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A Família

Os maiores desafios depois do divórcio

 

Os maiores desafios depois do divórcio  

Sabemos como é difícil carregar a cruz, e um divórcio indesejado é uma cruz gigante.

É facto que hoje muitas pessoas divorciam-se na tentativa de melhorar a sua vida, mas não estão cientes de todos os desafios que terão de enfrentar e as consequências inevitáveis que este processo traz consigo.

Na Bíblia, em Malaquias 2,16, Deus diz que odeia o divórcio. Em Mateus 19,60 vemos que o casamento é uma união permanente. “Muitos casamentos, que foram desfeitos por motivos triviais, poderiam ter sido salvos se marido e mulher tivessem sido capazes de se perdoar mais” (cf. Mateus 18,21-22).

Incertezas e angústias

Na justiça, o divórcio pode, muitas vezes, legalizar um estado de discórdia entre um casal, configurando um processo de disputa e exigindo a criação de novas estruturas de convivência doméstica, principalmente no que diz respeito a pais e filhos. Tanto no âmbito da Psicologia Clínica como no âmbito judicial, os estudos demonstram que os conflitos vividos pelos pais, antes e durante o processo de um divórcio, causam problemas de ajustamento nos filhos, que vivenciam o divórcio como um mistério que precisa de ser explicado com clareza e objectividade. Todos os familiares vivenciam incertezas e angústias que ameaçam a estabilidade pessoal, exigindo a elaboração de uma perda.

Desafios do processo

Os desafios decorrentes deste processo são muitos. Os problemas financeiros, a criação dos filhos, a solidão, muitas vezes esmagadora, e o sentimento de fracasso são alguns dos problemas e desafios que os divorciados enfrentam. Por mais que este tenha sido consensual, muitas vezes leva muito tempo a desaparecer.

Surgem sentimentos de perda, fracasso, desamparo, abandono, rejeição, medo, insegurança e incertezas circundando estes sujeitos, que afectam directamente os novos arranjos familiares e que precisam de ser trabalhados.

Principais desafios que podemos enfrentar neste processo:

Suporte

A primeira coisa que se aconselha a ser feita é buscar um bom suporte espiritual e também psicológico. Neste momento, é de fundamental importância poder contar com alguém de confiança, ter um espaço para partilhar a sua história e os seus sentimentos, dividir as dores da perda e receber um suporte profissional para o ajudar a reestruturar a vida e se preparar para o novo momento, onde muitos ajustes precisam de ser feitos. Então, tanto a psicoterapia, na busca por um bom psicólogo, como também a direcção espiritual feita por um bom sacerdote, podem constituir um óptimo ponto de partida. São meios bastante adequados para fortalecer a pessoa e também proporcionar ferramentas para enfrentar com coragem os desafios que virão.

Vida financeira

Já diz o ditado que divórcio é sinónimo de prejuízo, e isto é um facto. Tudo o que o casal tinha antes será, agora, dividido por dois. A divisão das economias empobrece ambas as partes e isto é inevitável: vais perder reservas e aumentar os custos da tua vida. Portanto, deves estar preparado para isso.

Filhos

Visitas, pensão e educação. Não é preciso dizer que, muitas vezes, serão eles que arcarão com as duras consequências da separação dos pais. É preciso reservar tempo, com calma, para conversar e garantir aos filhos que os amas; sobretudo, explicar-lhes que eles não são os responsáveis pelo divórcio dos pais. Responde às suas perguntas da forma mais sincera e objectiva possível, evita distribuir culpas e busca preservar e manter em harmonia a relação deles com o pai e a mãe. Continuar na mesma casa e manter a mesma rotina pode ajudar a também buscar uma boa rotina espiritual.

Amigos

Amigos são para sempre, mas a dura realidade é que, na separação, há também uma divisão natural daqueles com quem vocês mais conviviam enquanto casal. Por outro lado, é provável que o seu meio social mude naturalmente com o decorrer do tempo.

Moradia

Este também pode ser um impasse entre o casal que se separa. Como a maioria dos processos caminha para que a guarda dos filhos seja partilhada por ambos os genitores, ainda assim é comum que os filhos passem mais tempo com a mãe, que assume normalmente a rotina de escola, saúde, higiene, alimentação, etc. Se isto não esbarrar noutros tipos de problemas, é aconselhável que a mãe permaneça no local da moradia anterior à separação, para que, assim, se altere o menos possível a rotina dos filhos. Num processo de divórcio consensual, a residência entra como objecto de partilha, mas pode ficar como “usufruto dos filhos” até que os mesmos atinjam a maioridade.

Identidade pessoal

Quem sou eu sem a minha mulher, sem os meus filhos ou marido? Esta pergunta pode rondar a sua mente nos primeiros momentos depois de uma separação. Neste aspecto, a ajuda de um bom profissional pode ser muito útil, para que, aos poucos, possas recuperar de volta a tua identidade pessoal dentro do novo modo de vida. Por isso, é importante ir atrás de referências, antigas ou novas, que venham reforçar a tua identidade.

