O SANTO ROSÁRIO, ESCOLA MARIANA

O Rosário, doce vínculo que me liga à Mãe do Céu, deve deslizar entre os meus dedos diariamente. Esforçar-me-ei por compreender a sua riqueza e valor em ordem à minha formação e apostolado mariano.

Necessidade de me formar na devoção mariana
Na formação dos Apóstolos interferem principalmente três pessoas.
Jesus, o divino Mestre, chama-os um por um, instruindo-os na sua doutrina e no seu amor, tornando-os participantes do seu sacerdócio, fazendo-os ministros do seu Evangelho, do seu perdão, do seu divino Corpo e Sangue.
O Espírito Santo, difundido no Cenáculo, comunica-lhes uma perfeita compreensão e o complemento da mensagem messiânica, renovando-os com vigor sobrenatural para darem testemunho de Jesus até ao sangue.
A Virgem Santíssima, Rainha dos Apóstolos, a quem Jesus os confia do alto da Cruz, é a sua terna Mãe, e Mestra, e Guia.
Afim de me formar frutuosamente para a santidade e para o apostolado, também eu preciso de me aproximar de Jesus com a mais sólida devoção, para que Ele seja o meu modelo e o meu santificador, uma vez que sem Ele nada se pode concluir (Jo., 15, 5), e que, por outro lado, tudo posso Naquele que me conforta. (Fil. 4, 13).
Devo, ademais, ser devoto e dócil ao Espírito de Jesus que está em mim, como altíssimo dom de Deus, para ser meu consolador, minha luz e minha força.
Enfim, é-me indispensável uma verdadeira e frutuosa devoção à SS. Virgem, inseparável de Jesus e do Espírito Santo em todo o trabalho espiritual e na vida de todo o cenáculo.
Falando da correspondência à vocação, S. João Bosco afirma: «Relativamente à vocação, a Virgem Santíssima ajuda muito, e quando, sozinho, pouco se faria, com o auxílio de Nossa Senhora consegue-se muito. Já conheci vocações duvidosas ou inteiramente erradas que, com a intercessão da Virgem Maria, entraram no seu lugar». (XII, 578).
E o abade Chautard acrescenta: «Todo o apóstolo construirá na areia, se não lançar como fundamento do seu apostolado uma verdadeira devoção à Virgem Maria».
Uma autêntica devoção para convosco, ó minha boa Mãe, é, portanto, um tesouro insubstituível que preciso de alcançar nos anos da minha formação, para dele me servir durante toda a minha vida.
Não uma devoção falsa e ilusória, causa de acídia espiritual, de presunção e de condenação; mas sim uma devoção real, e por conseguinte frutuosa. Ofereço-me, pois, à vossa escola, ó Rainha dos Apóstolos, e repito-Vos com S. João Berkmans: «Eu não descansarei, enquanto não alcançar uma verdadeira, fervorosa e frutuosa devoção para convosco».

