Ave Maria Imaculada... Rezai o Terço todos os dias... Mãe da Eucaristia, rogai por nós...Rainha da JAM, rogai por nós... Vinde, Espirito Santo... Jesus, Maria, eu amo-Vos, salvai almas!

Curiosidades

Via Sacra Sacerdotal

VIA SACRA SACERDOTAL
 
JESUS NO HORTO DAS OLIVEIRAS
 
 
INSTRUÇÕES
 
Se é possível, um sacerdote ou Diácono, de alva e estola vermelha, preside, na capela-mor, ou num lugar destacado, se a Via-Sacra for realizada ao ar livre ou noutro lugar, fora do templo.
                    
No princípio de cada estação, o que preside anuncia-a e, depois de uma breve pausa, diz:
                     – Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!
                     Todos respondem:
                     – Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo!
         No final de cada estação, quem preside reza um  Pai nosso ou um Glória ao Pai... e acrescenta:
                     – Tende compaixão de nós, Senhor!
                     Todos respondem:
                     – Tende compaixão de nós!
                     Termina rezando um Pai nosso pelas intenções do Sumo Pontífice.
                     Dois acólitos com velas e um com o crucifixo, ou uma cruz, deslocam-se no interior do templo ou no recinto, antes começar uma nova estação.
 
 
*
 
Oração preparatória (facultativa)
 
Na companhia da Vossa e minha Mãe, a Virgem das Dores,
de S. José que, desde eternidade,
 contempla, com espanto, a nossa loucura,
dos Anjos que desagravam ofensas brutais à divina Majestade
e de todos os santos do Antigo e do Novo Testamento
que se identificaram com o Mártir do Calvário,
quero, ó Jesus,  percorrer humildemente o caminho da Cruz.
Ajudai-me, Senhor, a não me deixar ficar ao lado, movido apenas pela curiosidade,
para Vos ver passar carregado com o peso do maior  sofrimento humano,
dando-me por satisfeito ao apontar os culpados,
a condenar as atitudes dos outros,
e a sair daqui lavando as minhas mãos, como se fosse um inocente.
Quero, Senhor, meter-me plenamente em cada cena Paixão,
para acolher as Vossas Palavras, e contemplar os gestos e os silêncios,
assumindo a parte que me cabe em tudo isto.
Preciso da Vossa ajuda amiga,
para não cair na superficialidade das lamentações,
mas, guiado pelo Espírito Santo,
compreender um pouco mais a lição que me quereis dar:
• o Amor infinito da Santíssima Trindade por mim,
 e por cada uma das pessoas humanas;
• a fealdade do pecado – também o venial –
e o valor da Graça santificante,
pelo preço com que me é restituída;
• o tesouro do sofrimento que me torna mais semelhante a Vós
e pode obter do Céu mais graças que todas as orações e jejuns.
Que eu aprenda a olhar para a Vossa Paixão e Morte
com os olhos e com o Coração Imaculado de Maria,
sempre Virgem e Senhora das Dores.
Amen.
 
*
 
1ª ESTAÇÃO
 
JESUS NO HORTO DAS OLIVEIRAS
 
«Então saiu e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras e os discípulos acompanharam-n'O.
Quando chegou ao local, disse-lhes:”Orai, para não entrardes em tentação”.
Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra e, pondo-Se de joelhos, começou a orar, dizendo: “Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice. Todavia, não se faça a Minha vontade, mas a Tua”.
Então apareceu-Lhe um Anjo, vindo do Céu, para O confortar. Entrando em angústia, orava mais instantemente e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. Depois de ter orado, levantou-Se e foi ter com os discípulos, que encontrou a dormir, por causa da tristeza. Disse-lhes Jesus: “Porque estais a dormir? Levantai-vos e orai, para não entrardes em tentação”».
 
