Masculinidade. As consequĂȘncias do "sexo-fraco"

Masculinidade. As consequências do “sexo fraco” 

Quando a mulher se entrega “facilmente” pelo sexo ao homem, está a condicioná-lo a encarar este relacionamento como algo não essencial para a vida dele.

É claro para todos nós que os homens e as mulheres têm papéis distintos na procriação, também é sabido que por esta desigualdade, eles percebem o sexo de forma diferente.

Ao contrário do que muita gente imagina, a sexualidade não está só nos impulsos e órgãos reprodutores, mas também na forma como nos expressamos, como entendemos e olhamos o mundo, os nossos afetos, interesses e as nossas inclinações, a construção da nossa personalidade, até no modo de nos movimentarmos; tudo isto é perpassado pela nossa sexualidade.

 A sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana na unidade de corpo e alma. Ou seja, diz respeito à afetividade, à capacidade de amar e de procriar e, de uma maneira mais geral, à aptidão a criar vínculos de comunhão com os outros” (Catecismo da Igreja Católica, art. nº 2332).

Percebemos a nossa sexualidade no corpo, nos nossos impulsos, mas também como uma capacidade psíquica (fantasias, pensamentos), social (atitudes, criação de vínculos) e espiritual (vocação esponsal, paternal ou maternal). O ser masculino é mais inclinado ao ato sexual por um motivo bem simples de entender. A natureza deu ao homem o material genético responsável por fecundar, então o fez com características psicológicas, sociais e espirituais para tal. Para o homem o sexo é algo importantíssimo, latente nos seus sentidos quase que todo o tempo.

O homem precisa de lutar por algo em que acredita para encontrar sentido na sua existência. Ele necessita de se esforçar para autenticar a sua masculinidade. Por isso digo que, mesmo com instintos voltados para tanto interesse sexual, o melhor para o homem é guardar-se, de forma a lutar por aquela que será a sua mulher.

Quando a mulher se entrega “facilmente” ao homem pelo sexo, ela está a condicioná-lo a encarar este relacionamento como algo não essencial para a vida dele. Ele pensa: “Está lá, fácil e disponível quando quero, não preciso de me preocupar em manter”. E entendamos “entregar-se facilmente” como “sexo antes do casamento”, porque nisto não há comprometimento verdadeiro nem esforço da parte dele. Basta ver quanto os homens de hoje não querem muito saber de envolvimento afetivo, que lhes parece prisão. Pois, se eles podem lutar por outras preocupações adiante e ainda ter companhia com sexo, para que se amarrarem?

Mas quando um homem luta por uma mulher, quando ele tem registado na sua memória quanto se esforçou para se comprometer definitivamente com ela pelo sacramento do matrimónio, o ato conjugal terá para ele um valor amplamente significativo, uma parte integrante da validação da sua masculinidade. Além do prazer, será uma gratificante sensação na alma de se perceber bondoso o suficiente para ela, e o que atesta tudo isto será  perceber a sua esposa desejosa de si, o que será o mesmo que ela lhe dizer: “Valeu a pena tudo o que fizeste por mim, então me doo a ti”.

O ato sexual tem de ser a celebração de tudo o que eles viveram nas suas histórias e que se entrelaçou, e do que construíram juntos naquele dia, e não somente o prazer pelo prazer. O gozo, portanto, sem levar em conta as outras condições que o envolvem, pode gerar várias impressões negativas nas pessoas, como pensar que estão a ser usadas, que o gozo é apenas uma forma de descontar uma raiva ou uma recompensa.

O mundo mede a masculinidade de um homem pelas suas conquistas efémeras e, quem sabe, pela quantidade de relações sexuais. Mas Deus tem projetos muito maiores para ti. O Senhor quer proporcionar-te o máximo que tu podes ser, e levar-te à plenitude de corpo e alma por meio da tua vocação ao matrimónio. Alcançar esta bênção é o esforço que vale a pena!

Sandro Arquejada