A grande missão masculina

 

A grande missão masculina

 

Mas qual é esta grande missão?

Deus pensou para o homem na sua origem, quatro características das quais desde quando formou o ser masculino, a fim de que este chegue a concretizar a sua missão neste mundo.

 

Acolhedor – Deus fez o homem primeiro que a mulher. Por quê? Para ele ser maior que ela? Não! Para que, a partir do que Ele criou, preparar-lhe o ambiente. O homem é como o anfitrião da mulher.

Podemos ver esta imagem também na cultura judaica. Quando um casal estava prometido em casamento, sabemos, pela tradição, que a obrigação de construir a casa era do homem e, no dia do casamento, ele ia buscar, com os seus amigos (cf. Jo 3,29), a noiva, que o esperava na casa de seus pais juntamente com as virgens (cf. Mt 25,1). Portanto, a mulher foi dada ao homem, o Senhor a apresentou a ele (cf. Gn 2,22). Temos de ver as mulheres de forma diferente da que o mundo nos propõe; temos de vê-las pela ótica do Senhor, ou seja, como Deus as vê. A partir daí, conseguiremos enxergar a riqueza daquela que compartilhará a nossa vocação esponsal.

Portanto, se um homem não respeita, não acolhe nem tem cuidado com a mulher, se ele a vê como objeto da sua satisfação, está a agir fora da sua própria essência, pois está a desobedecer ao sentido da sua existência e, consequentemente, não se realizará enquanto pessoa, não será feliz.

Já viste algum homem feliz ou de bem com a vida, que usa ou expõe uma mulher, que a tortura psicologicamente, a agride verbal ou fisicamente?

Condutor – O homem deve “Chamar a si a responsabilidade de guiar a sua esposa e os seus filhos pelos caminhos correctos e santos para chegarem ao Céu. […] Conduzir aqui não significa ser opressor, invasor, centrado em si mesmo, que faz com que todos sigam o seu pensamento. Mas simboliza o sacrifício de si próprio para o bem-estar do outro. Muitas vezes, aquele que vai à frente numa viagem é o que se dispõe a colocar-se primeiro diante dos riscos, justamente para assegurar a vida daqueles que vêm atrás. Ele motiva e estimula quando necessário, mas está atento aos seus e ao ritmo diferente de cada um. Certa vez, lendo um livro de espiritualidade, encontrei uma representação do que é isso: [...] ‘Quando o meu pai colocou o anel no dedo da minha mãe, e o padre os declarou marido e mulher, Nosso Senhor entregou ao meu pai um cajado, que parecia um pauzinho curvo de Luz, tratava-se de uma graça que Deus dá ao homem. É um dom de autoridade de Deus Pai, para esse homem guiar o pequeno rebanho que são os filhos, que nascem desse matrimónio, e também para defender o matrimónio’ (Lv. ‘O livro da vida! Da ilusão à verdade’. POLO, Glória. Goiânia: América Ltda, 2009. p. 40)”.

A mais profunda vocação do homem é ser pai

Paternidade – A mais profunda vocação do homem é ser pai. Ele nasce e desenvolve-se para isso. O homem, com tudo o que lhe pertence – os seus dons, talentos e habilidades, todo o seu conhecimento, prática e técnica que adquire, tudo o que desenvolve durante a vida –, só encontrará plena realização se canalizar tudo para o exercício da sua paternidade.

Geralmente, é a figura paterna quem ensina o filho a andar de bicicleta – segura-o para não cair, soltando-o quando vê que ele já adquiriu certo equilíbrio, ainda que o pequeno não confie em si mesmo. A criança experimenta o prazer de ser desafiada pelas ocasiões da existência e alcançar pequenas vitórias pessoais. Também é o pai quem, na maioria das vezes, brinca pedindo ao filho que pule de alguma altura para o receber no colo. Dificilmente, veremos uma mãe a brincar assim!

Tudo isso vai sendo registrado na cabecinha da criança como: “Tu és capaz”, “Eu acredito em ti”, “Existe alguém contigo, alguém que te vê, mesmo quando tu te sentes sozinho no desafio”.

Na pré-adolescência ou juventude, também é comum que seja o pai a ensinar como o mundo funciona ou até mesmo ensinar um ofício ao filho. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com o seu pai José.

Se um pai não gosta de trabalhar, é adúltero ou cultiva vícios, o seu filho seguirá o seu exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra ele.

Afetividade Masculina

Todo o homem precisa de uma luta

Enfrentamento – “O substrato básico do ser humano está na feminilidade, e o sexo masculino, para se desenvolver, precisa de surgir por meio de um esforço”. Isto é verdadeiro biológica, psíquica e espiritualmente.

Biológico, pois o embrião inicialmente é feminino. Se seguir de forma linear, ou seja, conforme já vem acontecendo, o desenvolvimento do embrião desde a sua fecundação, nascerá então uma menina. Para que surja um menino, é preciso que ocorra uma revolução química. Não que não haja as propriedades masculinas, o cromossomo Y está ali, mas precisa de acontecer essa revolução.

Psíquico, porque tanto o menino como a menina são criados pela mãe; consequentemente, ficam mais tempo com ela. As meninas estão em harmonia com a mãe e desenvolvem-se femininas. O menino precisa de se afastar do mundo da mãe e, ao afastar-se, torna-se homem.

Espiritual, porque “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher”.

Desde pequenos, buscamos autenticar a nossa masculinidade – competimos entre nós, desafiamo-nos, impomos condições, ritos de passagem para sermos aceitos e aprovarmos o outro.

Todo o homem precisa de ter por que lutar. O prémio final, a vitória será a consequência do que adquirirmos durante a batalha. Portanto, a grande missão masculina é sermos acolhedores, condutores e paternos, enfrentarmos o mundo como linha da frente.