Sabia que o homem tem medo?

 

Sabia que o homem sente medo? 

 

Para alguns, dizer que homem tem medo é o mesmo que duvidar da sua masculinidade

 

Esta afirmação, ainda, assusta muitas pessoas. Para alguns, dizer que homem tem medo é o mesmo que duvidar da sua masculinidade. Para outros, é dizer que estes homens são fracos, incapazes. No entanto, afirmar que o homem também tem medo pode ser libertador, mais ainda, pode ajudar a muitos homens, que dizem não ter medo de nada, a descobrirem o seu verdadeiro papel no mundo: a missão dada a cada um pelo próprio Deus.

Para tanto, basta olharmos para São José, o pai adotivo de Jesus. Se lermos atentamente o Evangelho segundo São Mateus, na passagem sobre o Nascimento de Jesus, veremos que este grande santo sentiu medo em virtude de tudo o que estava a acontecer na sua vida naquele momento. Diz o texto que Maria estava prometida a José, mas, antes que coabitassem, ela engravidou por obra do Espírito Santo. José, por ser homem bom, resolveu rejeitá-la secretamente para não lhe causar mal (Cf. Mt 1,18-19). Ele já se tinha decidido a isso, até que, em sonho, um anjo do Senhor lhe apareceu e disse: “José, filho de Davi, não tenhas medo de acolher Maria como tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo” (Mt 1,20).

O pai adotivo de Jesus teve medo. Se isto não fosse verdade, o anjo não o teria tranquilizado e dito a frase: “Não tenhas medo”. Isto não diminui o heroísmo e as virtudes de tão grande santo. Pelo contrário, mostra que ele não somente teve medo, mas que também o enfrentou, confiando na Palavra do Senhor. Com este impulso divino, assumiu a missão que lhe fora confiada.

O que aconteceu foi algo que precisamos de analisar à luz do Antigo Testamento. São José sentiu-se perplexo e sem orientação diante de tão grande mistério que, ele sabia, não seria capaz de compreender. Esta reação de fuga diante da presença misteriosa de Deus e, ao mesmo tempo, de medo frente ao chamamento divino, nós a vemos, sobretudo, repetidas vezes na história de vários profetas e personagens do Antigo Testamento.

Este acto de José pode, então, significar o seu chamamento, a sua vocação, que, após o assombro frente a tão grande mistério e, consequente negativa diante de tão grande responsabilidade: assume a missão que lhe é confiada de proteger a vida do Menino Jesus, Aquele que salva, Deus connosco. Sendo assim, o texto apresenta-nos uma dinâmica que deseja chamar a nossa atenção, entre outras coisas, para o chamamento e missão do pai adotivo de Jesus.

É preciso transcender o medo

Tudo isto para nos dizer que é normal ter medo. Especialmente nós homens. Podemos ter medo diante das situações complexas que vivemos, ter medo frente às coisas novas que se nos apresentam, medo do chamamento de Deus, medo de assumirmos o nosso papel no meio em que vivemos.

Pelo exemplo de São José, não podemos parar no medo. É preciso transcender esse sentimento e captar nesses momentos a doce voz de Deus, que nos chama para a missão e nos conduz pelos Seus caminhos. Para que assim também levemos aos outros, e a nós mesmos, a salvação e a presença de Jesus, o Deus connosco, como o fez o nosso glorioso São José por meio do seu exemplo e, agora, pela sua intercessão.

Na hora da tribulação, o anjo não vos valeu? Valei-nos, São José!