Ave Maria Imaculada... Rezai o Terço todos os dias... Mãe da Eucaristia, rogai por nós...Rainha da JAM, rogai por nós... Vinde, Espirito Santo... Jesus, Maria, eu amo-Vos, salvai almas!

Curiosidades

Carta de amor à noiva é prova do martírio de um jovem espanhol

Carta de amor à noiva é prova do martírio de um jovem espanhol 

Bartolomé Blanco Márquez é um dos mais jovens membros do grupo de 498 mártires que o Papa Bento XVI beatificou no dia 28 de Outubro de 2007 no Vaticano. Católico comprometido, este leigo de quase 22 anos de idade escreveu a poucas horas de morrer uma comovedora carta à sua noiva Maruja, que se conta como testemunho do seu heróico martírio.

A sua história
Bartolomé nasceu em Pozoblanco em 25 de Novembro de 1914. Órfão desde criança, foi criado por alguns tios e trabalhava de carpinteiro. Foi assíduo aluno do colégio salesiano de Pozoblanco e ajudou como catequista. Aos 18 anos de idade foi eleito secretário da Juventude Masculina de Acção Católica em Pozoblanco.
Nesta cidade foi encarcerado em 18 de Agosto de 1936, quando estava de licença durante o serviço militar que prestava em Cádiz. Em 24 de Setembro foi levado para a prisão de Jaén, onde se encontrou com quinze sacerdotes e outros leigos fervorosos. Aí foi julgado, condenado à morte e fuzilado em 2 de Outubro de 1936.
Durante o julgamento sumário, Bartolomé marcou a perseverança da sua fé e professou com integridade inquebrável as suas convicções religiosas. Não pediu que lhe trocassem a pena capital imposta e perante o tribunal comentou sem se alterar que se ficasse vivo continuaria a ser um católico militante.
As cartas que escreveu na véspera da sua morte aos seus familiares e á sua noiva Maruja constituem uma prova fidedigna da sua fé.
"Seja esta a minha última vontade: perdão, perdão e perdão; mas indulgência, que quero que vá acompanhada de lhes fazer todo o bem possível. Assim, peço-lhes que me vinguem com a vingança do cristão: fazendo muito bem a quem tem tentado fazer-me mal", escreveu às tias e primos.
No dia da sua execução deixou a cela com os pés descalços, para se parecer mais a Cristo. Beijou as suas algemas, surpreendendo o guarda que lhas pôs. Não aceitou ser fuzilado de costas. "Quem morre por Cristo, deve fazê-lo de frente e com o peito descoberto. Viva Cristo Rei!", exclamou e caiu crivado de balas junto a uma árvore.

Texto completo da carta escrita à noiva Maruja
"Prisão Provincial. Jaén, 1 de Outubro de 1936.
Maruja da minha alma:
A tua lembrança me acompanhará à tumba e enquanto houver um batimento do coração no meu coração, este palpitará de carinho para ti. Deus quis destacar estes afectos terrestres, enobrecendo-os quando os amamos nele. Por isso, embora nos meus últimos dias Deus seja a minha tocha e o meu desejo, não impede que a lembrança da pessoa mais querida me acompanhe até à hora da morte.
Estou assistido por muitos sacerdotes que, qual bálsamo benéfico, vão derramando os tesouros da Graça dentro da minha alma, fortificando-a; vejo a morte de cara e na verdade te digo que nem me assusta nem a temo.
A minha sentença no tribunal dos homens será a minha maior defesa diante do Tribunal de Deus; eles, ao querer me denegrir, enobreceram-me; ao querer me sentenciar, têm-me absolvido, e ao tentar perder-me, salvaram-me. Entendes-me? Está claro! Posto que ao me matar me dão a verdadeira vida e ao me condenar por defender sempre os altos ideais de Religião, Pátria e Família, abrem-me de par em par as portas dos céus.
Os meus restos serão inumados num nicho deste cemitério de Jaén; quando ficam poucas horas para o definitivo repouso, só quero pedir-te uma coisa: que em lembrança do amor que nos tivemos, e que neste instante se acrescenta, tem como objectivo principal a salvação da tua alma, porque desta maneira conseguiremos reunir-nos no céu para toda a eternidade, onde nada nos separará.
Até então, pois, Maruja da minha alma! Não esqueça que do céu te vejo, e procura ser modelo das mulheres cristãs, pois no final da partida, de nada servem os bens e gozos terrestres, se não acertarmos a salvar a alma.
Um pensamento de reconhecimento para toda a tua família, e para ti todo meu amor sublimado nas horas da morte. Não me esqueça, minha Maruja, e que a minha lembrança te sirva sempre para ter presente que existe outra vida melhor, e que o consegui-la deve ser a máxima aspiração.
Sê forte e refaz a tua vida, és jovem e boa, e terás a ajuda de Deus que eu implorarei no seu Reino. Até à eternidade, pois, onde nos continuaremos a amar pelos séculos dos séculos. Bartolomé".

 

 

Regressar