Vida familiar

Quando um casal decide separar-se, há também um ajuste importante na vida dos familiares envolvidos directa ou indirectamente. É muito importante, neste momento, voltar-se, um pouco mais, para os “seus familiares”, que podem ser, grande ajuda e suporte, sobretudo nas fases iniciais.

Outro aspecto importante será redefinir como ficarão as relações com a família do ex-cônjuge, com quem, muitas vezes, os laços são muito estreitos e já se considera parte da sua família também. Aos poucos, um novo formato de relação surgirá, mas procure sempre manter o vínculo dos avós e tios com os seus filhos.

Estilo de vida e estado civil

Os hábitos que tinhas antes de te separar, como a tua vida social e actividades de lazer, por exemplo, agora serão diferentes. Tu tomarás muitas decisões sozinho, a não ser as que envolvem o teu tempo com os teus filhos. Também pode acontecer, em alguns casos, que a mulher fique em tempo integral com os filhos, o que, certamente, acarretará sobrecarga, exigindo que ela se desdobre para dar conta do recado.

Alguns homens podem sentir-se novamente como na época de solteiros e ter o desejo de viver como tal, saindo com amigos solteiros, buscando namoricos e relações passageiras, até como forma de reviver os bons tempos antes do casamento. O facto é que a vida mudou e os tempos são outros, o matrimónio marca profundamente a vida de uma pessoa, e para nós cristãos é um laço indissolúvel. A não ser que um Tribunal Eclesiástico declare nula essa união.

Para muitas mulheres, pode ser até humilhante assumir perante a sociedade e a Igreja o seu novo status como “divorciada”, principalmente se no seu coração não desejava a separação. Este também é um tema que deve ser tratado com todo o cuidado com um terapeuta ou director espiritual.

Actividades sociais

Os casais normalmente têm actividades sociais diferentes de pessoas solteiras, sobretudo casais com filhos. Nesta nova condição de vida, tanto o homem com a mulher levarão algum tempo até ajustar novamente a sua vida social, a escolher as companhias para sair, talvez encontrar pessoas que estejam no mesmo estado de vida.

Nalguns momentos, os filhos estarão presentes; noutros, tu estarás sozinho.

No início, pode parecer estranho ou até mesmo fazer com que te sintas deslocado em determinado ambiente. Aos poucos, as coisas tendem a definir-se e tu te adaptarás a este novo contexto.

Nova união

É muito comum que, neste momento, logo após a separação, muitas pessoas venham dar conselhos; um deles é que a melhor forma de esquecer um amor é encontrar outro.

 “São numerosos hoje, em muitos países, os católicos que recorrem ao divórcio segundo as leis civis e contraem civilmente uma nova união. A Igreja, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo – ‘Todo aquele que repudiar a sua mulher e desposar outra, comete adultério contra a primeira; e se esta repudiar o seu marido e desposar outro, comete adultério’ (Mc 10,11-12) –, afirma que não pode reconhecer como válida uma nova união se o primeiro casamento foi válido. Se os divorciados se tornam a casar com outra pessoa, mesmo que no civil, ficam numa situação que contraria objectivamente a lei de Deus. Portanto, não podem ter acesso à comunhão eucarística enquanto perdurar esta situação. Pela mesma situação, não podem exercer certas responsabilidades eclesiais.

A reconciliação pelo sacramento da penitência só pode ser concedida aos que se mostram arrependidos por haver violado o sinal da aliança e fidelidade a Cristo, e se comprometem a viver uma continência completa.”

O matrimónio só deixa de existir quando a sua nulidade é declarada, o que só pode ser feito por um Tribunal Eclesiástico.

Vida de oração e Igreja

Assim como foi dito no início, ter um bom terapeuta para o acompanhar neste processo e um bom director espiritual são de fundamental importância, mas isto deve ser reforçado com uma vida constante de oração e frequência assídua à igreja, às Missas e aos sacramentos.

A Igreja, neste momento, mais do que nunca é Mãe e deve acolher o divorciado. Sabendo da grande dificuldade que se avizinha, compadecendo-se da dor, a Igreja está sempre presente para perdoar e acolher, mesmo em caso de queda.

Sabemos quão difícil é carregar a cruz, e um divórcio indesejado é uma cruz gigante. Talvez esta seja uma oportunidade para um testemunho único, uma prova de amor a Deus maior que tudo, quando renunciamos ao amor a nós mesmos por uma prévia promessa feita a Ele, a do matrimónio. Então, no momento que conseguirmos ver este sofrimento como a cruz que nos assemelha a Cristo, unimos as nossas dores às d’Ele, que, certamente, nos dará força, coragem e sabedoria necessárias para enfrentarmos estes desafios. Confiantes e certos de que não estamos sozinhos nesta luta, a Igreja acolhe-nos e recebe-nos; e Jesus Cristo caminha ao nosso lado. Confiantes nas Suas promessas, podemos viver sem pecar. Juddith

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