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A Família

A vida de família com 4 filhos é cheia de surpresas

 

A vida de família com quatro filhos é sempre cheia de surpresas  

A Vida de família com filhos é sempre cheia de surpresas, ainda mais quando são quatro, como é o meu caso.

Cada dia é único! Entre risadas, barulho de criança correndo pela casa, um bebé a chorar, um “manhê, limpa o meu bumbum” ou ainda um “manhê, fulano mostrou-me a língua”, há sempre a alegria e o coração realizado por ter filhos a crescer e a aprender os valores que lhes passamos a todo momento.

Por sermos uma família com vários filhos, chamamos à atenção por onde passamos. Já escutei de tudo: “Nossa, são todos seus? Você é corajosa! Vai parar por aí, não?” Bom, prefiro acreditar que somos um sinal de bênção para um mundo tão individualista. O Papa Francisco, com muita ternura, enfatizou numa audiência geral semanal: “As pessoas não deveriam ter medo de ter filhos, já que eles são a alegria dos pais e das famílias, geram harmonia entre as gerações e ajudam a alimentar a esperança”.

Fazer opção por ter uma família é viver uma constante espera da ação de Deus e ser surpreendido, todos os dias, por este amor que só transborda quando, de facto, colocamos Jesus no centro. Esta é a forma mais eficaz de combatermos o consumismo, o egoísmo e a falta de amor. O amor que nos faz entender, no dia a dia, que o mais importante são as pessoas e não as “coisas”, e que o mundo pode estar a acabar lá fora, mas dentro da nossa casa estamos firmes, porque temos uns aos outros.

Características que contradizem a vida em família

Apesar de tudo, compreendo tais reacções. Afinal, vivemos na sociedade do imediatismo, do supérfluo, do descartável. Sociedade em que as pessoas são formadas para não suportar o sofrimento ou a não se sacrificar pelo próximo, ou ainda a não renunciar aos sonhos e ao conforto.

Realmente, ter filhos é exigente; mas, tudo depende da forma como levamos a vida. Muitas pessoas perguntam-nos como conseguimos criar quatro filhos. Nós mesmos ficamos surpreendidos, no dia a dia, com o ritmo frenético que vivemos, a crise financeira e de valores que a sociedade vive. Assim, a única constatação que podemos chegar é que só pode ser resultado do nosso esforço e, principalmente, da graça de Deus.

 Ao longo dos anos, fomos aprendendo com a experiência dentro de casa (errando muitas vezes) que algumas atitudes são determinantes.

Transmissão de valores

As crianças precisam sempre de ter, bem claro, quais são os valores da família. Em casa, as regras precisam de ser claras para que os filhos saibam como deve ser a conduta. Somos uma família católica, portanto, vivemos como católicos, participando nas Missas, fazemos as nossas orações, buscamos as atitudes que Jesus teria.

As crianças agem por repetição e exemplo. Sabemos que precisamos de conversar muito com cada um, de acordo com a sua faixa etária; porém, precisamos de falar e fazer. Quando temos atitudes que não condizem com o que ensinamos, caímos no descrédito. Os filhos esperam sempre de nós atitudes coerentes. Não podemos falar de honestidade se sustentamos, por exemplo, pequenas mentiras na frente das crianças.

Organização e trabalho em equipa

Tenho a certeza de que, sem o mínimo de organização, a nossa casa seria um verdadeiro caos; e quanto mais nos disciplinamos e dividimos as tarefas (inclusive com as crianças), mais vamos adquirindo harmonia e a vida fica mais fácil. É possível contar com a ajuda de todos.

Algo muito eficaz é os filhos perceberem, primeiro, o companheirismo entre os pais. Isto faz com que eles assumam a casa e queiram fazer parte do relacionamento de amor mútuo e concreto. Eles motivam-se a contribuírem também com os seus esforços. Graças a Deus, tenho um marido muito presente e ativo. Acredito que os meninos têm uma linda referência e, quando tiverem as suas casas, repetirão com as suas esposas o que o pai faz comigo.

O Filipe, de 2 anos, ajuda-me a arrumar a mesa do café, organiza a dispensa (ao jeito dele) e guarda os brinquedos. Susana e Isabela (de 7 e 6 anos) ajudam na cozinha, na limpeza da casa e na organização das suas coisas pessoais.

Precisamos de treinar a paciência e investir, pois isso também é educação. No começo, dão um pouco de trabalho e tudo continua uma bagunça, mas, com o tempo, vão adquirindo o jeito e ajudando.

