Um casal… como as outras?

Amor, confiança, fidelidade, firmeza, providência, simplicidade

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Vocês estão loucos! Sem trabalho, sem dinheiro, sem casa!
— Não vês que só tens vinte anos?
— Mas se vocês ainda estão a estudar!
— E se tiverem um filho?
Tínhamos vinte e três e vinte anos. Será que nessa idade se é demasiado jovem para casar? A nossa vontade não brotava do desejo momentâneo. Tinha crescido com os anos, desde que descobríramos, ainda adolescentes, que qualquer coisa de especial nos unia. Cresceu à medida que aprendemos, à nossa custa, que o verdadeiro amor não nos tira a liberdade; quando falávamos horas a fio sobre os nosso conflitos e as nossas diferenças; quando enfrentávamos longas separações, aprendendo a dar valor à riqueza da fidelidade no amor; também quando rezávamos juntos e reuníamos coragem para perdoar e esquecer ou quando optámos pela castidade, porque acreditávamos que o sexo precisa de maturidade e compromisso para se desenvolver plenamente. Além disso, fomos sempre crescendo, visto que nos preocupávamos mais com os problemas dos outros do que com os nossos.
Tínhamos percorrido esse caminho com bastante esforço; agora a meta, esse caminho comum que construíamos com Cristo, já estava próxima. Mas..., que se está a passar? Que são todos estes obstáculos que nos impedem de cruzá-la? Eram obstáculos tais como a falta de rendimentos fixos, a falta de casa, não ter com que adquiri-la e prepará-la: era a «insegurança» total que detinha a muitos.
Nós, após a primeira surpresa, parámos um momento e olhámos à nossa volta: queremos ser como eles? Já temos o mais importante: confiamos plenamente na providência, O nosso amor passou por provas difíceis e é forte; optámos pela simplicidade. De que precisamos, verdadeiramente? De um tecto. Podemos alugá-lo. Será modesto, mas proteger-nos-á igualmente. Dinheiro para comer. Já temos trabalhado no Verão, certamente nos vão conceder uma bolsa. Sabes? Julgo que com este equipamento podemos cruzar a meta. O risco não nos assusta, porque sabemos que Deus nos ama.
E cruzámos a meta. Casámo-nos há três anos. Tivemos pingas lá em casa e passámos um certo frio durante o Inverno. Renovámos muito pouco o nosso guarda-roupa e a nossa comida era simples, mas fomos imensamente felizes. Travámos amizade com muita gente simples. Terminámos os estudos e a amiga providência divina em breve nos arranjou trabalho.
Embora não saibamos o que nos trará a vida, destes primeiros anos de matrimónio conservamos a fortaleza, a alegria e a esperança, que recebemos como garantia de futuro. Por tudo isso, continuamos a dar graças a Deus.
MARIA GLÓRIA