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Curiosidades

D I A B E T E S

Diabetes mellitus

  

Baptizada pelos médicos de diabetes mellitus, a doença ocorre quando há um aumento do açúcar no sangue. Dependendo dos motivos desse disparo, pode ser de dois tipos:

• No tipo 1 as células do pâncreas que fabricam insulina, o hormónio que ajuda a glicose a entrar nas células, simplesmente foram destruídas.

• No tipo 2 ou a produção dela não é suficiente ou as células simplesmente não conseguem aproveitá-la da forma correcta - a chamada resistência à insulina.

Nos dois casos, o excesso de glicose em circulação desencadeia várias complicações que, se não forem controladas, podem levar à morte.

A diabetes é um dos problemas mais graves de saúde pública, pois responde por 40% das mortes por doenças cardiovasculares - a primeira causa de morte no mundo.

De onde vem o nome? O termo diabetes foi cunhado lá pelo ano 70, na Grécia antiga, quando Areteu da Capadócia descreveu a doença pela primeira vez. Ele comparou o funcionamento do organismo destes pacientes a um sifão, o significado da palavra grega: comiam e bebiam muito, mas toda a energia que entrava pela boca ia embora literalmente pelo ralo com o excesso de urina. Já mellitus foi incorporado bem mais tarde. Em 1670 o médico inglês Thomas Willis provou a urina de indivíduos que apresentavam sintomas parecidos e descobriu que ela era muito doce. Quase dois séculos depois, em 1815, o químico francês M. Chevreul demonstrou que o açúcar dos diabéticos era glicose. Daí os médicos começaram a experimentar a urina de quem tinha suspeitas da doença. Ela foi baptizada então de diabetes açucarada ou diabetes mellitus, palavra de origem latina que quer dizer mel ou adocicado.

 

O ciclo vicioso da doença

  

Sem insulina e com açúcar sobrando, o corpo fica sem energia e sujeito a vários problemas:

1. O excesso de glicose em circulação leva a um acumular no sangue – é a chamada hiperglicemia.

2. Para eliminar este excesso, a pessoa passa a urinar mais vezes, desidratando o organismo. Daí a sede exagerada do diabético.

3. Sem receber glicose, o cérebro pensa que falta energia e activa mecanismos de emergência para compensar esta deficiência. E ordena ao fígado mais produção de glicose e obriga o tecido gorduroso a queimar os seus estoques. Resultado: a glicemia sobe mais ainda e a pessoa vai emagrecendo, sentindo-se fraca e cansada.

4. A falta de energia faz a vítima sentir mais e mais fome, o que dispara a glicose no sangue. A queima de gorduras gera compostos chamados cetonas que são eliminados pela respiração e pela urina. Daí o hálito com cheiro levemente adocicado destes pacientes.

 

Sinais de alerta

• Urinar muitas vezes, de dia e de noite, e em grande quantidade

• Obesidade

• Perda de peso

• Muita fome

• Cansaço

• Piorar da visão

• Furúnculos frequentes

• Cicatrização difícil e infecções de pele

• Impotência sexual

• Pressão arterial elevada

 

Causas

Na diabete tipo 1, geralmente diagnosticado na infância e na adolescência, é o próprio sistema imunológico da pessoa que, não se sabe bem porquê, passa a atacar e destruir as ilhotas de Langerhans, as células do pâncreas produtoras de insulina.

No tipo 2, mais frequente em adultos, há uma tendência hereditária por trás do mal e uma forte conexão com a obesidade. Hoje sabe-se que os quilos a mais na balança provocam a chamada resistência à insulina, que é a dificuldade das células de absorver a glicose. Ao longo do tempo, isto pode desembocar na diabetes. De certa forma, é possível prevenir este tipo mantendo o peso ideal, a alimentação adequada e uma rotina de exercícios. Este tripé facilita o trabalho da insulina e mantém a glicose nas taxas ideais.

 

Complicações

O excesso de açúcar no sangue causa danos nos vasos que levam a várias complicações. Manter a glicose sob controle é o único modo de afastar estes riscos:

• Cegueira: as alterações vasculares na região dos olhos podem provocar pequenos sangramentos e lesões na retina. É a chamada retinopatia diabética, que pode levar à perda da visão. O diabético deve fazer exames de fundo do olho com regularidade.

