O que é a formação da Consciência Moral?

 

O que é a formação da Consciência Moral? 

 

Formar a consciência é educar os sentidos e atitudes, visando alcançar as virtudes

Numa definição com base nos ensinamentos da Igreja, a “consciência é o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus,” afirma a Constituição Pastoral Gaudium et Spes.

Para a psicologia, a consciência em si, refere-se à excitabilidade do sistema nervoso central aos estímulos externos e internos sob o ponto de vista quantitativo e, também, à capacidade de integração harmoniosa desses estímulos internos e externos, passados e presentes, sob o ponto de vista qualitativo. A consciência, em termos psicanalíticos, é o conjunto de mecanismo psíquicos que se põem à expressão das pulsões primárias. A primeira forma de consciência passa pelas interdições parentais recalcadas pela criança, e consequente formação do superego.

O termo consciência, no seu sentido moral, é uma habilidade e a capacidade que uma pessoa possui de ter uma intuição ou julgamento do intelecto que distingue o certo do errado. Juízos morais deste tipo podem reflectir valores ou normas sociais, ou seja, princípios e regras.

A pessoa, mesmo sabendo que uma determinada postura é errada, toma atitudes que vão contra as regras, princípios e valores de uma instituição ou até da família; e assim, continua a cometer erros, mas não por falta de informação ou conhecimento. E, muitas vezes, justificamos os nossos erros com os erros dos outros; e desistimos da verdade muito facilmente! Contudo, é preciso deixar ser guiado pela voz da consciência e tal processo é uma crescente.

Na Palavra de Deus, São Paulo ao escrever ao Coríntios alerta: “Más companhias corrompem bons costumes” (Cf: 1Cor 15,33). Sobretudo, a Palavra de Deus, um bom director espiritual, um confessor e até um especialista como psicólogo, são instrumentos que ajudam na boa formação da consciência.

Ninguém é capaz de viver sozinho em sociedade; dependemos uns dos outros. Porém, para viver em sociedade, numa comunidade, é preciso observar as leis e as regras, e todos devem segui-las para o bem comum.

Dignidade da consciência moral

Para os cristãos católicos, a Igreja indica caminhos para uma boa formação da consciência moral. Assim, encontramos na Constituição Pastoral Gaudim Et Spes: “Pela fidelidade à voz da consciência, os cristãos estão unidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social. Quanto mais, portanto, prevalecer a recta consciência, tanto mais as pessoas e os grupos estarão longe da arbitrariedade cega e procurarão conformar-se com as normas objectivas da moralidade” (GS 16).

O Padre Francisco Faus, sacerdote da Obra Opus Dei, diz que, “para educar a consciência é necessário tomar quatro atitudes”.

Primeira: Com o conhecimento da Palavra de Deus, – luz para o nosso caminho – que deve ser assimilada na fé e na oração. Com o exame da nossa consciência, confrontado com Cristo, o seu amor, a sua Cruz. Tomando como guia o ensinamento autorizado da Igreja. Acolhendo o exemplo e os conselhos de outros. E invocando a assistência do Espírito Santo (cf. CCE n. 1785).

Segunda: Com a luta ascética para avançar nas virtudes, especialmente na virtude da caridade. Não é suficiente o conhecimento. São Tomás diz que é indispensável uma espécie de – conaturalidade [sintonia experimental] entre o homem e o verdadeiro bem – (S.Th. II-II, q.45, a.2; e VS n. 64). O que Camões chamaria “saber de experiência feito”. O bem só pode ser bem “conhecido” quando praticado e saboreado: então a alma abre-se aos dons do Espírito Santo, que iluminam e aquecem.

Terceira: Lutando seriamente contra as justificativas que o orgulho sempre quer apresentar; contra a falta de sinceridade com quem nos pode orientar; contra a vergonha de nos abrirmos na confissão, etc.

Quarta: Lutando contra a cegueira causada pela tibieza e o hábito do pecado. Não sabes que és cego (…), diz Cristo ao tíbio, no Apocalipse (Ap 3,17). A consciência erra, diz também a Constituição Pastoral Gaudium et spes, – quando a consciência se torna quase cega em consequência do hábito do pecado – (n. 16). E, o Catecismo desenvolve este pensamento: O servilismo às paixões, a pretensão de uma mal entendida autonomia da consciência [orgulho] (…), a falta de conversão ou de caridade, podem estar na origem dos desvios do julgamento na conduta moral (n. 1792).

Toda a pessoa é capaz de fazer boas escolhas. É preciso estar atento para que não destruamos os bons relacionamentos e não percamos a confiança uns nos outros. Que possamos buscar a luz da Palavra de Deus, por meio da leitura da vida dos santos e com o auxílio de um bom director espiritual, e assim, formar a nossa consciência moral.