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Curiosidades

O aplicativo que ajuda a encontrar missa ao redor do mundo: 138.000 igrejas em 245 países

Nasceu para ajudar a não perder uma Missa, e hoje também oferece igrejas que têm confissões e adorações ao redor do mundo em tempo real.

O que começou como uma iniciativa simples de um leigo argentino cresceu e se tornou o maior banco de dados de agendas de missas do mundo.

O aplicativo Mass Schedules reúne mais de 138.000 igrejas em 245 países e territórios, e já ultrapassou 40 milhões de visitas.

Nesta entrevista, o seu fundador, Pablo Licheri, explica como uma ferramenta tecnológica pode ajudar milhões de pessoas a encontrar uma igreja, a se aproximar da Eucaristia, a redescobrir a confissão, a participar na adoração eucarística ou a experimentar de forma concreta a universalidade da Igreja.

— Mass Schedules nasceu há 12 anos. Como surgiu a ideia de criar uma plataforma para ajudar católicos a encontrar uma Missa em qualquer lugar do mundo?

- Surgiu de uma combinação do desejo de criar uma startup que eu tinha em mente com o desejo de ajudar todos a se aproximarem da Eucaristia que o Senhor colocou no meu coração num retiro espiritual no qual o padre pregou sobre o valor infinito de cada Santa Missa, que é a coisa mais importante que podemos fazer todos os dias, Que é a coisa mais importante que acontece no mundo todos os dias. Achei que poderia usar a tecnologia para aproximar as almas deste presente maravilhoso que Deus nos deixou.

Inicialmente, dediquei alguns meses à ideia de transmitir a Santa Missa ao vivo 24 horas por dia por meio de um site que reúne transmissões de várias igrejas ao redor do mundo, mas um amigo sugeriu-me que mudasse para um aplicativo que aproximasse as pessoas da Missa mais próxima. Parecia muito mais viável para mim, e decidi fazer algo, sem grandes pretensões no começo, só querendo ser útil.

— Hoje, eles possuem mais de 138.000 igrejas em 245 países e territórios. Você já imaginou que este projeto acabaria por se tornar o maior banco de dados de horários de missas do mundo?

- De jeito nenhum. Quando comecei, o objetivo era muito mais modesto. Eu estava a pensar num recurso útil para a Argentina e talvez para alguns países da América Latina. O facto de estarmos presentes em todo o mundo hoje é algo que me ultrapassa completamente. Isso só pode ser explicado pela generosidade de muitas pessoas que se juntaram ao projeto e, claro, pela Providência divina, que às vezes tem um senso de humor surpreendente.

— Tem alguma estimativa de quantas pessoas conseguiram frequentar a Missa graças aos horários da Missa nestes anos?

- É muito difícil saber com precisão. Mas os dados de uso da plataforma apontam para mais de 40 milhões de consultas ao longo dos anos.

Mas o que mais importa para mim não é o número, e sim que por trás de cada consulta há uma pessoa que quis encontrar Cristo na Eucaristia. Se tivéssemos ajudado ao menos uma pessoa a não perder uma Missa que ela teria perdido, teria valido a pena.

Muitos católicos, quando viajam, acabam por desistir de ir à missa porque não sabem onde encontrar uma igreja. Você acha que remover esta dificuldade pode ter um impacto espiritual muito maior do que parece?

- Sim, e é algo que nos motiva muito. Atritos práticos têm consequências espirituais reais. Um católico que viaja, que está fora do seu ambiente habitual, que não conhece a cidade... Se você também precisa de se esforçar muito para encontrar uma igreja, é fácil para você não ir. E se for uma missa de domingo, então ele deve se confessar, isso aumenta muito as chances de ele parar de ir à missa nas semanas seguintes. Tentamos fazer este obstáculo desaparecer. Com o nosso aplicativo móvel, você pode viajar para qualquer lugar do mundo sem que a sua vida espiritual sofra. Ajudamos você a tirar férias com Deus em vez de férias de Deus!

Num momento em que se fala muito sobre inteligência artificial e grandes plataformas tecnológicas, você construiu uma ferramenta simples que responde a uma necessidade muito específica dos católicos. É um exemplo de como a tecnologia também pode evangelizar?

- Acho que sim, embora com uma ressalva importante: a tecnologia não evangeliza sozinha. O que ele faz é facilitar a reunião. Não convencemos ninguém a ir à Missa; Simplesmente dizemos onde fica a igreja mais próxima. O verdadeiro encontro acontece na Eucaristia, não na tela. Mas, neste sentido, sim: qualquer ferramenta que ajude uma pessoa a aproximar-se dos sacramentos tem uma dimensão evangelizadora. A simplicidade também é uma virtude. Nem tudo precisa de ser complexo para ser útil, pelo contrário.

