«Os nossos Catequistas»

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Juntamente com outras vocações na vida da Igreja, sobressai a vocação do catequista tão vital para a comunidade eclesial.
A catequese é um carisma e um ministério na Igreja. Uma força divina conferida a alguém em vista das necessidades de uma comunidade; é um ministério porque a missão que o catequista assume em forma de serviço à comunidade provém de vocação, de chamamento. A missão é exercida em nome de Deus, da Igreja e da comunidade.
Quando falo de catequistas, não penso exclusivamente nas comunidades eclesiais reunidas nas igrejas paroquiais, capelas filiais ou de colégios, mas sim em todos e todas as catequistas que, nos lugares, reúnem crianças, jovens ou adultos para lhes abrir os ouvidos e os olhos para a Palavra de Deus, suscitando-lhes a fé, a esperança e a caridade.
Um dia, no Brasil, houve um encontro de serviço com o papa João Paulo II, juntamente com outros três bispos: falavam da ajuda das coroinhas femininas, recentemente reconhecidas como válidas para o serviço das celebrações litúrgicas. Um dos interlocutores não se mostrava favorável a esta admissão. O papa interrompeu-o, com voz vibrante e muita convicção: “Não nos podemos esquecer que a fé cristã sobreviveu aos setenta anos de regime comunista na Rússia graças às mães e avós que ensinavam os pequeninos e os reuniam cada domingo para a lembrança do dia do Senhor que em todo mundo cristão é oferecido o sacrifício de Cristo na cruz durante a missa. As avós ou mães repassavam o tempo litúrgico e as partes da missa. Quando chegado o tempo que seria da consagração, exortavam os assistentes a um silêncio, pois não tinham a presença do sacerdote ordenado a fim de presidir a Eucaristia. Depois, prosseguiam.”
Toda a comunidade cristã tem a responsabilidade de manter acesa a chama da catequese que vem de Cristo Jesus, destinada a iluminar todo o homem que vem a este mundo. Pelo sacramento do matrimónio os pais recebem a graça e a responsabilidade de serem os primeiros catequistas dos seus filhos. Mesmo diante dos desafios actuais da família, ela é chamada a dar os primeiros passos na educação da fé dos filhos. Espera-se que seja no quotidiano do lar, na harmonia e aconchego, mas também nos limites e fracassos, que os filhos experimentem a alegria da proximidade de Deus através dos pais. A experiência cristã positiva vivida no ambiente familiar é uma marca decisiva para a vida do cristão. A própria vida familiar deve-se tornar itinerário de fé e escola de vida cristã.
Repercute sempre no coração da Igreja, espalhada pelo mundo inteiro, e particularmente nas nossas comunidades eclesiais a voz de Cristo Jesus antes da ascensão aos céus: “Ide, pois, fazei discípulos entre todas as nações, e baptizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,18-20).
A fonte inspiradora da formação de catequistas é Jesus Cristo: “Vinde e vede” (Jo 1,39). Ele propõe maior profundidade, mais audácia no compromisso: “Avançai para águas mais profundas” (Lc 5,4). É ele mesmo que se apresenta como Mestre, Educador e Servidor: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13, 14).
Jesus deixou bem claro que não bastam palcos, bons programas televisivos, é essencial o testemunho pessoal para transmitir a boa nova, o evangelho. Paulo VI adverte na exortação apostólica Evangelii Nuntiandi 21: “A Boa Nova proclamada pelo testemunho da vida deverá, mais cedo ou mais tarde, ser proclamada pela palavra de vida. Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados”.