Ave Maria Imaculada... Rezai o Terço todos os dias... Mãe da Eucaristia, rogai por nós...Rainha da JAM, rogai por nós... Vinde, Espirito Santo... Jesus, Maria, eu amo-Vos, salvai almas!

Ano da Misericordia

O Santo Padre fala sobre a misericórdia numa entrevista

O Santo Padre fala sobre a misericórdia numa entrevista

 

"A questão da misericórdia, diz o Santo Padre ao editor da revista, o padre Antonio Rizzolo - acentua-se fortemente na vida da Igreja desde Paulo VI. Foi João Paulo II que a enfatizou fortemente com a Dives in Misericórdia, a canonização de Santa Faustina e a instituição da festa da Divina Misericórdia na Oitava de Páscoa”. Nesta linha, “senti que existe como que um desejo do Senhor de mostrar aos homens a sua misericórdia. Então, não é que me surgiu do nada, mas retomo uma tradição relativamente recente, embora sempre existiu. E percebi que era necessário fazer algo para continuar com esta tradição”.

"É óbvio que o mundo de hoje tem necessidade de misericórdia, precisa de compaixão, ou de padecer com”, continuou o Pontífice. "Estamos acostumados às más notícias, às notícias cruéis e às atrocidades maiores que ofendem o nome e a vida de Deus”, lamenta. “O mundo precisa descobrir que Deus é Pai, que tem misericórdia, que a crueldade não é o caminho. Cai-se na tentação de seguir uma linha dura, na tentação de enfatizar só as normas morais, mas quantas pessoas ficam fora!”, enfatiza.

"Veio-me à mente a imagem da Igreja como um hospital de campanha após a batalha; é a verdade: quantas pessoas feridas e destruídas! Os feridos são curados, ajudados e não submetidos a exames de colesterol. Acho que este é o momento da misericórdia", disse o papa. "Todos nós somos pecadores, todos temos pesos interiores. Senti que Jesus quer abrir a porta do Seu coração, que o Pai quer mostrar as suas entranhas de misericórdia, e, por isso, nos envia o Espírito: para mover-se e para mover-nos. É o ano do perdão, o ano da reconciliação”, reitera.

Questionado sobre a sua experiência pessoal da misericórdia divina, Francisco reconhece: “Sou pecador, me sinto pecador, tenho certeza de ser pecador; sou um pecador a quem o Senhor olhou com misericórdia. Sou, como eu disse aos presos na Bolívia, um homem perdoado. Sou um homem perdoado, Deus me olhou com misericórdia e me perdoou. Ainda cometo erros e pecados, e me confesso a cada quinze ou vinte dias. E se me confesso é porque preciso sentir que a misericórdia de Deus ainda está em mim”.

O Santo Padre recorda também que teve essa sensação de forma especial no dia 21 de Setembro de 1953, quanto sentiu a necessidade de entrar em uma igreja e confessar-se com um sacerdote que não conhecia e a partir de então a sua vida foi diferente; decidiu tornar-se sacerdote e aquele confessor, enfermo de leucemia, o acompanhou durante um ano. “Morreu no ano seguinte – relata -. Depois do funeral chorei amargamente, e senti-me totalmente perdido, como que com o temor de que Deus me tivesse abandonado. Este foi o momento em que me submergi na misericórdia de Deus e está muito unida ao meu lema episcopal: o dia 21 de Setembro é o dia de São Mateus, e Beda o Venerável, falando da conversão de Mateus, diz que Jesus olhou-o miserando atque elegendo”. “Trata-se de uma expressão impossível de traduzir, porque em italiano um dos dois verbos não tem gerúndio, nem sequer em espanhol. A tradução literal seria “misericordando e elegendo”, quase como um trabalho artesanal. “Misericordiou-o!”: esta é a tradução literal do texto”, indica.

"Muitos anos depois, recitando o breviário latino, achei esta leitura, lembrei-me de que o Senhor me tinha modelado artesanalmente com a Sua misericórdia. Cada vez que vinha a Roma, porque ficava hospedado na Via della Scrofa, ia até à Igreja de São Luis dos Franceses, para rezar diante do quadro de Caravaggio, sobre a Vocação de São Mateus”, diz.

