As Almas do Purgatório, não as esqueçais

 

AS ALMAS DO PURGATÓRIO, NÃO AS ESQUEÇAIS!

 

S. Boaventura ensina que os nossos maiores sofrimentos ficam muito aquém dos que ali se padecem. São Tomás diz que o menor dos seus sofrimentos, ultrapassam os maiores tormentos que possamos suportar.

 

O fogo do purgatório, diz S. António, é de tal maneira rigoroso que comparado com o que conhecemos na terra, este parece como pintado num painel.

 

Após uma visão do purgatório, exclama Santa Catarina de Génova. “Que coisa Terrível! Confesso que nada posso dizer e nem conceber que se aproxime sequer da realidade. As penas que lá se padecem são tão dolorosas como as penas do inferno”.

 

S. Nicolau Tolentino teve uma visão de um imenso vale onde multidões de almas se retorciam de dor num braseiro imenso e gemiam de cortar o coração. Ao perceberem o Santo, bradavam suplicantes, estendendo os braços e pedindo misericórdia e socorro. Padre Nicolau, tem piedade de nós! Se celebrares a Santa Missa por nós, quase todas seremos libertadas dos nossos dolorosos tormentos. São Nicolau celebrou sete missas em sufrágio dessas almas. Durante a última missa apareceu-lhe uma multidão de almas resplandecentes de glória que subiam ao céu.

 

S. Vicente Ferrer diz que há almas que ficaram no purgatório um ano inteiro por um só pecado. Santa Francisca afirma que a maioria das almas do purgatório, lá, sofrem de trinta a quarenta anos. Muitos santos viram almas destinadas a sofrer no purgatório até ao fim do mundo.

 

As almas simples e humildes, sobretudo as que muito sofreram neste mundo com paciência e se conformaram perfeitamente com a vontade de Deus, podem ter um purgatório muitíssimo abreviado, às vezes horas…

 

S. Paulo da Cruz, estando em oração, ouviu que batiam à porta com força. – Que queres de mim, pergunta.

- Quanto sofro. Quanto sofro, meu Deus! Sou a alma daquele padre falecido. Há tanto tempo estou num oceano de fogo, há tanto tempo!… Parecem mil anos!

S. Paulo da Cruz conheceu-o e respondeu admirado: Ó padre, há tão pouco tempo que faleceste e já falas em mil anos? O pobre padre pediu sufrágios e desapareceu.

São Paulo da Cruz, comovido, orou muito por ele e no dia seguinte celebrou a Missa pela defunto. Viu-o, então, entrar triunfante no céu, na hora da comunhão.

 

Nosso Senhor mostrou a uma santa quatro padres que estavam lá já há mais de cinquenta anos, por administrarem mal os Santos Sacramentos.

 

Toma, pois, a resolução de jamais deixar passar um dia sequer sem rezar pelos parentes falecidos. Tem piedade daqueles que nos deixaram e que agora estão sofrendo. Pensa nos membros de tua família que faleceram e que tens deixado em tão lamentável e total esquecimento.

 

O estado das almas do purgatório é de absoluta impotência. Parecem-se com o paralítico que não se pode mexer. Vêem as suas companheiras de infortúnio, aliviados de tempos a tempos recebendo os frutos de uma comunhão, o valor de uma missa, e elas ficam esquecidas.

 

Vós que viveis na terra e tão facilmente vos comoveis ante o sofrimento e a ideia do abandono, ouvi as almas do purgatório pedindo-vos uma migalha do pão que Deus vos dá com tanta abundância: uma pequena parte das vossas orações, boas obras, e sofrimentos! Como são justas as queixas que um religioso ouviu desses pobres corações abandonados.

 

“Ó irmãos! Ó amigos! Pois que há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; vos chamamos e não respondeis; sofremos tormentos que não tem iguais, e não vos compadeceis; gememos e não consolais”.

 

Ai, dizia uma alma, ignora-se no mundo que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno. Se possível fosse fazer uma visita a essas mansões de dor, não haveria na terra quem quisesse cometer um só pecado venial, visto o rigor com que é punido.

 

A Santa Missa é o sacrifício de expiação por excelência. É a renovação do Calvário, que salvou o género humano. Na Missa colocou a Igreja a memória dos mortos, e isso no momento mais solene, em que a divina Vítima está presente sobre o altar. É a melhor, a mais eficaz, a mais rápida maneira de aliviar e libertar as almas dos nossos queridos mortos.

 

Não há maior socorro às almas do que a Santa Missa: A Missa é a esperança e a riqueza das almas.

 

Podemos duvidar do valor das nossas orações; mas da eficácia do Santo Sacrifício, no qual se oferece o Sangue de Jesus pelas almas, que dúvida podemos ter?

