A SAGRADA EUCARISTIA

 

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A PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA

Desde que Jesus instituiu a Eucaristia na Santa Ceia, a Igreja nunca cessou de a celebrar, crendo firmemente na presença do Senhor na Hóstia consagrada pelo sacerdote legitimamente ordenado pela Igreja. Nunca a Igreja duvidou da presença real do Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Senhor na Eucaristia. Desde os primeiros séculos os Padres da Igreja ensinaram esta grande verdade recebida dos Apóstolos.


Santo Efrém Sírio (306-444) falava da Eucaristia como "Glória ao remédio da vida". Santo Agostinho (354-430) chamava-lhe " o pão de cada dia, que se torna como o remédio para a nossa fraqueza de cada dia." E ainda dizia: "Ó reverenda dignidade do sacerdote, em cujas mãos o Filho de Deus se encarna como no Seio da Virgem". "A virtude própria deste alimento divino é uma força de união que nos une ao Corpo do Salvador e nos faz seus membros a fim de que nos transformemos naquilo que recebemos".
São Cirilo de Alexandria (370-444) dizia que ao comungarmos o corpo de Cristo nos transformamos em "Cristóforos", portadores de Cristo.


Na sua "Profissão de Fé", o conhecido "Credo do Povo de Deus", o Papa Paulo VI afirmou: "Cremos que como o pão e o vinho consagrados pelo Senhor, na Última Ceia, foram mudados no seu Corpo e no seu Sangue, que iam ser oferecidos por nós na Cruz, assim também o pão e o vinho consagrados pelo sacerdote se mudam no Corpo e no Sangue de Cristo glorioso que está no céu, e cremos que a misteriosa presença do Senhor naquilo que misteriosamente continua a aparecer aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial". (cf. Dz. Sch. 1651).
E Paulo VI deixa claro que se afastam da fé católica aqueles que não aceitam esta verdade.
"Toda a explicação teológica que procura alguma inteligência deste mistério deve, para estar de acordo com a fé católica, admitir que na própria realidade, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho cessaram de existir depois da consagração, de tal modo que estão realmente diante de nós o Corpo e o Sangue adoráveis do Senhor Jesus, sobre as espécies sacramentais do pão e do vinho, conforme Ele assim o quis, para se dar a nós em forma de alimento e para nos associar à unidade do seu Corpo Místico". (cf. S. Th., III, 73, 3).
Com estas palavras o Papa deixou muito claro que a Eucaristia não é apenas um "sinal", ou "símbolo", nem mesmo "lembrança", mas a presença real e substancial do Senhor. E acrescenta o seguinte: "A única e indivisível existência do Senhor glorioso que está no céu não é multiplicada, mas torna-se presente pelo Sacramento, em todos os lugares da terra onde a Missa é celebrada. E permanece presente, depois do sacrifício, no Santíssimo Sacramento, que está no Sacrário, coração vivo de cada uma das nossas igrejas. E é para nós um dulcíssimo dever honrar e adorar na sagrada Hóstia, que os nossos olhos vêem, o Verbo Encarnado, que eles não podem ver e que, sem deixar o céu, se tornou presente no meio de nós." (Credo do Povo de Deus, Ed. Cléofas, 1998).


Imagem vazia padrãoNa Última Ceia, Jesus foi muito claro: "Isto é o meu corpo". "Isto é o meu sangue" (Mt 26,26-28). Jesus não falou de "símbolo", nem de "sinal", nem de "lembrança".
São Paulo atesta a presença do Senhor na Eucaristia quando afirma:
"O cálice de bênção, que bebemos, não é a comunhão do Sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é a comunhão do Corpo de Cristo?" (1Cor 10,16).
E o Apóstolo, que não estava na Última Ceia, recebeu esta certeza por revelação especial do Senhor:
"O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: Tomai e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Igualmente também, depois de ter ceado, tomou o cálice e disse: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes" (1Cor 11,23-29).
Sem dúvida a Eucaristia é o maior e o mais belo milagre que o Senhor realizou e quis que fosse
repetido em cada Missa, para que Ele pudesse estar entre nós, a fim de nos curar e alimentar.
"A Eucaristia é 'fonte e centro de toda a vida cristã' (LG, 11). Os restantes sacramentos, porém, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a Sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa" (PO, 5 e CIC n.1324).
O Catecismo da Igreja garante-nos que "Os milagres da multiplicação dos pães... prefiguram a superabundância deste pão único da Eucaristia" (CIC, n.1335).