O Rosário, escola de verdadeira devoção a Nossa Senhora
O Rosário que a Igreja e a mesma SS. Virgem me aconselham com tanta insistência, é escola de verdadeira devoção mariana, e por consequência escola de vida e de perfeição cristãs, donde procedem todas as demais vantagens espirituais e eternas.
1.° — O Rosário, com efeito, ensina-me a rezar, e a oração é a base de toda a devoção e vida espiritual. «Quem reza salva-se, quem não reza condena-se» — afirma S. Afonso, e repete S. João Bosco. (IX, 180).
«Todavia, a oração vocal sem a oração mental, é como corpo sem alma» (IX, 997); e o Rosário é uma oração completa, precisamente porque nela intervêm de harmonia a oração vocal e a mental.
A minha devoção a Maria deve levar-me, antes de mais nada, à oração devota e perseverante.
É o que me recorda continuamente o meu santo Fundador, que exalta a necessidade e a eficácia da oração, afirmando: «A oração que implora a salvação é infalivelmente impetratória. É de fé que obterá aquilo que pretende». (II, 156). É por isso que «o inimigo se esforça constantemente por obstar à oração». (IX 997). «Quando rezardes, reflecti naquilo que fazeis; rezando, conversais com Deus: ora, falar significa pronunciar bem as palavras, de modo que se entenda aquilo que dizeis; por isso, quando rezardes, pronunciai as palavras devagar, e com a mesma entoação com que falaríeis a um amigo muito querido». (VIII; 10). «As orações que se rezam em comum, de manhã e à noite, devem servir para implorar de Deus tudo aquilo que necessitamos». (IX, 708).
Por isso, «exigia completo silêncio depois das orações da noite até à manhã seguinte, depois da Santa Missa. E considerava este silêncio da máxima necessidade para que os espíritos não distraídos pudessem alcançar todo o fruto da oração». (VI, 173).
2.° — À oração, contudo, é preciso juntar o trabalho pela nossa salvação e pela do próximo. «A oração, eis a primeira coisa — afirma Dom Bosco; e com a ora¬ção o trabalho; quem não trabalha não tem direito a co¬mer». (III, 354). Hoje, além da oração, que jamais deve faltar, urge trabalhar, trabalhar intensamente; quando não, caminha-se para a ruína». (XIV, 541). «O demónio tem mais medo de uma casa de trabalho do que de uma casa de oração». (XVII, 661).
E o Rosário estimula, igualmente, ao trabalho incessante e incansável pela nossa e pela alheia salvação, oferecendo-nos, na meditação dos mistérios, a vida admirável de Jesus e Maria, que toda foi cruz e martírio pela salvação das almas.
A escola do Rosário não é escola de quietismo, senão de santa ousadia, de canseira, de sacrifícios, a exemplo dos divinos modelos de todo o trabalho e apostolado.
A verdadeira devoção mariana leva-nos a rezar para obter auxílio, mas também a proceder com o auxílio de Nossa Senhora, colaborando na mesma empresa de Maria, que é a Auxiliadora de todas as almas em ordem à salvação.
Ó Virgem Maria, ajudai-me a compreender e a realizar as lições de oração e de trabalho apostólico que me ofereceis no vosso Rosário, para obter uma verdadeira devoção.

O Rosário, escola de devoção pessoal à Virgem Maria
A verdadeira devoção não consiste em qualquer prática externa, mas antes resulta da homenagem de toda a pessoa e de toda a vida. É, por conseguinte, uma devoção pessoal e vital, enquanto demanda a perpétua consagração da vida a Nossa Senhora, na constante porfia de fazer quanto Lhe agrada e de evitar tudo o que A contrista.
A Virgem Maria, Mãe bondosa e paciente, aceita todas as homenagens, ainda as dos espíritos mais extraviados, mas recebe-as sempre na esperança da homenagem total de uma vida passada na amizade de Deus.
Por isso, o verdadeiro devoto de Maria, é o verdadeiro cristão e religioso que para sempre consagrou a Deus, por meio de Maria, as obras, o espírito e o coração.
E o Rosário é, precisamente, escola eficacíssima desta devoção pessoal e vital, porquanto empenha o espírito, a vontade e as obras, obrigando-nos ao conhecimento, ao amor e à prática da Vontade de Deus. que é regra de perfeição e última finalidade da verdadeira devoção mariana.
O Rosário obriga, antes de mais nada, à homenagem do espírito, nutrindo-o com a contemplação dos mistérios, com os pensamentos e considerações mais santas e frutuosas, que depois exercem a sua influência em toda a pessoa pela viva solidariedade entre as várias faculdades humanas.
O cortejo dos santos pensamentos motivados pelo Rosário, estimula depois a vontade ao amor e à imitação de Jesus e Maria, desapegando, assim, do pecado e compelindo à prática integral do dever quotidiano e ao exercício do apostolado com a harmoniosa mobilização das diferentes potências operativas, fortalecidas pela graça, infalivelmente impetrada pelas orações vocais do Rosário,
Com razão, pois, exclama Pio XII: «Volte novamente a gozar de sumo apreço entre vós o Santo Rosário, síntese de todo o Evangelho, meditação dos mistérios do Senhor, sacrifício vespertino, coroa de rosas, hino de louvor, oração da família, compêndio da vida cristã, penhor seguro do favor celeste, presídio na esperança da salvação». (Epist. Philippinas insulas, 31 -7-1946)
Eu Vos suplico, Virgem SS., a fim de que o vosso Rosário, quotidianamente rezado e vivido, dirija verdadeiramente toda a minha pessoa e toda a minha vida em conformidade com os vossos desejos e com a vossa santíssima vontade, levando-me assim àquela devoção verdadeira, pessoal e frutuosa que é garantia de intensa vida cristã e religiosa, e por conseguinte seguro penhor de predestinação.