Infância, juventude, maturidade, a soma virtuosa da vida do homem

 

Infância, mocidade, maturidade, a soma virtuosa da vida do homem!

 

Se nos fosse dado escolher a idade para fixar a vida, o que escolheríamos? A infância? A juventude? A maturidade? Ou a velhice? Ou viver cento e tantos anos?

Uma ajuda:

“A criança sonha com o maravilhoso: é fraca, débil, pequenina, mas é pura. Então, o puro e o maravilhoso são próprios do menino”.

“Depois começa a maturidade. Com ela perdem-se o idealismo e o élan. A força é uma força de estabilidade, de fixação.

A pessoa vê a realidade mais concreta, manda, governa. Já não tem a força de um soldado de vanguarda, mas tem o vigor de um general”.

Mais tarde vem a velhice. É outra forma de sabedoria. Ou o contrário? Se mal vivida, pode ser o oposto:

 “Nada é nada. O meu egoísmo é tudo. Fico chupando a minha boca vazia de dentes, tolerando a minha cabeça vazia de ideias, carregando os meus olhos vazios de luz e os meus ouvidos vazios de som.”

Mas tudo se inicia na infância:

 “Uma boa criança tem uma forma de abertura de alma por onde ela é muito pouco interesseira.

É desinteressada, é meiga, é afável; com facilidade dá o que tem.

Toda a criança boa faz pequenos desenhos que procura dar aos outros.

Tem um senso de admiração muito grande em relação aos mais velhos.

Procura vê-los sob os melhores aspectos e encanta-se com estes aspectos”.

 “A criança boa é movida pelo princípio de que a vida dá certo, e de que vale a pena viver porque é algo grande. Embora tenha sofrimentos, tudo no fim tem a sua explicação, e ela é verdadeira. O aborto é o zero!”

 “Resulta daí aquela espécie de optimismo que caracteriza a criança. Ela é cheia de esperança, crê com facilidade no que lhe contam, e é toda voltada para entregar-se, para servir, para admirar.

“Por causa das graças do baptismo, a infância é um apogeu. Trata-se de saber se a vida do homem cresce depois de apogeu em apogeu, até à ancianidade, ou se ele tem ‘desapogeus’…

 “Como diz uma oração a Nossa Senhora, ‘Vós tendes os vossos desígnios em relação a mim’.

 “Depois vem o jovem. Puro, já não ouso afirmar, mas é idealista, forte, romântico, amoroso. As más tendências entram com o romântico e o amoroso.

 “É a trajectória de uma vida. É uma luta de classes de uma época contra outra da vida.

Essa concepção [errada, de luta de classes] faz parte do evolucionismo, que é sempre a destruição de uma coisa em nome da outra, dando a isto o nome de continuidade, embora sendo a descontinuidade por excelência.”

Portanto, as idades não se opõem, elas somam-se!