Tudo o que foi dito até aqui está baseado principalmente nas próprias palavras de Jesus, naquele memorável discurso sobre a Eucaristia, na sinagoga de Cafarnaum, que São João relatou com detalhes no capítulo 6 do seu Evangelho:
"Eu sou o Pão vivo que desceu do céu... Quem comer deste Pão viverá eternamente; e o Pão que eu darei é a minha carne para a salvação do mundo... O que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia... Porque a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida."
Não há como interpretar de modo diferente estas palavras, senão admitindo a presença real e maravilhosa do Senhor na Hóstia sagrada.
Lamentavelmente a Cruz e a Eucaristia foram e continuam a ser "pedra de tropeço" para os que não crêem, mas Jesus exigiu até o fim esta fé. Aos próprios Apóstolos ele disse: "Também vós quereis ir embora?" (Jo 6,67). Ao que Pedro responde na fé, não pela inteligência: "Senhor, a quem iremos, só Tu tens palavras de vida eterna" (Jo 6,68). Nunca Jesus exigiu tanto a fé dos Apóstolos como neste momento. E, se exigiu tanto, sem dar maiores esclarecimentos como sempre fazia, é porque os discípulos tinham entendido muito bem do que se tratava, bem como o povo que o deixou dizendo: "Estas palavras são insuportáveis? Quem as pode escutar?" (Jo 6,60).


Também para cada um de nós a Eucaristia será sempre uma prova de fogo para a nossa fé; mas, crendo na palavra do Senhor e no ensinamento da Igreja, seremos felizes.
Quando Lutero (fundador do protestantismo) pôs em dúvida a presença real e permanente do Senhor na Eucaristia, o Concílio de Trento (1545-1563) assim se expressou:
"Porque Cristo, nosso Redentor, disse que o que Ele oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu Corpo, sempre na Igreja se teve esta convicção que o sagrado Concílio de novo declara: pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu Sangue; e esta mudança, a Igreja católica chama-lhe com justeza e exactidão, transubstanciação" (DS, 1642; CIC n.1376).
Acima de tudo é preciso recordar que a Igreja recebeu do Senhor o carisma da infalibilidade em termos de fé e de moral, a fim
de não permitir que os seus filhos sejam enganados no caminho da salvação (cf. Jo 14,15.25; 16,12-13). Portanto, o que a Igreja garante há vinte séculos, jamais podemos duvidar, sob pena de estarmos a duvidar do próprio Jesus.

 

Jesus Cristo presença viva no sacrário 

O Sacrário à luz do Catecismo da Igreja Católica

"Pela consagração, opera-se a transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo. Sob as espécies consagradas do pão e do vinho, o próprio Cristo, vivo e glorioso, está presente de modo verdadeiro, real e substancial, com o seu Corpo e o seu Sangue, a sua alma e divindade.Uma vez que Cristo em pessoa está presente no Sacramento do Altar, devemos honrá-Lo com culto de adoração. «A visita ao Santíssimo Sacramento é uma prova de gratidão, um sinal de amor e um dever de adoração para com Cristo nosso Senhor». (Catecismo da Igreja Católica, 1413, 1418) 

Definições de Sacrário

 Sacrário é um pequeno cofre colocado sobre o altar para guardar a píxide ou a custódia. Caixa onde é guardada a Eucaristia após a celebração. Também é conhecido como TABERNÁCULO.

 Pequeno cofre sagrado onde é colocada a âmbula com as hóstias consagradas.

 Lugar onde se guarda o Corpo de Cristo depois da celebração da Eucaristia, para que se possa levar aos doentes quando seja necessário, e para que todos possam rezar diante dele;

 A palavra latina Sacrarium, significa o lugar onde se guardam as coisas sagradas. Chamado também Tabernáculo, o sacrário é o lugar onde se conservam as hóstias já consagradas na Missa.  

Gente de Fé 

Padre Pio:

- Diante de Deus ajoelhe-se sempre.- O santo silêncio permite-nos ouvir mais claramente a voz de Deus.- Quando te encontrares diante de Deus, na oração considera-te banhado na luz da verdade, fala-lhe se puderes, deixa simplesmente que te veja e não tenhas preocupação alguma.- Uma só coisa é necessária: estar perto de Jesus. 

O conselho de João Paulo II:

+ Permaneçamos longamente prostrados diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando com a nossa fé e o nosso amor as negligências, esquecimentos e até ultrajes que o nosso Salvador Se vê obrigado a suportar em tantas partes do mundo. Aprofundemos na adoração a nossa contemplação pessoal e comunitária. (Mane Nobiscum Domine, 18)  

Santa Catarina de Génova:

+ O tempo passado diante do Sacrário é o tempo mais bem empregue da minha vida. 

