Irmã Chiara-Cristiana,
madre superiora das Clarissas da primeira comunidade no centro do Vaticano, contou: “Quando cheguei aqui encontrei a vocação na minha vocação: dar a vida pelo Santo Padre como Clarissa. Assim foi para todas as outras co-irmãs ”.
Madre M. Sofia confirma: “Nós, como Beneditinas, somos profundamente ligadas à Igreja universal, e sentimos portanto um grande amor pelo Papa, onde quer que estejamos. Certamente, ser chamadas tão próximas dele – inclusive fisicamente – neste mosteiro “original”, aprofundou o amor por ele. Procuramos transmiti-lo também aos nossos mosteiros de origem. Nós sabemos que somos chamadas a sermos mães espirituais na nossa vida oculta e no silêncio. Entre os nossos filhos espirituais ocupam um lugar privilegiado os sacerdotes e os seminaristas, e todos os que se dirigem a nós pedindo apoio para as suas vidas e o seu ministério sacerdotal, nas provas ou desesperos do caminho. A nossa vida quer ser “testemunho da fecundidade apostólica da vida contemplativa, em imitação de Maria Santíssima, que no mistério da Igreja se apresenta de maneira eminentemente singular como virgem e mãe” (cfr LG 63).
O SACERDOTE E A MÃE ESPIRITUAL
Para a actual situação da Igreja num mundo secularizado, onde com frequência se torna evidente uma crise de fé, o papa, os bispos, os sacerdotes e os crentes procuram uma solução. Nesta crise, torna-se cada vez mais visível que a verdadeira solução reside na renovação interior dos sacerdotes e, neste contexto, a chamada “maternidade espiritual dos sacerdotes” adquire um especial significado.
Através deste “ser mãe espiritual”, as mulheres e mães tomam parte da maternidade universal de Maria que, sendo Mãe do Eterno Sumo Sacerdote, é também Mãe de todos os sacerdotes de todos os tempos.
Se já na vida natural a criança é acolhida, dada à luz, alimentada e cuidada pela sua mãe, este pensamento muito mais se aplica à vida espiritual: por detrás de todos os sacerdotes encontra-se uma mãe espiritual, que suplicou a Deus a sua vocação, que os traz ao mundo entre dores espirituais e que os “alimenta”, oferecendo como dádiva a Deus tudo o que no decurso do dia faz, para que se tornem sacerdotes santos, sacerdotes fiéis à sua identidade específica e às suas funções específicas.
QUEM PODE SER MÃE ESPIRITUAL DOS SACERDOTES?
Para ser mãe espiritual de sacerdotes, uma mulher não precisa de ser mãe física de um sacerdote. Independentemente da idade e estrato social, todas as mulheres podem tornar-se mães espirituais dos sacerdotes, ou seja, mulheres solteiras, mães de família, viúvas, religiosas e consagradas e, sobretudo, aquelas que oferecem o seu sofrimento por amor. Até a uma criança que não sabia ler nem escrever, a bem-aventurada Jacinta de Fátima, agradeceu o próprio Papa João Paulo II, a 13 de Maio de 2000, pelo seu auxílio na sua vocação pastoral universal: “Exprimo também a minha gratidão à beata Jacinta pelos sacrifícios e orações que ofereceu pelo Santo Padre, que ela tinha visto em grande sofrimento.”
Naturalmente que os homens não ficam de forma alguma excluídos da ajuda pelas vocações e pela santificação dos sacerdotes; pois temos todos a vocação de colaborarmos neste processo! Neste tempo presente, é necessário mais do que nunca todo o nosso apoio para que os sacerdotes se santifiquem na fidelidade à sua vocação.
DE QUE FORMA A MÃE ESPIRITUAL AJUDA OS SACERDOTES?
Para quem se decidiu interiormente: “Desejo oferecer a minha vida inteira a Deus pela santificação dos sacerdotes!”, não é naturalmente possível estar sempre a pensar concretamente nesta maternidade espiritual. Isso é Jesus que assume, a quem, por exemplo, uma mãe de família oferece, como dádiva espiritual aos sacerdotes, o seu quotidiano, com todos os seus deveres e renúncias.
Até mesmo uma breve oração no momento da Sagrada Comunhão, feita deliberadamente por um sacerdote, é uma dádiva concreta; ou quando se passa em recolhimento uma hora junto de Deus, diante do Santíssimo, se reza o terço e se Lhe oferece este tempo de oração pelos sacerdotes, os quais, na actual falta de sacerdotes, estão tantas vezes sobrecarregados com tarefas pastorais e administrativas, que julgam não ter mais tempo para a oração pessoal e silenciosa.
Ajudas particularmente valiosas pela vida de um sacerdote são naturalmente os sacrifícios espirituais: quando uma mãe espiritual dos sacerdotes, por exemplo, renuncia deliberadamente a viver a experiência de se sentir amada por Deus ou a afastar-se da oração sem consolo, para que um sacerdote possa viver de forma sensível este amor e este consolo; ou quando suporta com amor a solidão e a aridez, humilhações e ofensas, provações e tentações do mundo, que também os sacerdotes muito bem conhecem, em seu lugar.
Também suportar uma doença ou uma dor física, no espírito da fé e com paciência, pode tornar-se uma preciosa fonte de graças para os sacerdotes.
Os comoventes exemplos de mães consagradas aos sacerdotes, descritos nesta brochura, devem encorajar-nos a acreditar, de forma muito mais viva, no poder da maternidade espiritual pelos sacerdotes, invisível mas inteiramente real.
Mostram que a oração e os sacrifícios ocultos feitos por amor e em atitude sobrenatural possuem um efeito poderoso e passível de ser sentido pelos sacerdotes.
CADA VOCAÇÃO SACERDOTAL PASSA PELO CORAÇÃO DE UMA MÃE! – S. PIO X
Cada sacerdote é precedido de uma mãe que não raro se tornou também mãe para a vida espiritual dos seus filhos. Giuseppe Sarto, por exemplo, o futuro Papa Pio X, logo após a sua consagração como bispo, visitou a sua mãe septuagenária.
Respeitosamente, beijou o anel do seu filho, mas logo após ficou repentinamente pensativa e mostrou a Giuseppe a sua aliança de casamento em prata e gasta pelo trabalho: “É verdade, Seppi, mas não usarias hoje o teu anel se eu não tivesse primeiro usado a minha aliança.” Ao que Pio X retorquiu, confirmando: “Toda a vocação sacerdotal brota do coração de Deus, mas passa pelo coração de uma mãe!”