— Que histórias mais te comoveram? Já recebeu testemunhos de pessoas que fundaram uma igreja, receberam um sacramento ou até redescobriram a fé graças aos Cronogramas da Missa?

- Sim, e são esses momentos que dão verdadeiro significado a esta obra. Lembro de mensagens de pessoas que estavam afastadas da fé por décadas e que, num momento de crise pessoal, nos disseram que, graças ao aplicativo, voltaram à confissão e foram à Missa.

Outra pessoa nos disse que decidiu entrar no seminário graças ao nosso aplicativo. Não sei como isso foi, mas as formas como meu Senhor decidiu são misteriosas!

Em milhares de e-mails que recebemos e mais de 50.000 avaliações 5 estrelas deixadas pelas lojas, eles deixam testemunhos de que o aplicativo "salvou a minha vida" em muitas ocasiões, como muitos me dizem.

— Os horários de missas só incorporam igrejas cujas informações foram verificadas por dioceses ou ordens religiosas?

- Não, as informações na maioria dos países foram enviadas pelos próprios usuários usando o mesmo aplicativo. É um banco de dados colaborativo, como o Openstreet Maps ou o Waze, onde os usuários se ajudam colaborando. Não pedimos nenhum esforço das dioceses ou paróquias. Claro, a colaboração deles é muito bem-vinda, e muitos se juntaram ativamente, porque percebem o número de pessoas que vêm à paróquia graças a este aplicativo.

— Além de encontrar uma missa, a plataforma ajuda a localizar os horários da confissão. Você percebeu um interesse crescente por este sacramento?

- Sim, e é um fenómeno que me deixa muito feliz. Os horários de culto também estão muito procurados ultimamente. As buscas relacionadas à confissão cresceram significativamente nos últimos anos, especialmente em certos períodos litúrgicos como a Quaresma ou antes das grandes festas.

Acredito que há uma sede de reconciliação e paz interior que as pessoas nem sempre sabem como saciar, e que quando encontram um caminho concreto – uma igreja, um horário, um padre disponível – elas o seguem. A confissão é um sacramento que transforma vidas, e ajudar a torná-la mais acessível é algo que nos enche de satisfação.

E quando você pode ir à missa num país com línguas e costumes muito diferentes, mas pode ver que a Santa Missa é a mesma, essa coisa da universidade te toca profundamente. Você se sente em casa, mesmo que não entenda o idioma. A Catolicidade da Igreja não é uma metáfora

O que você aprendeu pessoalmente sobre a Igreja depois de tantos anos ajudando milhões de pessoas a encontrar uma paróquia?

- Aprendi que a Igreja é muito maior, mais resiliente e mais viva do que às vezes percebemos do nosso entorno imediato. Vivemos em países onde o debate sobre secularização ocupa muito espaço, e às vezes isso nos faz perder de vista o facto de que, em outras partes do mundo, a fé está crescendo com uma vitalidade impressionante. Este projeto me deu uma perspectiva global que é ao mesmo tempo muito humilde e muito esperançosa. E também que cada um de nós pode ajudar do seu lugar, usando os dons que Deus nos deu, sem a necessidade de ir em missão para países distantes ou esperar alguém no Vaticano ou em algum lugar mágico resolver tudo.

Quando alguém abre o aplicativo num país desconhecido e descobre que, a poucos metros de distância, há uma igreja onde pode participar na Eucaristia, você acha que essa experiência torna a catolicidade da Igreja mais visível?

- É exatamente isso que eu mais gosto nos horários da Missa. Naquele momento, essa pessoa experimenta de forma concreta que não está sozinha, que pertence a algo que vai muito além de sua paróquia de origem ou do seu país. Que onde quer que ela esteja, há uma porta aberta e uma comunidade que a acolhe. Esta é a catolicidade feita diariamente. E a tecnologia, naquele momento, não passa de uma ponte para algo muito maior.

Qual papel você acha que os leigos devem desempenhar na evangelização digital?

- Um papel principal, e não apenas coadjuvante. Nós, leigos, somos aqueles que estamos no mundo, em ambientes digitais, em conversas do dia a dia. A evangelização digital não pode depender exclusivamente de instituições eclesiásticas: ela precisa de pessoas com iniciativa, com competência técnica, com fé e criatividade.

O que tentamos fazer com os Horários da Missa é, lá no fundo, isto: um leigo que vê uma necessidade, que tem alguns peixes e alguns pãezinhos, e que os coloca a serviço da Igreja sem esperar que ninguém lhe peça. E Deus faz a multiplicação milagrosa. Mas não do nada: pede que coloquemos o que temos para começar.

 

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