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Beato João Paulo II

A beatificação de João Paulo II

A BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO II
 
Excerto da entrevista ao Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, publicada no semanário Voz da Verdade, de 23 - 1- 2011.
 
 O Papa Bento XVI aprovou o milagre que permite a beatificação do Papa João Paulo II, marcada para o próximo dia 1 de Maio. Qual o significado desta beatificação?
 
É uma alegria para todos nós. Lembro-me que, nas reuniões prévias ao Conclave que nomeou o Santo Padre actual, estávamos ainda a celebrar o funeral de João Paulo II e surgiu um slogan em Roma, naquela multidão imensa, que dizia “Santo súbito”, ou seja, declarem-no rapidamente Santo. Isto chegou a ter impacto dentro do Colégio Cardinalício, onde passou uma declaração a recolher as nossas assinaturas, alinhando com este desejo da população para que se declarasse imediatamente a santidade de João Paulo II. No entanto, não era assim tão simples… havia um pormenor que era decisivo: é que a dispensa dos trâmites normais só o Papa o pode dar e naquela altura não havia Papa. Portanto, essa declaração ficou reduzida a um desejo de que não se atrasasse o processo. O Santo Padre Bento XVI dispensou desse timing – que, segundo as regras actualmente em vigor, só apenas cinco anos após a morte da pessoa é que se pode introduzir um processo – e portanto não nos surpreende esta notícia.
Hoje mesmo recebemos um comunicado da Congregação para as Causas dos Santos, explicando em pormenor que todos os trâmites normais foram percorridos, quase a tranquilizar a Igreja de que não houve nenhuma excepção, não houve nenhum caminho, digamos assim, facilitado por ele ser quem era. Houve, portanto, a aprovação do milagre, mas parece que podia haver muitos mais.
Eu não tenho dúvidas que se há personalidade que mereça esta exaltação e esta apresentação ao povo de Deus como modelo de fidelidade e de virtude é, sem dúvida nenhuma, o Santo Padre João Paulo II que nós – entre os quais eu – tivemos a felicidade de contactar pessoalmente, de poder tocar quase ao vivo o que agora vamos celebrar. Portanto, é uma festa da Igreja. Em si mesma, ela insere-se num ritmo normal da Igreja, que é proclamar a virtude heróica e a santidade de alguns dos seus filhos. O próprio João Paulo II está ainda muito no nosso coração e na nossa memória para que a gente não viva esta data com uma alegria muito particular.
 
Que características destaca do Papa João Paulo II?
 
Um lutador, optimista, com uma vontade implacável na defesa daquilo que ele achava que era o caminho. Com uma fé como eu nunca encontrei ninguém! Aquilo que nós em português costumamos dizer a brincar “uma fé de carvoeiro”. Enfim, foi um homem muito marcado pela sua vida pessoal, pelo sofrimento, pela ocupação nazi, pela fuga, por ter tido de trabalhar numa pedreira, de fazer um curso de seminário quase clandestino… mas, ao mesmo tempo, sendo capaz de fazer, durante esse período, coisas apostolicamente muito interessantes como os acampamentos para jovens, o acompanhamento de jovens namorados e de jovens casais. Era um padre a sério!
Intelectualmente era um homem formado pela filosofia, portanto era um filósofo. A primeira vez que o conheci pessoalmente foi exactamente numa conferência filosófica no centenário de São Tomás de Aquino. Na altura, ele era ainda um jovem cardeal. João Paulo II era um homem que tinha a atitude fundamental de pastor, que é o gosto e a paixão de se encontrar com as pessoas. O Papa só estava bem sozinho quando estava em oração, quando estava com Deus. De resto, de preferência estava sempre com as pessoas.
Comi à mesa do Papa umas quatro ou cinco vezes… e eu era um modesto bispo auxiliar. O Papa nunca comia sozinho, convidava sempre pessoas para a sua mesa, quebrando aliás o que eram os protocolos e a tradição da Casa Pontifícia. Era um homem que tinha um gosto pelas multidões, um gosto pelas pessoas e pelo diálogo pessoal.
Gostava de sublinhar em João Paulo II uma coisa que sempre apreciei muito, que era um fino sentido do humor. O humor de vez em quando ajuda a relativizar a dramaticidade dos problemas. E muitas vezes, quase inesperadamente, quando menos esperávamos, ele tinha sobre um problema uma battuta – como se diz em italiano –, portanto uma expressão de um humor muito diferente do nosso humor latino, mas de grande finura e que lhe dava uma graça muito grande.
João Paulo II era um homem com muita coragem. A coragem dele nos últimos anos da vida, de aparecer em público com os limites que tinha… é preciso ter muito amor e muita fé no seu ministério para se sujeitar à humilhação humana a que ele se sujeitava aparecendo diante das multidões, já com os limites que a saúde lhe impunha.

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