SerĂ¡ que nasci para ser solteira?


Será que nasci para ser solteira?  


A minha vocação é ser solteira?

 

Não, não e não! Ninguém nasce predestinada, muito menos com um carimbo na testa determinando para sempre o seu estado civil. E não venha querer culpar Deus, o destino ou os astros por você estar solteira até hoje! Nascemos para ser felizes, para nos realizarmos plenamente neste mundo, independentemente do estado civil.


A nossa vida é fruto da nossa vocação, das nossas escolhas, do nosso discernimento. Vocação é um chamamento natural, condizente com a nossa aptidão e personalidade, conforme o nosso talento, que se vai desenvolvendo ao longo da vida.


Influência social

A vocação não é algo forçado, não aparece num passe mágico, muito menos com base na moda, no momento, naquilo que todo o seu grupo de amigos faz, na mídia, nem naquilo que os seus pais e seus colegas de trabalho querem que você seja. A sociedade, hoje, toca a mesma música para todas as mulheres: namorar, noivar, casar… e viveram felizes para sempre!


Esta fórmula não se aplica a todas nós, pois muitas têm o chamamento à vida religiosa, ao celibato ou à vivência plenamente solteira. Mas há uma cobrança social que impede muitas meninas e mulheres de admitirem esta possibilidade! Todos têm de ter uma tampa da panela, a metade da laranja, alguém para dividir o financiamento do apartamento. Quem disse?


Desde pequenas, somos influenciadas a formar uma família, e isto é lindo, afinal, o matrimónio é um sacramento importante, mas não precisa de ser o destino final de todas, pois nem todas têm esta vocação.


Acha que o casamento é fácil?


Casamento é renúncia diária, é anular-se muitas vezes pelo marido (muitas mesmo), é dedicar-se em tempo integral pelos filhos, administrar conflitos, resolver incompatibilidades de génios, financeiras e emocionais, todos os dias; é um doar-se, que, sinceramente, nem todos têm vocação. Muitos casamentos acabam, simplesmente, porque um dos cônjuges ou ambos não sabem doar-se, só querem receber, são egoístas. No fundo, não têm a vocação para o matrimónio.


De um lado, reparem na quantidade de casamentos falidos, e que nunca deveriam ter-se concretizado, mas os namorados foram indo, empurrando com a barriga as incompatibilidades, depois noivaram, casaram e perceberam que não fazia qualquer sentido os dois debaixo do mesmo teto, discutindo até para decidir se compram manteiga ou margarina. É isto que você quer para a sua vida?


Descobrir-se


Vejam a quantidade de mulheres solteiras frustradas, entregando-se a qualquer um, sem discernimento, por desespero, por medo de “ficar para tia” e tornando-se ainda mais infelizes e frustradas. Um casamento que não deveria ter acontecido, por vezes, vai terminar em divórcio em pouco tempo.


Entre ficar sempre solteira, assumindo esta vocação ou ser casada por um tempo (como nos contos de fadas), para depois cair na real, perceber o erro e retornar à vida de solteira, o que você escolhe?


Nem todos temos o chamamento ao matrimónio, mas Jesus Cristo chama a todos nós para que sejamos Seus discípulos, contribuindo para que se faça um céu na pequena parte que lhe couber nesta vida terrena: a sua casa, os seus amigos, o seu trabalho. Ele apresenta-se às pessoas por meio das nossas atitudes.


Então, em vez de ficar a lamuriar-se, porque está solteira, busque ser uma pessoa melhor com quem Deus lhe confiou. Pode não ser um marido ou filhos biológicos, mas talvez os sobrinhos, os filhos dos amigos, os amigos, seus pais, as pessoas do seu trabalho ou mesmo uma associação que você decida ajudar e fazer a diferença, um céu na vida delas.


A vocação precisa de ser discernida


Conforme consta no Catecismo da Igreja Católica, nº 1830, “a vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. São disposições permanentes que tornam o homem dócil aos impulsos do mesmo Espírito ”, e este Espírito é que nos dá discernimento para tomarmos decisões importantes, como o seu estado de vida!


Ao decidir ficar bem solteira ou namorar para casar, estando fora da graça de Deus (por exemplo, há muito tempo sem ter se confessado, comungado, participado numa adoração), perde-se a oportunidade do dom de conselho do Espírito Santo, e o discernimento será prejudicado.


A minha dica então é: dedique um tempo da sua vida para discernir a sua vocação. Procure um diretor espiritual, um retiro, e olhe para dentro de você com sinceridade: é capaz de suportar com alegria todas as renúncias de um casamento ou só quer casar para não ser solteira? Nunca perdemos por sermos sinceras connosco mesmas, com os outros e com Deus.


Antes do seu estado civil, Deus a fez para ser feliz plenamente, e a decisão que traz paz ao seu coração é a mais acertada.