Ataques de pânico: o que são e como lidar com eles

Ataques de pânico: o que são e como lidar com eles

 

Os sintomas parecem assustadores, mas compreendê-los pode ajudar a superá-los

Todos nós já ouvimos falar de ataques de pânico. Talvez um amigo ou membro da família os tenha tido, ou talvez tu te perguntes se já tiveste.

Mas, o que é um ataque de pânico? Como podes lidar com ele ou ajudar alguém que tu amas a lidar com isto?

Francesco Vincelli – psicólogo, psicoterapeuta e professor italiano – dá uma resposta num artigo recente publicado numa revista italiana, BenEssere, la salute con l’anima. Aqui estão algumas das principais ideias e sugestões.

O que é um ataque de pânico?

Entre a ampla gama de transtornos de ansiedade, os ataques de pânico distinguem-se pelo seu início repentino e pela dissonância emocional generalizada que criam. Consistem no súbito aparecimento de medo intenso que atinge o seu pico em apenas alguns instantes, durante os quais tu sofres uma combinação particular de sintomas físicos e cognitivos, que variam um pouco de pessoa para pessoa.

Sintomas físicos

Entre os sintomas mais comuns estão palpitações cardíacas, transpiração, dores no peito e sensação de sufocamento, que muitas vezes levam as pessoas a procurar assistência médica de emergência, porque estes sintomas podem fazer com que as pessoas pensem que estão a ter um ataque cardíaco. Outros sintomas comuns incluem desconforto abdominal, vertigem e formigueiro generalizado, sensação de formigueiro, calafrios ou ondas de calor.

Sintomas psicológicos

Os sintomas psicológicos de um ataque de pânico incluem um medo esmagador de perder o controle ou de “enlouquecer”, e um medo de morte iminente. Sofredores de um ataque de pânico também podem experimentar um sentimento de irrealidade ou desapego, o que os faz sentir como se as pessoas e coisas ao seu redor fossem irreais, estranhas ou deformadas, como se estivessem num sonho; elas também podem ter uma autopercepção alterada, como se elas próprias – ou a totalidade ou parte do seu corpo – fossem irreais ou desligadas da sua consciência. Os nomes técnicos para estes sentimentos são “desrealização” e “despersonalização”.

Um ataque de pânico pode seguir um estado de tranquilidade emocional ou de ansiedade, e quando o ataque termina, a pessoa pode voltar a qualquer estado. A maioria das pessoas que tiveram um ataque de pânico descrevem o primeiro como sendo um relâmpago num céu azul, acontecendo sem qualquer aviso. No entanto, quando olham para as semanas ou meses anteriores, muitas vezes podem identificar algum evento estressante na sua vida ou ambiente, muitas vezes relacionado com problemas interpessoais (no trabalho, na família ou no relacionamento amoroso) ou a doenças ou luto. Algumas pessoas só têm um ataque de pânico; outros experimentam-nos ocasionalmente ou com frequência.

O medo do medo

Neste último caso, o sistema natural de “alerta” de tais pessoas torna-se permanentemente activo, criando um “medo do medo”; eles estão constantemente aterrorizados com a possibilidade de outro ataque de pânico. Esta condição em si predispõe fortemente a outras manifestações de intensa ansiedade, criando um ciclo de feedback negativo.

Agorafobia

A experiência de um ataque de pânico é muitas vezes complicada, segundo Vincelli, pelo aparecimento da agorafobia, um distúrbio que leva o nome da palavra grega “agora”, um espaço público aberto.

A agorafobia consiste num grande medo ou ansiedade relacionada a estar em certos lugares ou situações, como andar em transporte particular ou público; estar em espaços abertos ou fechados; esperar numa fila; estar numa multidão; ou apenas sair de casa sozinho. As pessoas que tiveram ataques de pânico evitam situações em que pode ser difícil para elas escaparem ou onde não teriam acesso para ter ajuda se tivessem outro ataque de pânico ou algum outro problema que pudesse fazê-las sentirem vergonha, como vomitando ou sendo incontinente.

A agorafobia, nas suas formas mais intensas, pode limitar significativamente a vida social e profissional de uma pessoa; algumas pessoas acabam por ficar em casa, ou tendo uma necessidade absoluta de um companheiro para enfrentar o mundo exterior – o chamado “companheiro de fobia” – sem as quais se sentiriam perdidas e incapazes de enfrentar as situações que desencadeiam a sua fobia.

Conselhos para aqueles que sofrem de ataques de pânico

Que conselho o autor dá aos que sofrem de ataques de pânico? Acima de tudo, explica Vincelli, é importante tornar-se mais consciente dos estressores que põem em risco o nosso equilíbrio psicológico, sejam esses estressores passados ​​ou presentes. E aponta que os ataques de pânico são situações temporárias que geralmente duram cerca de 10 minutos, e durante os quais os sintomas físicos não são o resultado de uma doença biológica, mas são canais para descarregar a tensão psicológica acumulada. Entender a natureza e a origem do que está a acontecer pode ajudar a reduzir o estresse, a ansiedade e o medo.

Pessoas que sofrem de um ataque de pânico podem beneficiar de um esforço para respirar mais lenta e profundamente, porque a respiração curta e superficial comum durante um ataque de pânico piora os sintomas físicos, o que aumenta a ansiedade. Também pode ser útil desviar a atenção do próprio corpo e concentrar-se no ambiente externo, de modo a deter a espiral descendente de ansiedade que se alimenta dos sintomas físicos.

Ao lidar com ataques de pânico, especialmente se você os tiver frequentemente, é vitalmente importante procurar ajuda profissional. Um psicoterapeuta pode fornecer a medicação apropriada e a psicoterapia necessária para ajudar o paciente a entender os mecanismos da ansiedade e ensiná-los técnicas comportamentais para ajudá-los a enfrentar a ansiedade com mais sucesso.

Sofrer ataques de pânico não é inevitável, nem eles têm que durar para sempre. Um ataque de pânico é um estado psicológico transitório, composto de pensamentos e comportamentos irracionais que, com a devida ajuda, podemos aprender a superar.