• Humanamente falando, Jesus intensifica a Sua comunhão com a vontade do Pai nas duas horas de oração que faz no Horto das Oliveiras.
Repete continuamente a mesma frase — «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice. Todavia, não se faça a Minha vontade, mas a Tua» —, mas intimamente é sempre nova, porque a repete com nova intensidade de Amor.
Levanta-Se corajosamente para abraçar a Paixão e Morte. Um Anjo conforta-O... e Ele ensina-nos que fazer oração é travar um diálogo íntimo com Nosso Senhor.
Ressoa aos nossos ouvidos a queixa dirigida por Jesus aos Apóstolos: «Não pudestes vigiar uma hora comigo... Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. »
Imaginamos esta recomendação especialmente dirigida aos sacerdotes, neste Ano Sacerdotal.
Pretender uma vida cristã sem oração, no ambiente pagão em que vivemos, é como querer manter-se quente e saudável num ambiente gelado, fugindo do calor, ou voar sem asas.
 
Pela vigília de oração no Jardim das Oliveiras mostrai-nos, Senhor, a necessidade que temos de orar, e ensinai-nos a fazê-lo.
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2ª ESTAÇÃO
 
JESUS, ATRAIÇOADO POR JUDAS, É PRESO

 
«Ainda Ele estava a falar, quando apareceu uma multidão de gente. O chamado Judas, um dos Doze, vinha à sua frente e aproximou-se de Jesus, para O beijar. Disse-lhe Jesus:
“Judas, é com um beijo que entregas o Filho do homem?”.
Ao verem o que ia suceder, os que estavam com Jesus perguntaram-Lhe: “Senhor, vamos feri-los à espada?”
E um deles feriu o servo do sumo-sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. Mas Jesus interveio, dizendo: “Basta! Deixai-os”. E, tocando na orelha do homem, curou-o. Disse então Jesus aos que tinham vindo ao seu encontro, príncipes dos sacerdotes, oficiais do templo e anciãos: “Vós saístes com espadas e varapaus, como se viésseis ao encontro dum salteador. Eu estava todos os dias convosco no templo e não Me deitastes as mãos. Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas."
Apoderaram-se então de Jesus, levaram-n’O e introduziram-n’O em casa do sumo-sacerdote.»
 
• Jesus fica rodeado de malfeitores, entregue aos seus caprichos e crueldades, enquanto os Seus amigos fogem cheios de medo. E, todavia, Jesus não está prisioneiro da solidão, por que fala continuamente com o Pai.
Fará sentido falar da solidão do sacerdote, bem como da de qualquer cristão, por maior que seja o isolamento em que se encontra? Lamentar-se de  que se encontra só e desamparado?
É verdade que precisamos de um ambiente humano — de família e de amigos — para viver com normalidade. Ajuda-nos muito o ter alguém com quem desabafar.
Mas a solidão que verdadeiramente oprime as pessoas é a interior... quando alguém se encontra só,  tem o coração vazio de Deus.
O Senhor deixou-nos este recurso precioso para vencermos todas as solidões do mundo: a oração e o exercício da presença de Deus. Está sempre connosco, disponível em qualquer momento e lugar, para que nos possamos abrir com Ele e receber o apoio de que precisamos. Um filho de Deus nunca pode dizer com verdade que está só.
 
Senhor, ensinai-nos a procurar-Vos e a encontrar-Vos na oração e na Eucaristia, quando nos parecer que a solidão nos oprime.
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3ª ESTAÇÃO
 
JESUS É CONDENADO PELO SINÉDRIO

 
«Os que tinham prendido Jesus levaram-n'O à presença do sumo-sacerdote Caifás, onde os escribas e anciãos se tinham reunido.
Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho falso contra Jesus para O condenarem à morte, mas não o encontravam, embora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas.
Então, o sumo-sacerdote rasgou as vestes, dizendo: "Blasfemou. Que necessidade temos de mais testemunhas ?Acabais de ouvir uma blasfémia. Que vos parece?"
Eles responderam: "É réu de morte".»
 
• Um tribunal religioso condena Jesus à morte. Falta agora conseguir que o poder do Império romano autorize a execução.
Um sorriso de amargura desabrocha em nosso rosto, quando pensamos que estes pobres homens não procuram a verdade nem a justiça, mas apenas um pretexto qualquer para condenar Jesus, dando largas ao ciúme, à inveja, ao ódio e ao despeito.
Pensando melhor, também os julgamentos que fazemos das outras pessoas nos pensamentos e conversas, são deste género. Não procuramos a justiça nem a verdade, mas um pretexto para as condenar.
Qual a motivação das nossas palavras e pensamentos de crítica? Por dentro desta atitude está talvez um zelo mal entendido, a inveja, o ciúme, ou qualquer outro motivo que não temos coragem de confessar.
Que a condenação de Jesus pelo Sinédrio nos ajude a conhecer melhor o que está na raiz dos nossos juízos irreflectidos e a procurar o caminho da Verdade e do Amor.
 