 

Ao Beato João D’Avila, nos últimos instantes de vida, perguntaram o que mais desejaria depois da morte. Missas! Missas!

 

Ao Beato Henrique Suzo apareceu depois da morte um amigo íntimo gemendo de dor e a queixar-se: “Ai, já te esqueceste de mim”.

- Não, responde Henrique, não cesso de rezar pela tua alma, desde que morreste.

- Ó, mas isto não me basta, não basta! Falta-me para apagar as chamas que me abrasam o Sangue de Jesus Cristo.

Henrique mandou celebrar Missas pelo amigo. Este lhe apareceu então já glorificado e diz: “Meu querido amigo, mil vezes agradecido. Graças ao Sangue de Jesus Cristo Salvador, estou livre das chamas expiadoras. Subo ao céu e lá nunca te esquecerei”.

 

A cada missa, diz São Jerónimo, saem muitas almas do purgatório. E não sofrem tormento algum durante a Missa que lhes é aplicada.

 

Custa-nos muito pouco sufragar os defuntos. Somos obrigados a certas orações, a assistir Missas aos domingos, e aproximar-nos dos sacramentos, a perdoar nossos inimigos. Tudo isso é aceito por Deus e serve para alívio delas.

 

E os males do dia a dia? A fadiga do trabalho, as doenças, as humilhações, a tarefa de suportar os que nos rodeiam, os problemas, tudo isto pode servir para expiar os pecados das almas. E de que sofrimentos serão aliviados os finados!

 

Poupai as lágrimas, dizia S. João Crisóstomo, pelos defuntos, e dai-lhes mais orações. E Santo Ambrósio: “É preciso assisti-las com orações, mais do que chorá-las”.

 

Quando quero obter com certeza uma graça, diz Santa Catarina de Bolonha, recorro a essas almas que sofrem, para que apresentem a Deus o meu pedido, e sempre me é concedida a graça.

 

Nos funerais: lágrimas, soluços, flores. Depois, um túmulo e o esquecimento. Morreu… acabou-se!

 

Santa Tereza pedia: apelo amor de Deus, eu peço a cada pessoa uma Ave-Maria, a fim de Que me ajude a sair do purgatório e apresse a hora em que hei de gozar a vista de Jesus Senhor Nosso”.



LADAINHA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO

 

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Santa Maria, rogai pelas almas do Purgatório.

Santa Mãe de Deus,

Santa Virgem das virgens,

São Miguel,

Santos Anjos e Arcanjos,

Coro dos Espíritos bem-aventurados,

São João Batista,

São José,

Santos Patriarcas e Santos Profetas,

São Pedro,

São Paulo,

São João,

Santos Apóstolos e Santos Evangelistas,

Santo Estêvão,

São Lourenço,

Santos Mártires,

São Gregório,

Santo Ambrósio,

Santo Agostinho,

São Jerónimo,

Santos Pontífices e Santos Confessores,

Santos Doutores,

Santos Sacerdotes e Santos Levitas,

Santos Frades e Santos Eremitas,

Santas Virgens e Santas Viúvas,

Vós todos, Santos amigos de Deus,


Sede-nos propício, perdoai-lhes, Senhor.

Sede-nos propício, ouvi-nos, Senhor.


De seus sofrimentos, livrai-as, Senhor.

Da Vossa cólera,

Da severidade da Vossa justiça,

Do remorso da consciência,

Das tristes trevas que as cercam,

Dos prantos e gemidos,

Pela Vossa encarnação,

Pelo Vosso nascimento,

Pelo Vosso doce nome,

Pela Vossa profunda humildade,

Pela Vossa obediência,

Pelo Vosso infinito amor,

Pela Vossa agonia e Vossos sofrimentos,

Pela Vossa paixão e Vossa Santa cruz,

Pela Vossa Santa ressurreição,

Pela Vossa admirável ascensão,

Pela vinda do Espírito Santo consolador,

No dia do julgamento,


Ainda que sejamos pecadores, nós Vos pedimos, ouvi-nos!

Vós que perdoastes aos pecadores e salvastes o Bom ladrão,

Vós que nos salvais por misericórdia,

Vós que tendes as chaves da morte e do inferno,

Dignai-Vos livrar das chamas nossos parentes, amigos e benfeitores,

Dignai-Vos salvar todas as almas que gemem longe de Vós,

Dignai-Vos ter piedade daqueles que não tem intercessores neste mundo,

Dignai-Vos admiti-los no número de Vossos eleitos,


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai-lhes o descanso eterno. (três vezes)


ORAÇÃO: Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas dos Vossos servos e das Vossas servas a remissão de todos os pecados, a fim de que, pelas humildes orações da Vossa Igreja, eles obtenham o perdão que sempre desejaram. É o que Vos pedimos por elas, ó Jesus, que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.