MENINO JESUS DE PRAGA

 

A devoção a Jesus assumiu muitas formas através da história. Uma das novidades mais conhecidas é a do presépio, ligada a São Francisco de Assis.
A devoção ao Menino Jesus de Praga constitui uma das formas da devoção a Jesus considerada entre as mais importantes na Igreja.
Nasceu em Praga, hoje capital de República Tcheca, em 1628, no Convento dos Carmelitas Descalços, que passava por sérias dificuldades. Movida de compaixão, a princesa Polyxena de Lobkowitz decidiu presentear os religiosos carmelitas com uma escultura bastante especial: o Menino Jesus, já um pouco crescidinho, vestido com trajes de príncipe. Numa das mãos trazia um globo, representando o mundo inteiro; na outra, apresentava um sinal de bênção, com os dedos indicador e médio levantados, no estilo das imagens sacras orientais. Entretanto, o detalhe mais encantador da imagem era o sorriso franco e cheio de amor estampado no rosto do Menino Deus.

A princesa Polyxena de Lobkowitz era uma das senhoras mais distintas e piedosas do seu tempo, conhecedora da voluntária pobreza em que viviam os Padres Carmelitas e da grande estima que o povo cristão lhes tributava depois da miraculosa vitória da Montanha Branca, obtida pelas orações do Venerável P. Domingos. Possuía, entre as suas lembranças de família, a imagem do Menino Jesus, que sua mãe, princesa Hanrique de Lara (da família real de Espanha), lhe tinha oferecido como o mais valioso presente do casamento; ela, por sua vez, tinha-a recebido de Santa Teresa de Jesus.
Em 1628, esta piedosa princesa, como que impelida por uma força superior, compreende que deve desprender-se daquela prenda querida e entregá-la aos Padres Carmelitas, que ficariam como os seus melhores e mais devotos custódios. Apresenta-se de facto no convento, e diante de toda a Comunidade, entrega ao Rev.mo Padre Prior, venerável Fr. João Luís da Assunção, a belíssima imagem, dizendo-lhe:
«Meu Padre, eu vos dou o que tenho de mais querido. Honrai esta imagem do Menino Deus e nada vos faltará».
A imagem foi exposta à veneração dos religiosos no coro-oratório, onde tinham lugar os actos piedosos da Comunidade.
As palavras da augusta dadora verificaram-se à risca. Deus prodigalizou as suas graças ao convento que possuía o Divino Menino: nunca lhes faltou o necessário; foi cumulado de bênçãos espirituais e temporais enquanto ali preservou a devoção ao Menino Jesus.