Senhor, ajudai-me a ter sempre presente a Vossa recomendação: «Não julgueis!»
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4ª ESTAÇÃO
 
JESUS É NEGADO POR PEDRO

 
   «Entretanto, Pedro estava sentado no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe: "Tu também estavas com Jesus, o galileu". Mas ele negou diante de todos, dizendo: "Não sei o que dizes".
Dirigindo-se para a porta, foi visto por outra criada que disse aos circunstantes: "Este homem estava com Jesus de Nazaré". E, de novo, ele negou com juramento: "Não conheço tal homem".
Pouco depois, aproximaram-se os que ali estavam e disseram a Pedro: "Com certeza tu és deles, pois até a fala te denuncia". Começou então a dizer imprecações e a jurar: "Não conheço tal homem".
E, imediatamente, um galo cantou. Então Pedro lembrou-se das palavras que Jesus dissera: "Antes de o galo cantar, tu Me negarás três vezes". E, saindo fora, chorou amargamente. »
 
• Humanamente, não encontramos explicação para a desastrada atitude de Pedro, porque amava de verdade a Jesus.
Somos como um palácio muito belo feito de cristal que uma pequena pedra de apetite desordenado pode reduzir a fragmentos.
Há todo um plano inclinado por onde somos levados incautamente: Pedro adormece durante a oração no Horto; desobedece ao Mestre, ferindo Malco, servo do sumo Sacerdote; segue Jesus de longe, com medo que o prendam também.
É neste contexto que surge a ocasião, a oportunidade que abre as portas à infidelidade. Pedro senta-se no meio do pessoal da casa e começa um processo de degradação: primeiro, afirma que não sabe o que a criada lhe diz. Trata-se apenas de uma restrição mental. Depois avança mais um passo: “Não conheço tal homem”. O “tal homem” era Jesus. Os presentes devem ter sorrido, perante a ingenuidade da mentira de Pedro. Finalmente vem a negação com juramento.
E logo depois do trambolhão, dá-se o acordar do sono. Na verdade, Pedro amava Jesus, mas sucumbiu a momento de fraqueza.
Metidos na corrente do rio, ou nadamos ou somos arrastados por ela. A nossa ingenuidade está em querer abandonar a luta pela santidade, sem cair em grandes faltas. Bastará uma ocasião banal para revelar a nossa fragilidade.
 
Senhor, livrai-me da tentação de querer viver a minha vocação cristã, regateando convosco as pequenas generosidades que me ides pedindo.
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5ª ESTAÇÃO
 
JESUS É JULGADO POR PILATOS

 
«Entretanto, Jesus foi levado à presença do governador, que Lhe perguntou: "Tu és o Rei dos judeus?" Jesus respondeu: "É como dizes."
Nessa altura havia um preso famoso, chamado Barrabás." E, quando eles se reuniram, disse-lhes: "Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus chamado  Cristo?" Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja.
Eles responderam: "Barrabás." Disse-lhes Pilatos: "Que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?" Responderam todos: "Seja crucificado".
Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: "Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco."
Soltou-lhes então Barrabás. E... entregou-lh'O para ser crucificado. »
 
• Se Pilatos tivesse, naquela época, a possibilidade de recurso a um filme, e desenrolasse diante dos olhos daquela multidão o que ela estava a pedir – os pés e as mãos trespassados pelos cravos, uma agonia de três intermináveis horas pregado na cruz e a morte com sofrimentos indizíveis – não teriam sido tão prontos e levianos a pedir a crucifixão de Jesus.
Por leviandade, na vida, damos a morte a Cristo, preferindo ao Amor do nosso Deus algo que para nada serve.
Quando se trata de condenar, basta que alguém levante a voz, proferindo a sentença. Somos fáceis em colaborar com o mal.
Contrastando com isto, o Divino Mestre age com toda a prudência. Quando Pilatos lhe pergunta se Ele é rei, indaga cuidadosamente o sentido desta pergunta. Acusa-O de ser um revolucionário contra o poder do imperador de Roma, ou de Se apresentar como o Messias prometido?
E mesmo quando responde que, de facto, é o Messias prometido – o fazer-Se rei de que os judeus O acusam – apressa-Se a esclarecer que o Seu reino não é deste mundo.
Sem prudência, sem ponderação no que dizemos ou fazemos, não podemos construir à nossa volta um ambiente de amizade sã, de paz e de Amor.
 
