Ave Maria Imaculada... Rezai o Terço todos os dias... Mãe da Eucaristia, rogai por nós...Rainha da JAM, rogai por nós... Vinde, Espirito Santo... Jesus, Maria, eu amo-Vos, salvai almas!

Curiosidades

Como ser um bom católico – Quando toda a consolação desaparece

 Não é dificultoso desprezar as consolações humanas, quando gozamos das divinas (maravilhas). Grande coisa, porém, e mui meritória, é poder estar sem consolação, tanto divina como humana, sofrendo de boa mente o desamparo do coração, sem em nada buscar-se a si mesmo, nem atender ao seu próprio merecimento.

Que maravilha será estares alegre e devoto, quando te assiste a graça! De todos é almejada esta hora. E mui suave andar, levado pela graça de Deus. E que maravilha não sentir a carga aquele que é sustentado pelo Onipotente e acompanhado do guia supremo! 

Gostamos de ter qualquer consolação, e é penoso ao homem despojar-se de si mesmo. O glorioso mártir São Lourenço venceu o mundo em união com o pai espiritual, porque desprezou todos os atractivos do século e sofreu com paciência, por amor de Cristo, que o separasse do Supremo Pontífice São Xisto a quem ele muito amava!

Assim, o amor de Deus, subjugou o amor da criatura, e ao alívio humano preferiu a aprovação divina. Daí aprende tu a deixar, às vezes, por amor de Deus, um parente ou amigo querido. Nem te aflijas se te abandonar algum amigo, sabendo que todos, finalmente, nos havemos de separar uns dos outros.

Só um intenso e longo combate interior aprende o homem a dominar-se plenamente e pôr em Deus todo o seu afeto.

Quando o homem confia em si, facilmente desliza nas consolações humanas. Mas o verdadeiro amigo de Cristo e fervoroso imitador de suas virtudes não se inclina às consolações nem busca tais doçuras sensíveis; antes, procura exercícios austeros e sofre por Cristo trabalhos penosos.

Quando, pois, Deus te mandar consolação espiritual, recebe-a com ações de graças, mas lembra-te sempre que é mercê de Deus, e não merecimento teu.

Com isto, porém, não te desvaneças, nem te entregues à excessiva alegria ou à vã presunção; sê antes mais humilde pelo dom recebido, mais prudente e timorato nas tuas acções, pois passará aquela hora e voltará a tentação.

Quando te for tirada a consolação, não desesperes logo, aguarda, pelo contrário, com humildade e paciência, a visita celestial; pois Deus é bastante poderoso para restituir-te maior graça e consolação. Isto não é novo nem estranho aos que são experientes nos caminhos de Deus; porque nos grandes santos e antigos profetas houve muitas vezes esta mudança.

Por isso, um deles, sentindo a presença da graça, exclamava: Eu disse na minha abundância: não serei abalado jamais (Sl 29,7). Sentindo, porém, retirar-se a graça, acrescenta: Desviastes de mim, Senhor, o vosso rosto, e fiquei perturbado (v.8).

Entretanto não desespera, mas com mais instância roga ao Senhor, e diz: A vós, Senhor, clamarei, e ao meu Deus rogarei (v.9). Alcança, afinal, o fruto da sua oração, e atesta ter sido atendido, dizendo: Ouviu-me o Senhor, e compadeceu-se de mim, o Senhor fez-se meu protector (v.11). Mas em quê? Convertestes, diz ele, o meu pranto em gozo, e me cercaste de alegria (v.12).

Se isto sucedeu aos grandes santos, não devemos desesperar nós, fracos e pobres, por nos sentirmos umas vezes com fervor, outras vezes com frieza porque vai e vem o espírito de Deus, segundo lhe apraz (agrada). Por isso diz o santo Job: Senhor, visitais o homem na madrugada, e logo o provais (7,18).

Em que posso, pois, esperar ou em que devo confiar, senão na grande misericórdia de Deus e na esperança da graça celestial? Porque, ou me assistem homens justos, irmãos devotos e amigos fiéis, ou livros santos e formosos tratados, ou cânticos e hinos suaves, tudo isso de pouco me serve e pouco me agrada, quando estou desamparado da graça e entregue à minha própria pobreza. Não há então melhor remédio do que Deus.

Nunca encontrei homem tão religioso e devoto, que não sofresse, às vezes, a subtração da graça e sentisse o desânimo do fervor.

Nenhum santo foi tão altamente arrebatado e esclarecido que, antes ou depois, não fosse tentado. Porque não é digno da alta contemplação de Deus quem por Deus não sofreu alguma tribulação.

Costuma vir primeiro a tentação como sinal precursor da próxima consolação; porque aos provados pela tentação é prometido o celeste consolo. A quem tiver vencido, diz o Senhor, darei a comer o fruto da árvore da vida (Apc 2,7).

Dá Deus a consolação, para fortalecer o homem contra as adversidades. Segue-se então a tentação, para que não se desvaneça a felicidade.

O demónio não dorme, nem a carne já está morta; por isso, não cesses nunca de te aparelhar para a batalha, porque à direita e à esquerda estão os teus inimigos que nunca descansam.

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