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Eutanásia

Eutanásia, ortotanásia e distanásia. Qual a diferença?

O caso de Eluana Englaro reacendeu o tema da eutanásia na imprensa mundial. A italiana, de 38 anos, permaneceu em coma por 17 e morreu, no dia 9 de Fevereiro, após a suspensão pela equipa médica da sua alimentação e hidratação artificiais.

Em entrevista, o professor de Bioética da Faculdade Dehoniana de Taubaté, Padre Mário Marcelo explica o que significam os termos eutanásia, ortotanásia e distanásia e declara que a dor, num momento de enfermidade, pode adquirir um sentido maior, quando se participa do sofrimento de Cristo.

– Qual a diferença entre eutanásia, ortotanásia e distanásia. Qual dessas práticas a Igreja é a favor e porquê?

Pe. Mário Marcelo – São três temas relacionados ao fim da vida. O termo eutanásia, etimologicamente falando, significa morte sem dor ou morte suave. Ocorre quando há uma acção directa de uma pessoa para antecipar o momento da morte, sendo aplicado algum método ou tirando-se outro a fim de antecipar a morte. O termo orto, de ortotanásia, significa “correcto”, ou seja, é a morte certa, a que deve acontecer naturalmente. E distanásia significa o prolongamento do momento da morte. É quando se utilizam aparelhagens, prolongando a vida do paciente até ao momento da morte. A melhor forma é a ortotanásia, a morte correcta e natural.

Quanto à distanásia, não há nenhum problema, objectivamente falando, de se prolongar o momento da morte. A pessoa pode até ser mantida nos aparelhos por um período e se desligarem os aparelhos, desde que não seja uma acção directa para provocar a morte da pessoa, também não há nenhum problema ético ou moral nisto. É um prolongamento do momento da morte, ou seja, a morte é iminente, vai acontecer. E o que acontece? A pessoa é ligada aos aparelhos, sendo prolongado o momento da morte. Não estás a prolongar a vida, mas o momento da morte. Então, ao se desligar o aparelho, a eutanásia não é provocada, porque a morte iria acontecer, mas não aconteceu ao se manter a pessoa na aparelhagem.

O problema moral está na eutanásia porque é também chamada de homicídio assistido, ou seja, há uma acção directa do paciente ou de outra pessoa para antecipar o momento da morte. A passagem da distanásia para eutanásia, às vezes, é muito confusa, mas é uma questão da consciência do médico. A distanásia é quando a morte é iminente, porém sustenta-se a pessoa por aparelhagem. Já no caso da eutanásia, a morte não era iminente e o paciente pode viver por muitos anos, e uma acção directa é aplicada que antecipa o momento da morte. Na distanásia, permite-se a pessoa morrer quando se desliga a aparelhagem, ao passo que na eutanásia o momento da morte é antecipado.

– Uma orientação para as famílias cristãs seria a de procurar médicos, nos quais se possam ter uma maior confiança na sua consciência?

Pe. Mário Marcelo – Muito depende da consciência do médico. Há um momento quando ele procura a família e avisa que a morte é iminente, vai acontecer, e que vão desligar a aparelhagem para não provocar mais sofrimento. Não há problema, tanto em manter o paciente ligado ao aparelho, como desligá-lo, porque não se está a antecipar o momento da morte, mas a permitir que ela morra.
 
– Muitas vezes, há o pedido do próprio paciente para que seja feita a eutanásia. Como orientar as pessoas que cuidam desses doentes? Como devem agir?

Pe. Mário Marcelo – É um grande desafio. Mas as pessoas que assistem os enfermos não podem dizer que é um pecado, mas ter atitudes de solidariedade e de apoio naquele momento de dor. Porque muitas pessoas pedem a morte por se estarem a sentir abandonadas. Ela já está com dor e sofrimento e ainda se sente abandonada e inútil, então, pede a morte. Assim, é preciso fazer companhia, mostrar que a pessoa é importante, mesmo neste momento de dor, nesta condição de sofrimento, e dizer que ela faz parte da família e é amada. Assim, é necessário estar ao lado, mostrar solidariedade, força e comunhão com estas pessoas. É a melhor forma.

– A Declaração sobre eutanásia da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé, afirma que a dor, especialmente nos últimos momentos da vida, assume um significado particular no plano salvífico de Deus. Como é que isso acontece, como preparar o doente para viver esse momento?

Pe. Mário Marcelo – Temos que ter clara uma coisa: não é uma apologia à dor e ao sofrimento. A dor e o sofrimento em si mesmos não têm sentido. Jesus quer que todos tenham vida e a tenham em abundância, ou seja, não podes buscar a dor pela dor. O que dá sentido é a motivação e intenção colocadas nesses momentos. É um sentido de comunhão com a própria dor de Cristo. "Estou a sofrer esta dor, na verdade eu não queria, tenho que buscar tratamento e ajuda, mas como no momento não há condições, vou-me solidarizar com o sofrimento do Cristo". Então, eu participo da dor e do sofrimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este é o verdadeiro sentido.
 
 
 

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