Dai-nos, Senhor, peso e medida em tudo – sobretudo nas palavras que dizemos – menos no Amor para convosco.
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6ª ESTAÇÃO
 
JESUS É FLAGELADO E COROADO DE ESPINHOS

 
[Pilatos] «soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-lh'O para ser crucificado.
Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram à volta  d'Ele toda a coorte. Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n'O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na Sua mão direita.
Ajoelhando diante d'Ele, escarneciam-n'O, dizendo: "Salve, Rei dos judeus!"
Depois cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça. »
 
• Despem Jesus, para o açoitarem com toda a crueldade. Fingem honrá-l’O, colocando sobre os Seus ombros um farrapo – talvez restos de uma clâmide que um legionário romano achava imprópria de si – e coroam-n’O de espinhos. Fazem de Jesus um rei de comédia, o alvo do ridículo, da máxima falta de respeito para com um ser humano.
Expia a falta de dignidade com que tratamos as pessoas, não respeitando em cada uma delas a imagem de Jesus Cristo.
Está em uso fingir que se honram as pessoas vilipendiando-as e tornando-as escravas pela moda, da degradação moral. Fazem-no a pretexto de falsos direitos que ocultam a intenção de explorar os mais fracos, os que não sabem ou não podem defender-se.
No uso dos povos, quando se quer degradar uma pessoa, desprezá-la e explorar a sua fraqueza, despem-na. Assim fazem a Jesus Cristo no pretório de Pilatos e voltarão a repeti-lo quando O pregarem na cruz.
Respeitemos as pessoas, não as devassando com o nosso olhar, não as explorando com o nosso pensamento. Vejamos em cada pessoa humana um filho de Deus chamado à felicidade eterna.
 
Ajudai-nos, Senhor, a respeitar a dignidade de cada pessoa pelos nossos pensamentos, palavras, olhares e atitudes.
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7ª ESTAÇÃO
 
JESUS É CARREGADO COM A CRUZ

 
«Levando a cruz, Jesus saiu para o chamado Lugar do Calvário, que em hebraico se diz Gólgota.
Disse Jesus: "Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por Minha causa, há-de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?"»
 
• Segundo uma tradição, o madeiro da cruz estava totalmente ligado ao braços abertos do Salvador por uma corda. É o símbolo de uma entrega sem restrições.
Toda a vocação exige de quem a abraça uma entrega total. Não se pode ser pai ou mãe de família, religioso ou religiosa, ou sacerdote a meias.
A vocação a que o Senhor chama cada um de nós torna-se o centro de toda a actividade. O trabalho e as outras ocupações do tempo convergem para este centro.
Faltam-nos hoje pessoas dedicadas à sua vocação a tempo inteiro, em cada caminho da terra.
Pensamos em Nossa Senhora e em S. José que abraçam a paternidade e a maternidade a sem restrições, colocando esta missão antes de tudo e as outras actividades ao serviço dela.
Quando têm de partir para Belém, não hesitam; ao fugir para o Egipto não duvidam, e quando regressam a Nazaré, fazem-no com toda a prudência, porque é a sua missão de pais de Jesus que está em jogo.
Por falta de entrega, criamos diversos centros de interesse da nossa ocupação do tempo os quais, porque não se encontram coordenados e centralizados, estorvam-se uns aos outros. Damo-nos a meias e desistimos facilmente ou descuramos o que é central na vocação.
Falta uma dedicação a tempo inteiro dos pais aos filhos e de cada um dos outros à sua vocação. Quando isto acontece, eles sabem estabelecer uma hierarquia de valores entre as diversas tarefas que têm de ultimar. 
Quando se trata da missão do sacerdote, também esta verdade aparece com clareza: o sacerdote a tempo inteiro, tendo diante dos olhos em cada momento a missão a que o Senhor o chamou é uma riqueza para a Igreja e uma alegria para os fiéis.
Não fujamos à cruz da vocação, enganando-nos com falsas metas que nos dispersam!
 
