Dinho, um rapaz angolano

 

Dinho, da rua ao futuro: ‘Basta e não volto atrás’

 

O testemunho de um rapaz angolano. Vindo de um passado difícil, mudou de vida.

 

Em pequeno não conheci o meu pai, que tinha outra mulher e foi para a guerra. Minha mãe juntou-se com outro homem, que foi meu padrasto. Sofri muito eles: os dois batiam-se muito. Um dia achei o meu verdadeiro pai. Tinha 4 anos e fugia às escondidas para o ir visitar. Mas quando chegava a casa, a minha mãe batia-me.

Durante algum tempo fui à escola. Mas depois, cansado de apanhar e ver brigas, fugi de casa e andei pelas ruas de Luanda, e ali fiz amizades com outros rapazes: dormia ao relento sobre um papelão, à chuva e ao frio. Vestia roupa suja e comecei a cheirar a ‘gasolina’ . Depois, para comer e vestir-me juntei-me a um grupo de gente crescida que me obrigavam, a mim e aos da minha idade, a pedir esmola em seu lugar: se não conseguíssemos, castigavam. Às vezes de noite a polícia acordava-nos e obrigava a limpar os locais da estação e a lavar carros... E também nos castigava.

Estava cansando desta vida. E ali encontrei Dom Bosco através dos salesianos. Um padre salesiano e alguns voluntários vinham todas as semanas: jogavam connosco, projectavam-nos filmes sobre Jesus Cristo e sobre a vida de D. Bosco; aconselhavam e convidavam-nos a deixar a rua e ir ao Centro Juvenil. Cansado de sofrer, eu e um meu amigo fomos ao Centro D. Bosco. E fomos recebidos com afecto. Fiz o curso de alfabetização e comecei a praticar desporto, e a dar passeios. Hoje a Lucrécia, nossa cozinheira, faz também de nossa mãe; e os nossos educadores são nossos irmãos porque nos corrigem.

Reconciliei-me com a minha mãe. Aprendi a rezar e gosto dos cantos que nos ensinam. Comigo há mais 20 colegas. O nosso sonho é aprender um ofício para ganhar a vida no futuro.

Tenho um amigo melhor: chama-se Eliseu e com ele sinto-me bem. Gosto de rezar e todos os dias peço a Jesus e a Nossa Senhora que me ajudem a não voltar à rua, e também peço pelos meus colegas, a quem procuro ajudar. Agradeço a D. Bosco e a todos os meus educadores pelo bem que me fizeram.