Eu era católica e Deus converteu-me

  

EU ERA CATÓLICA E DEUS CONVERTEU-ME

 

 A história de uma jovem cuja vida foi transformada pela infinita misericórdia do Senhor.

 

Em Setembro completei o meu primeiro ano de conversão. Se eu era ateia, protestante ou budista? Definitivamente não, talvez fosse o tipo mais difícil de converter: eu era católica.

Fiz uma experiência muito forte do amor de Deus. Quero contar o que me aconteceu e especialmente destacar o papel de um Padre em tudo isto. Em 2012, fui morar no Rio de Janeiro: o emprego dos sonhos, lá teria a minha casa, muitos ideais na cabeça, coração a bater forte e desejoso de aventuras e novas histórias... Quando lá cheguei foi tudo BEM diferente. O dono do escritório começou a rivalizar fortemente comigo e demitiu-me exatamente um mês depois, sem me conseguir apontar o motivo razoável. Ao mesmo tempo o meu namorado, lindo, inteligente, que tocava viola, também resolveu abandonar-me. De alegrias, a minha vida passou a um inferno dos mais dantescos. Fui para casa, comprei os acessórios, enchi a despensa, tratei das plantas... Aquela cena que se ensaia mil vezes desde a infância, mas eu pensava que teria um gosto diferente, que estaria em segurança, tudo daria certo e eu seria feliz. Mas o gosto era TÃO AMARGO... Não se parecia em nada com a doçura que essas ideias românticas de felicidade prometem. Então, o vazio tomou conta de mim de forma avassaladora. O meu coração ardia de vontade de me confessar. Procurei o pároco da linda Igreja de São José, o Revmo. Padre André, sacerdote jovem que tinha acabado de voltar dos estudos em Roma. Sentei-me no banco, nem o conhecia, e comecei a contar os meus pecados. Só que desta vez, irritada por tantas coisas que eu já não entendia, disse ao Padre num surto de sinceridade que eu não me arrependia porque "eu não concordava". O Padre calmamente disse: "Minha filha, então eu não te posso absolver. Sem o arrependimento sincero e o compromisso de não buscar mais esses caminhos de nada vale a confissão. Quer um conselho? Pare de sofrer. Saia da Igreja já que ela não te satisfaz, mas não selecione apenas as partes que te agradam e ainda diga que é católica. Não existe isso de não concordar e fazer o que se quer, seja honesta e saia. Outra opção é você buscar as respostas das suas dúvidas no Catecismo e obedecer ao Papa. Desta forma você vai ser de facto uma católica. Como está, você não o é". Eu fiquei atónita. NUNCA tinha ouvido UM Padre sequer, dizer aquilo. Ele disse mais outras coisas específicas para cada pecado que eu tinha cometido e especialmente para aqueles dos quais que eu não me arrependia. Foi TÃO CLARO que não tive modo de eu defender as minhas ideias, era óbvio que eu tinha construído um muro de retórica para me defender e legitimar as minhas más escolhas e vícios. Até àquele ponto eu tinha vivido como a maioria, de um modo muito simplista: se eu extinguisse a culpa, o erro não seria meu. De um jeito que eu não sei explicar, eu disse ao Padre que eu me arrependia. E disse isto com toda a minha alma e entendimento. Recebi ali uma cura incrível que jamais vou conseguir explicar. Passei a amar o Papa com TODAS AS MINHAS FORÇAS e fiquei muito curiosa em relação ao Catecismo e aos Evangelhos, parecia que tinha passado muito tempo exilada, sentia saudade da Vida porque estando tão distante de Deus eu tinha-me afastado de mim mesma e esquartejado corpo, alma e espírito em pequenas e indecifráveis partes que não faziam sentido por elas mesmas ou em conjunto. Eu tinha desenvolvido um soberbo exo-esqueleto de pretensa "razão" e por ele me sustentava. O meu corpo físico e místico estava em frangalhos dentro daquela dura casca de superficialidade. Depois disto voltei aos Sacramentos, à Missa ao Domingo, à Adoração... Mas, quase não conseguia levantar-me da cama, fiquei doente e sem forças por muitas semanas. Eu só me levantava para comprar comida às vezes e para ir à Igreja. Levantar um braço doía muito. Eu não quis contar à minha família ou amigos o que tinha acontecido. Sentia uma mistura de choque, medo, raiva, tristeza, indignação, revolta, pânico, culpa, vergonha... Tive anorexia. Anemia. Problemas de estômago. Infecções alimentares. Dores fortes no corpo todo. Depois de uns dois meses consegui sair de casa para fazer desporto. E adquiri o hábito de caminhar junto ao rio, rezando o Terço. As pessoas olhavam curiosas achando engraçado uma jobem com visual moderno de roupa de ginástica a caminhar com o Terço na mão. Eu queria fazer lembrar as pessoas que sempre têm tempo para rezar o Terço. Não há desculpa. Então passei a participar do dia-a-dia da Igreja e fiz novos amigos, já que os primeiros, do escritório, nunca me ligaram nem para saber se eu estava viva ou precisando de alguma coisa. E o tal namorado ainda fez questão de me esfregar outra garota na cara o mais que pôde. De que tinha valido tanta lua cheia, viola e romance? Nem respeito por mim ele conseguia ter! Naquela solidão radical eu fiquei a pensar no que eu tinha por valores, quanto tempo eu gastava dando satisfações às outras pessoas, por que eu superestimava ser a "fofa, querida, gracinha" na boca dos outros e de que isto me valia no final de contas... Qual era o sentido da minha vida, afinal? O meu dinheiro estava no limite. Às vezes eu tinha de racionar o pão. Tudo estava muito estranho... Tudo em que eu acreditava se tinha transformado em fumaça. Nenhuma das minhas velhas teorias poderia explicar ou me socorrer naquela nova situação. Mas fiquei doente por mais muito tempo, sempre alternando "estiagens" e vontade de fazer as coisas. Nestas minhas temporadas na cama eu buscava coisas para ver, para me encorajar... Já que eu não queria conversar com as pessoas e ter de explicar o que nem eu mesma compreendia. Foi numa dessas, naqueles vídeos relacionados que eu achei um outro Padre. Vi um vídeo, gostei, mesmo que ele me parecesse "duro demais" e até mesmo fanático. Mas havia algo diferente naquele Padre: ele tinha AUTORIDADE. Digo isto não somente pelo incrível domínio teórico e por citar as fontes e documentos oficiais com precisão, mas era outro tipo de autoridade, aquilo só poderia ter sido dado pelo próprio Deus. Eu entendi isto com a alma, mais que apenas com a razão, por isso ele convenceu-me. Estou muito grata a Deus também por me ter enviado este Padre para me ajudar e a muitos como eu. Nós só amamos verdadeiramente aquilo que conhecemos, então este Padre tem o carisma de alimentar a nossa fé através do conhecimento.