Dai-nos, Senhor, cristãos – sacerdotes – que abracem a cruz da vocação e a vivam a tempo inteiro!
 
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8ª ESTAÇÃO
 
JESUS É AJUDADO PELO CIRENEU

 
«Quando O conduziam, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para a levar atrás de Jesus.
Disse Jesus aos Seus discípulos:
"Vinde, benditos de Meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber...
Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes"».
 
• Há nos nossos dias muitas oportunidades de ser Cireneu, ajudando quem precisa. Não podemos pensar exclusivamente em socorros materiais.
Os que mais necessitam da nossa ajuda vivem, por vezes, em boas casas, passeiam-se em carros de marca de topo e ostentam um luxo que humilha os outros… mas não conseguem aguentar o peso da sua vida cristã.
Como poderemos aproximar-nos deles e delas para os aliviar do peso da cruz, ajudando-os a caminhar?
O primeiro passo é a disponibilidade interior para ajudar. O Cireneu terá reagido mal quando lhe disseram que Jesus precisava de ajuda. Depois, ao sentir o contacto da cruz do Mestre, encontrou a consolação e Deus acabou por abençoá-lo nos filhos Alexandre e Rufo, homens de relevo na igreja primitiva.
Num primeiro momento, ao constatarmos que alguém precisa da nossa ajuda, a reacção é de repugnância e fingir que não vemos a necessidade em que se encontra. Para ajudar é preciso sair de si, vencer a preguiça e o egoísmo. Depois.. quantas consolações esperam ao que se dá generosamente!
Neste passo compreendemos melhor a missão sacerdotal: cireneu de todos, acolhendo as suas confidências, iluminando-os com a palavra de Deus e ouvindo-os com paciência.
Nem ao menos espera que lhe agradeçam os serviços prestados. O sacerdote é tanto mais feliz quando a sua vida é um serviço a Jesus Cristo presente em cada pessoa.
 
Dai-nos, Senhor, muitos sacerdotes que se disponibilizem para nos ajudar a levar a cruz da vida!
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9ª ESTAÇÃO
 
JESUS ENCONTRA AS MULHERES DE JERUSALÉM

 
«Seguia-O uma grande multidão de povo e mulheres que batiam no peito e se lamentavam, chorando por Ele.
Mas Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes: "Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos... Porque se tratam assim a madeira verde, que acontecerá à seca?"»
 
• É um gesto de compaixão, o destas mulheres. Além disso imploram de Jesus a última bênção para as crianças que levantam nos braços.
Mas a advertência de Jesus deixa-nos imaginar que descuram o que está nas suas mãos: dar uma educação esmerada aos filhos, preparando-lhes uma vida na terra e uma eternidade feliz.
Será difícil ou mesmo impossível encontrar uma mãe ou pai que não reze pelos seus filhos e peça para eles as melhores bênçãos. Mas… fazem eles o que está ao seu alcance, educando-os com esmero nas virtudes humanas e na boa doutrina? Combatem os seus defeitos incipientes?
Ser amigo das pessoas não é o mesmo que estar sempre de acordo com  elas e satisfazer-lhes todos os caprichos. Isto é particularmente verdade, quando se trata da atitude de muitos pais para com os filhos.
É preciso coragem para as ajudar a ver o que está mal nas suas vidas e sugerir um caminho de emenda.
O sacerdote é, na Igreja, como um pai de família. Estamos à espera que ele fale sempre de acordo com os nossos gostos, mas irritamo-nos se, com a doutrina que prega, nos ajuda a rever as atitudes da vida.
E, no entanto, é com profunda amizade que o faz. Além disso, o fazê-lo exige espírito de sacrifício. O mais fácil é estar sempre de acordo com as pessoas. Sejamos mais compreensivos para com ele.
 
Concedei, Senhor, à Vossa Igreja, sacerdotes que nos anunciem a verdade e o amor, com coragem sobrenatural!
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10ª ESTAÇÃO
 
JESUS É CRUCIFICADO
 
«Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-n'O a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.
Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as Suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l'O.
Por cima da Sua cabeça puseram um letreiro, indicando a causa da Sua condenação: "Este é Jesus, o Rei dos judeus".»
 
