Como superar o sentimento de culpa durante o luto

 

Como superar o sentimento de culpa durante o luto 

 

O luto saboreado ajuda a superar os transtornos e as tristezas da sempre dolorosa perda de alguém querido

 

Não existe nenhuma pessoa, que não tenha passado pela experiência da perda de um ente querido. Esta é uma experiência humana e profundamente dolorosa.

Diante da morte, as reações são absolutamente únicas. Alguns tentam ignorar a tristeza, outros acabam por se fechar em si mesmos. Existem ainda os que reprimem a dor. Nada disso adianta! A dor é real e precisa de ser corretamente vivida.

O luto é o tempo de que precisamos para retomar a nossa vida. É um tempo difícil, mas muito importante. Muitas vezes, a pessoa sente um misto de emoções: revolta, tristeza, conformismo, raiva, angústia e indignação. É normal misturar sentimentos. O coração não é uma mesa com várias gavetinhas onde separamos sentimentos, emoções e outros bichos. Por isso, é preciso aprender a desabafar em Deus, mostrando-Lhe o coração ferido e magoado.

Fiz pelo falecido tudo o que estava ao meu alcance?

O luto saboreado ajuda a superar também as situações que ficaram sem solução. Não é incomum a pessoa perguntar-se: Fiz pelo falecido tudo o que estava ao meu alcance? Será que poderia ter feito de modo diferente? Por que não fiquei mais tempo a seu lado?

O triste destas – inevitáveis – perguntas é que a pessoa acaba por se autocondenar sempre. Com isto, tenta achar uma desculpa ou uma justificativa. Alguns chegam a pensar que foram os culpados pela morte ou pela doença da pessoa. Outros passam o resto da vida a tentar encontrar os porquês.

E se houver culpa?

Se houve culpa ou negligência, agora é hora de se apresentar diante de Deus, com as suas dores e tristezas, mas, acima de tudo, com o coração confiante de que Ele é misericordioso e poderoso o suficiente para curar o seu coração ferido e magoado. Deus não nos condena, e a pessoa falecida também não. A morte purifica tudo, inclusive as imperfeições dos nossos relacionamentos.

Muitas vezes, uma boa confissão ajuda bastante nestas horas. Diante de um sacerdote, abra o seu coração ferido. Não tenha medo de reconhecer a sua culpa. Entregue a pessoa falecida a Deus. Fale com o sacerdote sobre as dificuldades de relacionamento que tinha, sobre os pecados partilhados, as palavras pesadas e omissões, e também sobre tudo o que acha que ficou a dever ao ente querido.

Quando tenho a certeza de que o meu falecido está em Deus, então não posso temer nenhuma conta a pagar. Quem está em Deus está livre. Nenhuma ofensa atinge aquele que está no coração de Deus, porque quem morre no Senhor chega à sua plenitude. Agora, do coração de Deus a pessoa vê com os olhos iluminados pela graça e compreende os motivos pelos quais agiu ou deixou de agir. Ao encontrar Deus, na plenitude da vida, tudo o que era imperfeito será purificado.

É necessário saborear o luto

O luto saboreado ajuda a superar os transtornos e as tristezas da sempre dolorosa perda de alguém querido.

Pena que muitos não pratiquem mais nenhum ritual de luto. Tudo aparenta ser normal. Parece que nada mudou. No íntimo, todos sentem a perda. Precisamos de saborear as etapas próprias do luto.

Velório, sepultamento, silêncio, missa de sétimo dia, de um mês, de um ano. Durante os primeiros dias, reservamo-nos para acolher melhor a dor da perda. Não adianta tomar remédio para amenizá-la; ela não deve ser amenizada, mas sentida, saboreada de forma madura e equilibrada.