Outro ponto importante são os horários. A família precisa de ter horários pré-estabelecidos. Como nos ensina o ditado popular, “o combinado não sai caro”. Por exemplo, ensinamos as crianças, desde cedo, a dormirem às oito e meia da noite. Após este horário, o pai e a mãe administram os afazeres da casa, a oração pessoal ou ainda lazer e momento a sós.

As crianças sentem-se mais seguras quando há disciplina, a começar pelos pais. Claro que não podemos fazer da nossa casa um regime militar, porém, vale a pena fazer quadrinhos, conversar, dar recompensas pelo bom comportamento.

Na nossa família o trabalho é de equipa. Quando conseguimos deixar a casa limpa, tudo organizado e com a colaboração de todos, todos ganham. Temos uma regra: não sair de casa com as coisas fora de lugar. Há dias em que funciona, outros não; mas temos conseguido manter a casa com a ajuda de todos. Afinal, o trabalho é de equipa. E a casa é de todos.

Tempo com os filhos

Em tempos de tantas tecnologias, estar com os filhos com qualidade é um verdadeiro exercício. Deus tem movido o meu coração a, quando estou com as crianças, deixar o meu telemóvel num lugar a que eu não tenha acesso fácil. Tenho feito o exercício de conversar, querer saber o que está na cabecinha de cada um e deixar que eles sintam que estou ali por causa deles.

O tempo com os filhos tira a agitação que, muitas vezes, é causada pela nossa ausência, que nem sempre é física, mas pode ser de alma. E isto é muito sério. Quando lhes damos o nosso tempo, eles aproximam-se de nós e passam a assimilar melhor, inclusive os valores que queremos passar. É nesse tempo dispensado a eles que se tornam apaixonados por nós. Quer que o seu filho o admire? Esteja com ele como se estivesse apaixonado pela primeira vez, mas agora é pelo seu filho.

Optar pelo simples

Muitas vezes, é necessário optar pelo necessário (e as crianças aprendem que a felicidade não está no “ter coisas”). Neste começo de ano, entre todas as coisas que tínhamos que comprar para as crianças, a Susana (7) precisava de uns ténis; porém, vimos que este só poderia entrar no orçamento mais para frente. Eu, como mãe, claro, fiquei com o coração apertado.

A Susana começou a ir para a escola com os ténis velhinhos, até que, um dia, surgiu uma promoção numa loja em que os preços caíram muito. Comprámos uns ténis lindos para ela, de surpresa! Quando chegou da escola, eu estava muito feliz e queria que ela os calçasse logo. Parecia que os ténis eram para mim. Aí, a minha filha, como sempre dócil, disse-me: “Está a ver, mamã, a gente precisa sempre de esperar. No momento certo, Deus manda”. A felicidade por ver a minha filha com os ténis novos transformou-se em gratidão pelo entendimento que ela teve da Providência de Deus.

Optar por uma vida simples e não sermos escravos de um consumismo desenfreado não é ruim. Pelo contrário, é bom! Os nossos filhos não são menos felizes por não usarem roupas caras ou porque não têm os brinquedos da moda. Eles, aos poucos, vão assimilando que o importante é a qualidade, e também administrar de forma correta o dinheiro da família. Ser feliz é termos uns aos outros. A maior felicidade está no ser e não no ter. Isto não é algo que dá para fazer as crianças “engolirem” se nós pais não vivemos. Se o seu filho percebe que o centro da sua família é o consumismo que a mídia impõe, ele pode-se tornar um adulto refém dessa falsa felicidade. Se ele percebe que o centro é Jesus, ele será um adulto livre de toda a imposição que a sociedade sofre pela necessidade do “ter”. Quando simplificamos a vida, tudo fica mais fácil, inclusive criar filhos, pois o pouco já nos faz felizes. Mesmo que não seja fácil, com a graça de Deus e exemplos dentro de casa, é possível.

Não tenha medo de ter a casa cheia. Ter filhos é uma maravilhosa aventura que a nossa sociedade tem esquecido.

O Papa Francisco diz: “as crianças não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos tantos modos de se realizar. Tão pouco uma posse dos pais. Não! Os filhos são um dom, são um presente”. Não tenha medo de ter a casa cheia. Ter filhos é uma maravilhosa aventura que a nossa sociedade tem esquecido. Sejamos sinal de amor e generosidade a partir das nossas famílias e da abertura à vida. É possível! Não é fardo! É dom e alegria!

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