Para o Papa, o Jubileu da Misericórdia também pode ser uma oportunidade para redescobrir a "maternidade" de Deus: "Ele mesmo o afirma quando diz em Isaías que se uma mãe se esquecesse do seu filho, também uma mãe pode esquecer... “eu, pelo contrário, não te esquecerei jamais”. Aqui se vê a dimensão materna de Deus. Nem todos compreendem quando se fala da “maternidade de Deus”, não é uma linguagem popular – no bom sentido da palavra – , parece uma linguagem um pouco escolhida; por isso prefiro usar a ternura, própria de uma mãe, a ternura de Deus, a ternura nasce das entranhas paternas. Deus é pai e mãe”.

Por fim, o Papa Francisco adverte que a descoberta de um Deus misericordioso traz uma mudança de atitude em relação aos outros. "Hoje, a revolução é a da ternura, porque daqui vem a justiça e todo o resto", afirma. "A revolução da ternura é aquela que hoje temos que cultivar como fruto deste ano da misericórdia: a ternura de Deus com cada um de nós. Cada um de nós deve dizer: “Sou um desgraçado, mas Deus me ama assim; então, também eu tenho que amar os outros da mesma forma”, esclarece. “Descobrir isso nos levará a ter uma atitude mais tolerante, mais paciente, mas terna”, conclui.

 

Consagração do mundo à Divina Misericórdia

Durante a sua viagem apostólica de 2002 à Polónia, o Papa João Paulo II consagrou solenemente o mundo à Divina Misericórdia. 17-08-2002

 

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

 

"Ó incompreensível e insondável Misericórdia de Deus,

Quem Te pode adorar e exaltar de modo digno?

Ó máximo símbolo de Deus Omnipotente,

Tu és a doce esperança dos pecadores".

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Repito hoje estas palavras, simples e sinceras, de Santa Faustina, para adorar juntamente com ela e com todos vós o mistério inconcebível e insondável da misericórdia de Deus. Como ela, queremos professar que não existe para o homem outra fonte de esperança, fora da misericórdia de Deus. Desejamos repetir com fé: Jesus, eu tenho confiança em Ti!

No nosso tempo, em que o homem se sente perdido face às numerosas manifestações do mal, temos particular necessidade deste anúncio que exprime a confiança no amor omnipotente de Deus. É preciso que a invocação da misericórdia de Deus surja do fundo dos corações repletos de sofrimento, de apreensão e de incerteza, mas que, ao mesmo tempo, procura uma fonte infalível de esperança.

Com os olhos da alma desejamos fixar o olhar de Jesus misericordioso para encontrar na profundidade deste olhar o reflexo da sua vida, assim como a luz da graça que já recebemos tantas vezes, e que Deus nos destina todos os dias e para o último dia.

4. "Mas vai chegar a hora e já chegou, em que os verdadeeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdadee, pois são esses os adoradores que o Pai deseja" (Jo 4, 23). É o Espírito Santo, Consolador e Espírito de Verdadee, que nos conduz pelos caminhos da Misericórdia Divina. Ele, convencerá o mundo "do pecado, da justiça e do juízo" (Jo 16, 8), ao mesmo tempo revela a plenitude da salvação em Cristo. … Por outro lado, o Espírito Santo permite-nos, sempre mediante a Cruz de Cristo, ver o pecado à luz do amor misericordioso e indulgente de Deus.

5. "Pai eterno, ofereço-Te o Corpo e o Sangue, a Alma e a divindade do teu dilectíssimo Filho e nosso Senhor Jesus Cristo, pelos nossos pecados e pelos pecados de todo o mundo; pela Sua dolorosa Paixão, tem piedade de nós e de todo o mundo" (Diário, 476, ed. it., pág. 193). De nós e do mundo inteiro... Quanta necessidade da misericórdia de Deus tem hoje o mundo! Em todos os continentes, do profundo do sofrimento humano, parece que se eleva a invocação da misericórdia. Onde predominam o ódio e a sede de vingança, onde a guerra causa o sofrimento e a morte dos inocentes, é necessária a graça da misericórdia para aplacar as mentes e os corações, e para fazer reinar a paz. Onde falta o respeito pela vida e pela dignidade do homem, é necessário o amor misericordioso de Deus, a cuja luz se manifesta o indescritível valor de cada ser humano. É necessária a misericórdia para fazer com que toda a injustiça no mundo encontre o seu fim no esplendor da verdadee.