• Crucificaram Jesus Cristo e também crucificam o sacerdote. Colocam-no entre os malfeitores, porque assumiu um estado de vida que há-de colidir com o pensar e a conduta de muitos e muitas.
Assistimos a um esforço hercúleo para o nivelar, retirar-lhe todo o carácter sagrado à sua missão, empurrando-o para uma vida profana e banal. Parece-nos ouvir gritar dos dois lados do caminho, quando o sacerdote passa: “É proibido ser diferente!”
O enfrentamento recrudesce de violência quando se fala do celibato por amor do Reino ds Céus. Ora se publicam escândalos, a  insinuar que, afinal, tudo é fingido, ora se batem, sem procuração de ninguém, pelo fim desta entrega generosa.
O celibato não é um imposto que se paga na Igreja para ser ordenado sacerdote. Encontramos aqui duas pedras preciosas encastoadas na mesma jóia: a eleição  do celibato por amor do Reino dos Céus, no seguimento de Jesus Cristo, de Nossa Senhora e uma multidão de pessoas; o chamamento a um serviço na Igreja feito entre os homens que lhe garantem terem recebido do Espírito Santo este dom.
Há muitas pessoas que optam pelo celibato por amor do Reino dos Céus, sem caminhar para o sacerdócio ministerial.
A Igreja romana decidiu, há muitos séculos, escolher os sacerdotes entre os que declaram que receberam o carisma do celibato. Por que o fará a a nossa Mãe? Talvez porque toma muito a sério a vocação ao matrimónio e o serviço sacerdotal. Cada um destes caminhos exige de quem o segue uma entrega sem restrições.
Queixam-se os casados de que lhes escasseia tempo para se dedicarem um ao outro e os dois aos filhos; e todos nós suspiramos por sacerdotes que se entreguem ao ministério a tempo inteiro.
 
Senhor, nós Vos agradecemos o dom de sacerdotes celibatários e Vos pedimos que os conserveis fiéis à sua entrega.
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11ª ESTAÇÃO
 
JESUS PROMETE O REINO AO BOM LADRÃO

 
«Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda.
Os que passavam insultavam-n'O e abanavam a cabeça, dizendo: "Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; se és o Filho de Deus, desce da cruz":
Entretanto, um dos malfeitores, que tinham sido crucificados insultava-O dizendo: "Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também".
Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: "Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício?
Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável". E acrescentou: "Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a Tua realeza".
Jesus respondeu-lhe: "Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso".»
 
• Um dos ministérios mais gratificantes na vida do sacerdote é o da Reconciliação e Penitência.
O primeiro a saborear esta consolação interior é o sacerdote, ao receber, ele mesmo, este Sacramento da alegria.
“Impersonando”  Cristo, facultando-lhe um rosto humano, também ele repete a cada uma das pessoas que se aproximam devidamente dispostas – seja qual a sua condição social ou doença espiritual diante de Deus – as palavras eficazes de Jesus:«Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».
Aqui, principalmente, palpamos o realismo do santo Cura d’Ars: “O sacerdote é o amor do Sagrado Coração de Jesus.”
É um trabalho silencioso, escondido, que não sofre com facilidade o desvio de qualquer motivação menos recta. Passa por ele uma verdadeira revolução de Amor em nossas cristandades.
Deus quer fazer depender dele a santidade de cada pessoa. Foi com esta arma que S. João Maria Vianney revolucionou Ars e muitas pessoas de outras terras.
 
Dai-nos, Senhor, muitos sacerdotes que se dediquem ao ministério da Reconciliação e Penitência, animando-nos nas fraquezas e guiando-nos nas hesitações que temos no caminho do Céu.
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12ª ESTAÇÃO
 
JESUS, NA  CRUZ, SUA MÃE E SEU DISCÍPULO

 
«Estavam junto à cruz de Jesus Sua Mãe, a irmã de Sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena.
Ao ver Sua Mãe e o discípulo que Ele amava, Jesus disse ao discípulo: "Eis a tua Mãe!”
E a partir daquele momento, o discípulo recebeu-A em sua casa.»
 