Muita gente prende-se apenas ao plano teórico e continua a ser um descrente com muitas informações. Discutem, posicionam-se, mas não amam ou vivem aquilo de que falam. É importante usar o conhecimento como uma poderosa ferramenta vivificadora da fé. Às vezes é preciso ver uma foto para entendermos uma determinada situação, este Padre revela-nos através de "imagens teóricas" o que vemos com pouca definição.

Hoje rezo com mais fé porque entendo que tem real importância e valor, mesmo com os meus limites. Também sinto mais paz e segurança porque este conhecimento otimizou o meu tempo de oração: entendo o que devo temer e o que não, isto muda muito o foco. Passei cinco meses sem trabalho, e finalmente voltei para minha casa. Vivi um tipo de retiro espiritual onde eu menos poderia imaginar... Voltei outra, menos ruidosa, mais obediente, estudiosa, centrada, vendo as necessidades alheias e sobretudo FELIZ!

Eu entendi que o Amor é a origem da própria vida, ou seja, é a alma do próprio Deus. O amor humano é a sua imagem e semelhança. Felicidade é uma escolha definitiva pelo Amor. E a alegria é a consequência de tudo isto! Hoje eu consigo trabalhar melhor que antes, viver a minha vida e sonhos com a certeza de que Deus sonha e realiza tudo comigo. Ajudo e amparo muitas pessoas com as coisas que aprendi estudando, sofrendo e rezando. Aprendi o valor da penitência, intercessão, fé e, sobretudo, da obediência.

Para ser livre é preciso ter regras. Se não as tens, és escravo dos teus sentidos e ignorância. A santa obediência ensina muito aos que buscam a humildade e a ela se submetem. Muitos dos meus amigos inteligentíssimos não compreendem a Deus porque os seus ricos vasos estão sempre cheios, e dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Deus espera que nos esvaziemos de nós mesmos para poder entrar. Ele não nos invadiria nem para nos salvar. Este é o verdadeiro sentido da liberdade que Ele nos deu. Uma profunda fé em Deus coloca TUDO em justa perspectiva. Depois que o centro se alinha, as coisas tomam os seus devidos lugares e proporções. L.B.