Por isso hoje, neste Santuário, desejo confiar solenemente o mundo à Misericórdia Divina. Faço-o com o desejo ardente de que a mensagem do amor misericordioso de Deus, aqui proclamado por intermédio de Santa Faustina, chegue a todos os habitantes da terra e cumule os seus corações de esperança. Esta mensagem se difunda deste lugar em toda a nossa Pátria e no mundo. Oxalá se realize a firme promessa do Senhor Jesus: deve elevar-se deste lugar "a centelha que preparará o mundo para a sua última vinda" (cf. Diário, 1732, ed. it., pág. 568). É preciso acender esta centelha da graça de Deus. É necessário transmitir ao mundo este fogo da misericórdia. Na misericórdia de Deus o mundo encontrará a paz, e o homem a felicidade!

Confio-vos esta tarefa a vós, caríssimos Irmãos e Irmãs, à Igreja que se encontra em Cracóvia e na Polónia, e a todos os devotos da Misericórdia Divina, que aqui vierem da Polónia e do mundo inteiro. Sede testemunhas da misericórdia!

6. Deus, Pai misericordioso que revelaste o Teu amor no Teu Filho Jesus Cristo e o derramaste sobre nós no Espírito Santo, Consolador confiamos-te hoje o destino do mundo e de cada homem.

Inclina-te sobre nós, pecadores, cura a nossa debilidade, vence o mal, faz com que todos os habitantes da terra conheçam a tua misericórdia para que em Ti, Deus Uno e Trino, encontrem sempre a esperança.

Pai eterno pela dolorosa Paixão e Ressurreição do teu Filho tem misericórdia de nós e do mundo inteiro.

Amen!

 

O tema da misericórdia é central no Evangelho,pois dela o homem é extremamente necessitado. Jesus é cheio de misericórdia (cf. ti, 36; 19, 19-13; 12, 1-7) para com os necessitados que a Ele clamam (cf. 19, 27; 15, 22; 17, 15; 20, 30.34); e esta tem de ser a atitude do discípulo para obter a misericórdia divina (cf. 6, 14-15; 18, 23-35); e é pelas obras de misericórdia que todos hão-de ser julgados sem apelo (cf. 25, 31-46).

 

A flor e o oceano - João César das Neves

O Papa Francisco abriu o Jubileu da Misericórdia. Muitos falarão dela mas poucos se darão conta de quanto é única, invulgar, incomparável. Porque a misericórdia é uma flor muito delicada, rara e especial. Existem imitações, a clemência régia, a compaixão budista, a tolerância maçónica, mas falta-lhes a sublimidade de certos ingredientes subtis da misericórdia cristã.

Primeiro, é grande a distância entre misericórdia emotiva e a virtude da misericórdia. Todos, mesmo os mais impiedosos, sentem empatia e compreensão por alguém. Crianças, idosos, familiares, amigos, mesmo quando cometem os piores erros, suscitam indulgência. Isso tem pouco que ver com a verdadeeira misericórdia, pois essa é independente dos sentimentos. Certas discussões recentes na Igreja mostram a diferença.

Nos recentes sínodos sobre a família, muitos católicos progressistas apregoaram a necessidade da compaixão para com divorciados recasados, mães que abortam, homossexuais, etc. Mas esses mesmos estão disponíveis para meter nas mais profundas do inferno os fiéis conservadores e membros da Cúria, bem como capitalistas, financeiros, corruptos e poluidores, a quem detestam. Para estes pecadores não haverá remissão. Pelo seu lado os cristãos tradicionalistas são muito severos com os primeiros e benevolentes com os segundos.

É curioso que a discussão se centre nestes temas porque Jesus, a quem todos seguem devotamente, era conhecido por comer com prostitutas e publicanos, afirmando que eles "entrarão primeiro no Reino dos Céus" (Mt 21:31). Surgem aí precisamente os dois tipos de pecados das nossas disputas, o sexo e o dinheiro. Cada um dos grupos de fiéis tem dificuldade em desculpar um deles mas Cristo acolhia a todos. Porque Ele olhava não à simpatia do pecador, sempre discutível, ou ao horror praticado, sempre detestável, mas ao arrependimento da pessoa concreta que tinha diante, na sua fraqueza e miséria.

A segunda diferença é que a genuína misericórdia só é verdadeeiramente sentida pelos grandes culpados. Como disse Jesus da mulher pecadora: "São-lhe perdoados os seus muitos pecados porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama" (Lc 7:47).