• Problemas cardiovasculares: a alta da glicose agride a parede dos vasos facilitando a acumulação de gordura e as inflamações que entopem artérias. Isto causa enfartos e derrames.

• Amputação de membros inferiores: As lesões nos vasos e a queda da irrigação diminuem a sensibilidade nos membros inferiores. O pé do diabético é extremamente susceptível a feridas que rapidamente podem virar úlceras de difícil cicatrização. Infeccionadas, podem levar à amputação.

• Impotência: a dificuldade de circulação no pénis pode causar problemas de erecção. •

Insuficiência renal: a circulação deficiente compromete a função dos rins. Se não for controlada com remédios, pode levar à falência renal.

 

Diagnóstico e exames de rotina

  

Para detectar a doença, o exame básico é a chamada glicose em jejum, que deve estar entre 70 a 110 mg por 100 ml de sangue. Se o resultado ultrapassar 126 em dois exames seguidos, é diabete na certa. Mas se os números apontarem entre 110 e 125, pede-se o teste oral de tolerância à glicose para tirar as dúvidas. O indivíduo ingere 75 gramas de glicose diluída em água e, após duas horas, faz o exame de sangue. A diabetes é diagnosticada se estiver acima de 200. Um valor entre 140 e 199 acusa um quadro de pré-diabetes.

Uma vez diagnosticado, o diabético terá que incorporar à sua rotina diária o glicosímetro - o aparelho que mede a glicose. Dependendo do caso, ele deverá medi-la várias vezes ao dia, pois é o único modo de evitar descompensações.

Além disso, para manter a doença sob controle, estas pessoas devem realizar, pelo menos duas vezes ao ano, o exame da hemoglobina A1C. Só ele detecta como se comportou o açúcar nos últimos dois ou três meses, dado essencial para saber a quantas andam os estragos no organismo. O exame dosa a quantidade de glicose que se combinou com a hemoglobina dos glóbulos vermelhos, ou seja, quanto de açúcar circulou pelo sangue naquele período, que é justamente o tempo de vida das hemácias.

 

Tratamento

  

Quem recebe um diagnóstico de diabetes deve mudar radicalmente certos hábitos. E por toda a vida, pois a doença não tem cura. Somente um equilíbrio perfeito entre dieta, exercícios e medicação consegue manter as taxas de glicose no lugar certo e evitar as temidas complicações.

Para os pacientes que padecem do tipo 1, por enquanto, o tratamento padrão é com a insulina injectável.

Já as vítimas do tipo 2 normalmente produzem insulina e a grande maioria continua a produzir pelo resto da vida. Calcula-se que somente 25% delas precisarão das doses extras. Por isso, normalmente o início do tratamento é feito à base de dieta e exercícios. Se necessário, o médico receita antidiabéticos orais, comprimidos que aumentam a secreção de insulina ou diminuem a resistência à acção dela.

 

A AJUDA DA EMENTA 

Não há remédio ou insulina que funcione sem um rígido controle da alimentação. O que vai ao prato interfere directamente na doença - para bem e para mal. Há alimentos que decididamente deverão ser evitados. Há um grupo de alimentos que não é nada desprezível: engloba cereais, massas, leite e derivados, legumes, frutas, doces, sucos, refrigerantes. A boa notícia é que há uma forma de calcular o consumo deles para deixar a vida mais fácil e apetitosa. A Ciência não pára de descobrir novidades na ementa que dão uma verdadeira força a estes pacientes. É o caso das fibras, por exemplo, que se mostraram capazes de reduzir a glicemia.

Actualmente quem está na mira de médicos e pacientes é o chamado índice glicémico dos alimentos. Isto porque se descobriu que tão importante quanto saber quais alimentos viram glicose é conhecer com que velocidade eles libertam o açúcar no organismo. Convém ser o médico a orientar as escolhas de cada paciente.

 

O PAPEL DOS EXERCÍCIOS