• Neste admirável testamento proclamado no alto da cruz, na hora da partida para o Pai, Jesus entrega a cada um de nós Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.
Ela é-o de modo especial para com o sacerdote. Cuidando dos seus filhos a tempo inteiro, recebe d’Ela ajuda e um carinho materno peculiar, porque – tal como diz o ditado – “quem meu filho beija, minha boca adoça.” E que outra é a vida do sacerdote, senão cuidar dos filhos de tão boa Mãe?
A devoção a Nossa Senhora é fundamental em todo o fiel, e especialmente na vida do sacerdote. Apoia-se nas devoções tradicionais tão recomendadas pela Igreja: o Terço, o Ângelus, a Consagração, as Três Ave Marias e as jaculatórias; e alimenta-se com uma procura constante do seu olhar, com a ajuda de imagens, quadros, etc.
No ministério pastoral na ajuda que desejamos prestar cada uma pessoa, a devoção a Nossa Senhora foi e será sempre o caminho mais fácil e seguro para chegar ao coração de Jesus Cristo.
Nisto se concretiza praticamente o levar Maria para nossa casa, vivendo continuamente na sua presença.
 
Mãe dos sacerdotes: protegei aqueles que o Vosso Filho escolheu para o ministério sacerdotal!
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13ª ESTAÇÃO
 
JESUS MORRE NA CRUZ

 
«Depois, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a escritura, Jesus disse: "Tenho sede". Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-no à boca.
Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: "Tudo está consumado".
Era já quase o meio dia, quando as trevas cobriram toda a terra, até às três horas da tarde, porque o sol se tinha eclipsado.
O véu do templo rasgou-se ao meio: E Jesus exclamou com voz forte: "Pai, em Tuas mãos entrego o Meu espírito ". Dito isto, expirou.»
 
• A morte de Jesus é uma proclamação da Sua fidelidade à vontade do Pai. Cumpriu até ao último pormenor o plano de salvação que Lhe entregou.
O autor da Carta aos Hebreus coloca nos seus lábios, ainda no ventre materno, estas palavras: «Eis-Me (aqui), ó Pai, para fazer a Vossa vontade!»
Por isso, no momento final da Sua vida terrena, Jesus pode exclamar: «Tudo está consumado».
Muitas pessoas têm a preocupação de sobressair, chamar a atenção pelo que dizem ou fazem. Para outros, o grande sonho é ter um monumento em sua honra.
O mais importante na vida não é o que fazemos, mas o amor com que o realizamos. Nesta perspectiva, também o morrer, o desaparecer para que apareça a glória de Cristo, pode ser o acto mais importante da vida.
No fim da nossa corrida terrena poderemos então exclamar em união com Jesus Cristo: «Pai, em Tuas mãos entrego o Meu espírito.»
 
Ensinai-nos, Senhor, a viver de tal modo que, acolhidos à Vossa misericórdia, nos encontremos com os braços do Pai no fim da nossa vida terrena.
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14ª ESTAÇÃO
 
JESUS É DEPOSTO NO SEPULCRO

 
«Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade e apareceram a muitos.
Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem. Entre elas encontravam-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus.
Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus: E Pilatos ordenou que lho entregassem. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu sepulcro novo que tinha mandado escavar na rocha.
Depois rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro, e retirou-se.»
 
•O termo desta vida na terra ensina-nos uma lição sublime: só sobrevive o que for realizado por amor, em tudo o que fizermos.
O que procuramos construir durante a vida será reduzido ao pó do esquecimento pela erosão do tempo. Só ficará em pé o amor de Deus com que fizermos as coisas.
Esta verdade é uma consolação para o sacerdote que passa pela vida silenciosamente, levando uma vida que não é valorizada pelas pessoas e, muitas vezes, olhada com admiração.
A glorificação humana de estátuas, ruas e praças dedicadas, e outros monumentos é ilusória. Se apagassem o nome da pessoa a quem estão dedicados, a maior parte passaria por ali sem saber de quem se trata... e mesmo com o nome escrito, os conhecimentos não vão muito mais além.
A honra e imortalidade que Deus oferece aos Seus eleitos, é imensamente maior.
 
Cremos firmemente que Jesus Cristo, depois de ter sido crucificado e morto, ressuscitou ao terceiro dia e subiu ao Céu. Amen!

 

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