Beata Madre Teresa de Calcutá:

+ Procurai Jesus no tabernáculo. Fixai os olhos n’Ele que é a luz. Colocai os vossos corações junto ao Seu Divino Coração. 

S. João Bosco:+

 Não omitais nunca a visita a cada dia ao Santíssimo Sacramento, ainda que seja muito breve, mas contanto que seja constante. Quereis que o Senhor vos dê muitas graças? Visitai-o muitas vezes. 

S. Tomás de Aquino:

+ Ficai certos de que de todos os instantes da vossa vida, o tempo que passardes diante do Divino Sacramento será o que vos dará mais força durante a vida, mais consolação na hora da morte e durante a eternidade. 

Adoradores do Santíssimo Sacramento 

Beato Francisco Marto

Um dia, ao sair de casa, notei que o Francisco andava muito devagar.- Que tens? Perguntei-lhe. Parece que não podes andar!- Dói-me muito a cabeça e parece que vou a cair.- Então não venhas; fica em casa.- Não fico! Quero antes ficar na Igreja, com Jesus escondido, enquanto tu vais à escola. Depois que adoeceu, dizia-me, quando, a caminho da escola, passava por sua casa:- Olha: vai à Igreja e dá muitas saudades minhas a Jesus escondido. Do que tenho mais pena é de já não poder estar uns bocados com Jesus escondido. (In, Quarta Memória da Irmã Lúcia) 

Beata Alexandrina

No dia 10-12-1954, Jesus Eucaristia continua a revelar-Se-lhe. Eis a descrição da sua visão:Apareceu um altar. A porta do Sacrário estava aberta. As Hóstias, brancas, no cibório. Jesus sentou-Se ao lado do altar, e fez que do outro lado eu me sentasse também. Não vi os assentos em que nos sentámos. Jesus, sobre o altar, colocou a Sua mão e, sobre ela, a Sua sacrossanta cabeça. Ele fez que eu fizesse o mesmo. A minha mão direita ficou unida à Sua mão esquerda.

De dentro do Sacrário, daquelas Hóstias tão brancas, saíam raios dourados e mais brilhantes do que o sol, passaram por entre nós. Jesus, cheio de doçura, dizia-me: Minha filha, mimo eucarístico, estou ali [no Sacrário] naquela Hóstia pura, em corpo, alma e divindade, tal como estou aqui.

Confia, Minha filha e esposa querida! Fala ao mundo deste mistério. Diz aos homens que se abeirem de Mim. Quero dar-Me a eles, muitas vezes, todos os dias, se for possível. Que venham com os seus corações puros, muito puros e sequiosos.

Se vierem ao Sacrário com as devidas disposições e rezarem o Rosário ou uma parte do Rosário, todos os dias, nada mais é preciso para que se afaste a Justiça de Deus.

O Rosário, o Sacrário e as Minhas vítimas são suficientes, para que ao mundo seja dado o perdão e a paz.Quem vem ao Sacrário, vive puro. Quem vive à sombra da Minha bendita Mãe, vive da Sua Pureza. «Disse-me também que eu escolhi a melhor parte:

- Amar o meu coração, amar-me crucificado é bom. Mas amar-me nos meus sacrários, onde me podes contemplar não com os olhos do corpo mas com os olhos da alma e do espírito, onde estou em corpo, alma e divindade como no Céu, escolheste o que há de mais sublime». «Perguntei ao meu Jesus o que havia de fazer para O amar muito e Ele disse-me:

Anda para os meus sacrários consolar-Me, reparar. Não descanses em reparar; dá-me o teu corpo para o crucificar. Preciso de muitas vítimas para sustentar o braço da minha justiça e tenho tão poucas, anda substituí-las». 

Um Testemunho 

 O Cardeal vietnamita Van Thuan foi preso e perseguido pelo regime comunista e, mesmo no campo de reeducação, às escondidas, celebrou a Santa Missa todos os dias e improvisou um sacrário para a adoração ao Santíssimo.

Conta ele: às 21h30, era obrigatório apagar a luz, e todos devíamos dormir.Nesse momento, eu curvava-me sobre a cama para celebrar a Missa, recitando tudo de cor, e em seguida distribuía a comunhão passando a mão por baixo do mosquiteiro. Chegámos até a fabricar saquinhos com o papel dos pacotes de cigarros vazios, para guardar o Santíssimo Sacramento e levá-lo aos outros. Jesus Eucarístico estava sempre comigo no bolso da camisa.

(Van Thuan, Testemunhas da Esperança,14)