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A Família

Sexualidade! Como educar os filhos?

 

Sexualidade! Como educar os filhos?  

Educar os filhos para uma sexualidade sadia

Sexualidade! Como educar os filhos? O trabalho de oferecer educação sexual aos filhos deverá ser entendido como uma ação da família, algo que já foi implantado desde quando os pais decidiram tê-los. Vencer as resistências sobre este assunto é demonstrar amadurecimento, equilíbrio pessoal e sexual no processo educativo dos filhos. Pensando assim, pode-se afirmar que a sexualidade não é uma fase que cai de paraquedas no início da puberdade, por volta dos 12 anos, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ela é fruto da relação que foi construída entre a mãe e o filho e do empenho do pai diante da sua função.

A sexualidade não se educa numa lição ou conversa, mas pelo testemunho de uma boa convivência, da presença constante do diálogo, do abraço, do reconhecimento do valor que os pais e os filhos têm no ambiente familiar, além das estratégias próprias que este conteúdo exige para que seja educado em casa, e não tão somente na escola ou pelos meios de comunicação.

A grande porta aberta e disponível aos filhos são os canais abertos de TV sem total controle dos pais, a exposição de revistas e sites pornográficos, a falta de esclarecimento das dúvidas apresentadas pelos meninos e pelas meninas e a condição de despreparo em que muitos pais se encontram, fazendo com que as orientações sejam antecipadas ou postergadas.

Atualizar-se para educar os rebentos nesta dimensão não significa que será preciso abandonar o que foi aprendido nas gerações passadas dos seus familiares. Ao contrário desta ideia, acredita-se ser necessário que os pais tirem proveito do que lhes foi ensinado, atribuindo novos significados e novas formas de ensinar e de aprender. Uma orientação desta natureza deverá nascer das crenças, dos costumes e princípios da família, mesmo que estejam um tanto ou quanto ultrapassadas. Caso contrário, os pais viram fantoches das orientações despersonalizadas, sem responsáveis, sem donos, entregues ao vento. Será a partir da sua própria história que os pais deverão nortear esta formação. Portanto, trata-se de uma orientação que não deverá ser terceirizada à escola ou aos meios de comunicação. Uma família cristã deverá considerar os ensinamentos da Igreja e fazer uma opção baseada no Evangelho.

Conversar com os filhos sobre a expectativa que os pais têm em relação à vida sexual deles não deve ser nenhum bicho de sete cabeças, mas algo tão simples quanto falar da vocação profissional, das vestimentas adequadas para determinados ambientes e tantos outros assuntos necessários, para que se estabeleça um vínculo familiar duradouro e fortalecido no amor, na aceitação e no respeito. Mas é justamente neste assunto que as famílias travam e o rito da virgindade, da proteção e defesa ao corpo não são conversados nem discutidos em família. É encarado ou com muita simplicidade ou com estranha complexidade, tornando-se motivo de crítica, descaso ou uma conversa de crentes ou de católico carismático. A falsa ideia de que as famílias têm de acompanhar a modernidade afasta-as da oportunidade de tentar ser uma célula que gera vida, que se posiciona diante do que é efémero e do que traz consequências danosas. A omissão não deverá ser entendida como respeito, mas como demonstração do medo que paralisou para agradar a sociedade nascida de um sistema considerado bruto, desigual e desumano. Por que o mundo pode apresentar as suas ideias em nossa casa e nós não podemos viver nele de acordo com a nossa formação e com o nosso proceder?

O que é que tu pensas sobre sexualidade? Tu és daqueles pais que dizem que o filho tem de ser um pegador e a filha uma princesa? Nós estamos no mundo para fazer a diferença também na forma como conduzimos a nossa sexualidade. Inclusive, é um grande motivo para completar, diariamente, o bem-estar do casal.

Segundo Richard O. Straub, no seu livro ‘Psicologia da Saúde’, no mundo inteiro, mais adolescentes se estão a tornar sexualmente ativos numa idade mais precoce do que nunca. A tríade está formada: tabaco, drogas (lícitas e ilícitas) e sexo livre são elementos comuns na vida dos jovens. O estudioso alerta sobre a adolescência de risco quando consideramos a sexualidade de forma tão banal. Com a chegada da puberdade e da adolescência, os filhos tornam-se mais responsáveis pela sua saúde, tomando decisões que favorecem e algumas que comprometem o seu bem-estar físico psicossocial.

A gravidez indesejada, por exemplo, e as consequências negativas da atividade sexual precoce implicam em vários transtornos que incluem as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs); consequentemente, este comportamento não produzirá autoestima, mas produzirá tantos outros problemas como já se observa nos dias de hoje. Contudo, não será o discurso moral nem o religioso que dará conta desta formação. Não se trata apenas de uma condição social, mas genética. Mudanças hormonais, fatores sociodemográficos e a necessidade de aceitação pelo grupo de amigos faz com que o adolescente, de acordo com Straub, se comporte de forma que o ajude a ser aceite. Estas necessidades deverão estar sob os cuidados da família, da escola, da Igreja e do Estado.

A Bíblia diz-nos que o testemunho edifica a alma. Então, o testemunho dos pais é uma grande arma para distorcer as informações que chegam velozmente a nossa casa. Um dia, um filho perguntou à mãe: “Mãe, quantas vezes na semana namoras o meu pai?”. A mãe respondeu: “Filho, ainda bem que não tenho reposta para te dar. Namorar com o teu pai não é uma obrigação, é maravilhoso e necessário para o casal”. Continuei: “Mas sei dizer-te que, quando estamos bem, o namoro sempre acontece; quando estamos chateados, o perdão precisa de vir primeiro”. O filho sorriu e saiu convencido da resposta. Outro dia, uma irmã de comunidade disse-lhe: “Como faço para o meu filho ter a mesma intimidade comigo como vejo que tu tens com os teus pais?” Ele respondeu: “A uma altura dessa está difícil! Desde que sou pequeno, trocamos roupas e tomamos banho, juntos. Aqui em casa, conversa-se sobre tudo, até…” Neste momento, ele olhou para mim e a sua expressão disse tudo: sexualidade!

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