O cardeal Bergoglio, antes de ser eleito Papa, explicou isso numa entrevista. "Há pessoas que se julgam justas, que de algum modo aceitam a catequese, a fé cristã, mas não têm a experiência de ter sido salvas. Uma coisa é contarem--nos que um rapaz estava a afogar-se no rio e uma pessoa atirou-se para o salvar, outra coisa é vermos isso e outra ainda é sermos nós a afogar-nos e vir outro atirar-se para nos salvar. Há pessoas a quem o contaram que não o viram, que não quiseram ver ou não quiseram saber o que se passava com essa criança, e tiveram sempre escapatórias tangenciais a uma situação de afogamento, e não têm, por isso, a experiência de saber o que isso é. Penso que só nós, os grandes pecadores, temos essa graça. Costumo dizer que a única glória que temos, como sublinha São Paulo, é sermos pecadores" (Rubin, S. e F. Ambrogetti (2013) Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio, Paulinas 2013, capítulo IX, p. 101-2).

É que isto gera o grande paradoxo da misericórdia. Neste texto o cardeal gloria-se de ser pecador. Claro que ele não se orgulha do mal que fez. Desse, ele está amargamente arrependido. O que o alegra, o que lhe dá glória, é a misericórdia divina. É o amor que sente de ter sido muito perdoado. É essa a contradição de haver "mais alegria no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão" (Lc 15:7).

A terceira caraterística desta flor tão invulgar parece a inversa da anterior: todos precisamos dela. Só os grandes culpados a sentem, mas todos a requerem. É isso que nos revela o episódio da mulher adúltera: «"Quem estiver sem pecado atire a primeira pedra"... Ao ouvirem isto, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos» (Jo 8: 7). Todos temos pecado suficientes para sermos condenados, e todos só sobrevivemos graças à infinita misericórdia divina.

Daqui sai o quarto ingrediente. Como "Deus é amor" (1Jo 4:8) a misericórdia divina é a base da realidadee. Todos, por pior que sejam os crimes, a recebem desde que se arrependam e convertam. A misericórdia, essa flor frágil e rara, é também o oceano infinito onde todos mergulhamos.

Uma só força vence a gloriosa misericórdia: a soberba. Esse é o terrível pecado dos fariseus: a cegueira de se sentir sem pecado, a arrogância de se fazer justo e juiz, a loucura de desdenhar a misericórdia.

 

A misericórdia é uma realidade

 

Francisco exorta os jovens a compreenderem que o amor de Deus pelo seu povo é como o de uma mãe ou de um pai pelo seu filho: um amor capaz de “criar dentro de mim espaço para o outro, sentir, sofrer e alegrar-me com o próximo”, um amor “fiel, que perdoa sempre”.

Por isso, na misericórdia está sempre incluído o perdão, porque não se trata de uma ideia abstrata, mas de uma realidadee concreta. Em Jesus, “tudo fala de misericórdia”, ou melhor “Ele próprio é misericórdia”, e a “síntese de todo o Evangelho” está nisto: “a alegria de Deus é perdoar”.

Confessionário, lugar da misericórdia

O Papa recorda a sua experiência juvenil quando, aos 17 anos, o encontro com um sacerdote, durante a Confissão, mudou a sua vida. Por isso ele convida os jovens a aproximarem-se deste Sacramento e explica que quando se abre o coração com humildade e transparência, pode-se contemplar de forma concreta a misericórdia de Deus.

O confessionário é “o lugar da misericórdia”, porque “o Senhor nos perdoa sempre” e olha-nos com um olhar de amor infinito, para além de todos os nossos pecados, limitações e fracassos.

Misericórdia não é bonomia nem sentimentalismo

A misericórdia não só se recebe, mas põe-se em prática. “Só seremos realmente felizes se entrarmos na lógica divina do dom, do amor gratuito, sem medida”.

A misericórdia não é bonomia nem mero sentimentalismo, então fica aqui uma proposta: escolher, entre Janeiro e Abril de 2016, mês da Páscoa Jovem, uma obra de misericórdia corporal e uma espiritual para pôr em prática em cada mês. A mensagem da Divina Misericórdia, é “um programa de vida muito concreto e exigente”, que implica obras, entre as quais perdoar que nos ofendeu.

Justiça e misericórdia caminham juntas

Num mundo em que os jovens se declaram cansados, no meio de tantas guerras e violência, a misericórdia é o único caminho para vencer o mal. A justiça é necessária, mas não suficiente, porque “justiça e misericórdia devem caminhar juntas”.

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