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Curiosidades

A Igreja e a síndrome do HIV

Dr. Frei Antonio Moser

Quando, em torno dos anos 80, foram notificados os primeiros casos da Síndrome do HIV, todos foram apanhados de surpresa. A surpresa veio logo seguida de uma certa indignação contra as pessoas contaminadas, pois, inicialmente, se associou o HIV com a prática do homossexualismo. Assim, não causa estranheza que também a Igreja tenha custado um pouco a acertar o passo com a nova realidade. Inclusive houve até declarações infelizes, na linha de associar a contaminação com um castigo de Deus.

Entretanto, não tardou muito a que a sociedade de um modo geral, e a Igreja de um modo particular, começassem a compreender de maneira diferente o problema, e passassem a assumir a única atitude condizente com a dignidade humana: a da acolhida dos factos, seguida de uma acção de apoio. Particularmente no que se refere à Igreja, além da atitude do próprio Jesus, que veio para os enfermos, ela encontrou luz em várias parábolas, sobretudo na do bom samaritano. Há situações em que não cabe fazer perguntas, mas unicamente tomar o ferido nos braços e tomar cuidado dele.

Entretanto, um pouco mais difícil foi passar da atitude de compreensão e compaixão, para a atitude de disponibilizar recursos para que fossem atendidas as necessidades concretas das vítimas do HIV, que, por sinal, se foram rapidamente tornando mais numerosas. No concreto disponibilizar recursos significa basicamente ao menos duas coisas: incentivar pessoas a se dedicarem à causa, e criar uma infra-estrutura. Isto não apenas em termos de prestar socorro aos que já estão debilitados pela doença, mas também aos que sabem estar infectados, mas que podem reorientar a sua vida, sobretudo encontrando forças para enfrentar os desafios próprios de quem se descobre em tal situação.

A título de exemplo, podemos falar do Centro Franciscano de Acolhimento Espiritual e Psicoterapêutico, em São Paulo, Brasil. Foi fundado por um frade que ao descobrir que estava contaminado não se deixou levar pelo desespero, mas venceu-se a si mesmo e, literalmente, serviu os seus irmãos até às últimas forças.

Em todo o processo podemos distinguir ao menos três etapas. A primeira é a do simples acolhimento, sem muitas perguntas, e sem qualquer tipo de juízo moralizante. A segunda etapa é aquela na qual a própria vítima começa a colocar ela mesma perguntas, para as quais não encontra resposta: por quê eu? Será que estou condenado a morrer? Devo abrir o jogo aos meus parentes e amigos? Esta segunda etapa costuma ser seguida de uma espécie de revolta contra tudo e contra todos. É talvez a fase mais "perigosa", no sentido de as vítimas, acometidas de desespero, sentirem como único conforto a "companhia" de outras pessoas contaminadas.

Se as duas primeiras etapas forem devidamente trabalhadas, abrem-se boas perspectivas para uma terceira etapa, que é aquela da reintegração na sociedade. A reintegração não depende nem só das vítimas, nem só da sociedade, mas de uma espécie de simbiose. Por outro lado, também não vem ao caso se a reintegração se dá por actividade física mais intensa ou menos intensa, mais duradoura, ou menos duradoura. O que importa é uma espécie de processo de reconciliação em que se põe termo a qualquer tipo de discriminação e de agressões mútuas.

Enfim, a terceira etapa é aquela na qual nada mais espanta, e onde passa a brilhar a esperança de uma vida nova, pouco importando se a morte venha a ocorrer com maior ou menor sofrimento, com maior ou menor rapidez: a serenidade esperançosa é uma espécie de sinal que brilha como no céu, como no caso de Noé: termina a maldição e passa a vigorar a bênção. É o começo de uma verdadeira ressurreição tanto para os que partem, quanto para os que ficam.

 

 

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