Jovem sindicalista

Mundo operário, evangelização, Cristo, religião, compromisso

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Vivíamos seis em duas divisões. Que poderia fazer em tão pouco espaço ao voltar da fábrica? A tarde entretinha-me a percorrer as ruas, de um lado para o outro.
Tinha dezassete anos. Detinha-me nos largos da minha terra a conversar com as raparigas, via algum filme, tomava uns copos no bar.
Foi precisamente enquanto assim vivia que senti uma chamada. Um jovem que tinha a ajuda de uma coisa a que chamava JOC disse-me certo dia: «Roger, convido-te para a nossa Assembleia-geral». Ali vi alguns jovens que tomavam a palavra; eram rapazes operários, como eu. Era inacreditável. Diziam que era possível mudar as coisas na nossa vida de operários. Utilizavam palavras que eu entendia perfeitamente. Naquela tarde uni-me à luta operária. Diga-se, ainda, que ali se respirava um ambiente sagrado. Havia cânticos que me impressionaram. «Orgulha-te, operário. Sem ti, que seria do mundo?». Os cânticos falavam do amor mais forte do que o ódio, dizendo que era necessário construir um mundo melhor. Palavras verdadeiras, mas como seria possível pôr os jovens em movimento, só com palavras? «Avante, jocista!» Não havia dúvida que era preciso seguir em frente!
Comecei a ser assíduo às reuniões e um dia filiei-me. Quando viram o meu emblema na oficina começaram a atacar-me, o que já era de esperar. Não me atacavam pelo problema dos operários mas sim pela religião, pelos padres. Então aqueles ataques fizeram surgir dentro de mim várias questões sobre a palavra JOC (Juventude Operária Cristã). Era necessário que eu entendesse melhor por que razão a JOC apelava a Cristo. Quando me diziam na oficina:
«Tu andas atrás dos padres», eu replicava: «Não, eu ando é com os jovens trabalhadores». Certo dia, porém, disse-lhes sem hesitações: «Eu sigo a Cristo!». Foi inesperado.
Pedi aos jocistas o livrinho que eles tinham e a que chamavam evangelho. Quando comecei a lê-lo prometi que a minha vida ia mudar. Aceitei ir a uma reunião muito especial, a um retiro. Foi inesquecível. À tarde falavam-nos de Cristo; depois recomendavam-nos que falássemos nós próprios com Ele, quando estivéssemos sozinhos. Eu sabia que na nossa classe operária Cristo não era conhecido; eu, porém, conhecia-O, ouvia-O falar no Evangelho. Ao ler as suas palavras: “Agora chamo-vos amigos”, compreendi que Ele me dizia: “Roger, eu chamo-te meu amigo”.