Jo 4,12). O amor os irmãos mantém a presença de Deus na nossa vida, porque, quando estamos reunidos em seu nome, Ele está (cf. Mt 18,20). Uma vida espiritual verdadeira expressa-se na caridade para com os outros, por meio do serviço, da generosidade material ou da atenção às pessoas. Certamente, todos os dias há alguém diante de nós a quem poderemos amar de maneira concreta.
5 - Unidade entre a fé e a vida.
Precisamos de viver o que cremos em todas as realidades em que estamos inseridos: trabalho, estudos, associações ou tantas outras. Não podemos ter uma fé que termina quando saímos da Igreja. Assim, além de não alcançarmos maturidade verdadeira, tornamo-nos um mau testemunho, que pode ser motivo de queda para os outros. O simples facto de procurarmos uma coerência de vida e procurarmos viver a nossa fé em tudo o que fazemos já nos coloca unidos a Ele. O Senhor vê que estamos a lutar, ainda que não estejamos totalmente prontos. E, se cairmos, Ele ajuda-nos a levantar, pois a vida cristã é um crescimento contínuo. Cabe-nos recomeçar sempre após as quedas, não desanimar com as dificuldades espirituais e ter disciplina simples e constante.
Estas cinco atitudes precisam de ser vividas, obviamente, com a virtude da humildade, sem a qual não herdaremos o Reino dos Céus (cf. Mt 5,3). Sem humildade, todo o resto se corrompe, porque somente com esta virtude poderemos aceitar correcções, reconhecer limites e abrir espaço para Deus agir.
