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A Família

Oração em família: como rezar com os filhos e evitar confusão

 A agitação dos menores, o mau humor dos maiores, a fadiga dos pais... A oração familiar é às vezes semelhante a uma corrida de obstáculos.

Como rezar com os filhos, sem choro ou nervosismo

Jovens pais lamentavam: “Em casa, a oração é o grande problema. As crianças são insuportáveis. Devemos simplesmente parar? Qual é o resultado de tentar orar com a família nestas condições?”

Uma mãe confessou: “À noite estou exausta e mal posso esperar para colocar as crianças na cama. Se o meu marido não está aqui, não tenho coragem de reunir as crianças para a oração.”

É verdade que rezar com crianças pequenas não é fácil, especialmente se elas são muitas e próximas umas das outras. Não é fácil orar com crianças de idades muito diferentes, os mais velhos sentem-se envergonhados pela agitação dos pequeninos, que ainda não são capazes de se manter em momentos de silêncio mais prolongado.

Por uma variedade de razões que variam de família para família, a oração familiar raramente é fácil, especialmente em determinados momentos. No entanto, é importante orar com a família e quanto menos você orar, menos fácil será. Vamos então tentar encontrar algumas soluções para as dificuldades de muitas famílias.

Escolha um bom ritmo de oração

Primeiro, não nos comparemos com os outros. O que é possível numa família não é possível em outra. O exemplo dos outros deve-nos encorajar, dar ideias, mas cabe a cada família saber como será este momento de oração.

É importante que a criança, até mesmo uma criança pequena, se acostume a este momento de oração diária. É melhor rezar um minuto todos os dias, do que dez minutos toda a semana ou todo mês. Quando, por várias razões, não oramos em família antes de dormir, podemos sempre, enquanto vamos beijá-los na sua cama, orar alguns segundos com cada um deles: um “Pai Nosso”, uma pequena canção, fazer o sinal da Cruz. É melhor esta curta oração na sua cama do que nenhuma oração.

Famílias numerosas podem, em certos momentos, introduzir preces específicas para cada idade. Isto não é ideal, claro, mas pode ser necessário provisoriamente. Também podemos adoptar um sistema “variado”: durante a semana, rezamos por faixa etária, domingo rezamos juntos. Assim, pode-se, de tempos em tempos ou durante um período mais ou menos longo, rezar com cada criança no seu quarto.

É melhor do que não rezar, se a oração familiar se tornou muito difícil. Às vezes, esta é a única solução quando um dos pais se opõe à oração familiar. Também pode ser o caminho para começar os momentos de oração com a sua família porque, pouco a pouco, as crianças expressam o desejo de rezar com os outros, em vez de rezarem sozinhas: encontramo-nos num dos quartos, escolhemos um canto de oração e reunimos a família todos os dias.

Distribuir tarefas e responsabilidades

O final do dia é um momento em que todos estão cansados. As crianças ficam ainda mais agitadas por sentirem o nervosismo e a tensão dos pais.

O melhor é dividir as tarefas: enquanto o pai cuida dos últimos detalhes (o final da refeição ou a arrumação dos quartos, por exemplo), a mãe já pode ir ao canto de oração para começar a rezar. Dois minutos ou dez minutos depois, as crianças que chegam ao canto da oração encontrarão uma mãe relaxada, já tomada pelo silêncio de Deus. Eles também podem chegar cada um por sua vez e, como a mãe, começar a rezar em silêncio, enquanto esperam que todos estejam lá.

A agitação das crianças, por vezes, vem do facto de que elas podem estar mal instaladas num local que não estimula a meditação. É importante tentar encontrar um lugar tranquilo para instalar o cantinho de oração. Colocar um ícone bonito, uma imagem ou uma estátua na altura dos olhos das crianças, perto deles (e não à uma altura em que se não se pode ver nada, a menos que estique o pescoço). Uma carpete ou tapete grosso, almofadas e cadeiras de oração podem ajudar as crianças a portar-se de forma adequada e confortável, sem passarem de um joelho a outro, ou se curvarem desajeitadamente. Algumas famílias não hesitam em desligar os telemóveis durante o tempo de oração, para não serem incomodadas pelo toque inesperado.

Não se sinta culpado

A maioria das fotos que mostram as famílias em oração são edificantes: as crianças ajoelham-se, olhando para o ícone ou para o crucifixo. Tudo parece perfeito… e talvez seja assim. Vendo isto, dizemos a nós mesmos: “A oração familiar é importante, mas somos incapazes de tal façanha. A nossa oração familiar não se parece com isto.”

Primeiro, não nos é pedido que nos pareçamos como o vizinho, mas com aquilo que o Senhor nos chama a ser. Então, devemos lembrar o que é uma foto: um cliché que muitas vezes não reflecte as dificuldades diárias. A maioria das famílias (se não todas), cuja lembrança desperta a nossa admiração e inveja, certamente experimentam as mesmas dificuldades que nós. Eles também conhecem as “orações barulhentas”, a excitação e a fadiga do fim do dia. Mas, claro, estes não são os momentos que o fotógrafo escolherá para imortalizar.

Quando oramos, Deus não nos pede coisas extraordinárias. Ele pede-nos para estarmos lá e isto é tudo. Os nossos filhos estão agitados e nós estamos cansados? O Senhor vê bem, Ele sabe melhor do que ninguém. Se estivéssemos conscientes da imensa ternura com que Ele olha para cada uma das nossas famílias, com que Ele recebe todas as nossas orações familiares – mesmo muito pobres, desajeitadas, agitadas, intercaladas com acusações ou repreensões – se entendermos que Ele nos ama como somos, nunca hesitaríamos a rezar em família.

Christine Ponsard

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