Uma jovem que defendeu a sua castidade

Martírio de uma jovem que defendeu a sua castidade

Abertura oficial do seu processo de beatificação em Burgos

O processo diocesano da causa de beatificação da jovem Marta Obregón, assassinada em Burgos em 1992 por resistir a ser estuprada, teve início em 14 de Junho 2011.

Um tribunal eclesiástico tentará provar a sua santidade por via do martírio, por defender a virtude da castidade, segundo informou o postulador diocesano da causa, Saturnino López.
Marta Obregón nasceu em La Coruña, em 1 de Março de 1969. Espontânea, de temperamento aberto e aparência atraente, estudou com boas notas no Colégio de Jesus Maria, desenvolvendo habilidades desportivas e destacando-se pela sua boa voz e sentido musical. Na sua infância, frequentou, com a sua irmã, o Club Arlanza de Burgos, da prelazia do Opus Dei.
Em 1988, iniciou o seu primeiro relacionamento com um jovem, “diante de quem experimentou a fraqueza da paixão e, numa ocasião, veio o perigo no mesmo lugar em que mais tarde ofereceria a sua vida, antes de ofender Deus e consentir em degradar a sua dignidade”, explica López em uma breve biografia publicada no boletim do arcebispado de Burgos em 2007, quando começou a causa de beatificação.
Marta começou os seus estudos em Madrid, com o desejo de ser uma jornalista famosa. Mais tarde, mudou os planos e confessou abertamente que só pensava em Deus e em agradar-Lhe.
Durante as férias de 1990, participou numa viagem a Taizé, organizada por um grupo neo-catecumenal. Lá, ocorreu uma prodigiosa reconversão de Marta. A partir de então, começou a defender os valores cristãos com coragem, em privado e em público, com os amigos, na universidade e na mídia.
“Faça-se”
Para o postulador, é muito importante o facto de que Marta repetisse frequentemente: “Senhor, faça-se”. “Esta era a sua busca da vocação e ela o repetia muito emocionada”, explica.
Num dos seus cadernos, Marta anotou uma vez: “Ajuda-me a encontrar-me rápido. Abre bem os meus olhos e o meu coração, porque parece que tudo o que nos cerca és Tu mesmo e isto, meu Deus, é muito difícil de entender”.
No último ano da sua vida, ia todos os dias estudar no centro do Opus Dei, que havia deixado há alguns anos. Sempre terminava o dia com meia hora de oração de joelhos, diante do Santíssimo.
No dia da sua entrega definitiva, pediu que deixassem os livros sobre a mesa de estudo, com a intenção de voltar pela manhã para participar na Missa, comungar e continuar a preparar-se para as provas de Fevereiro.
Mas já não pôde voltar. Às 22h, aproximadamente, uma vizinha sua ouviu um grito, mas ao não se repetir, não saiu para comprovar o que acontecia. Cinco dias depois, o cadáver da Serva de Deus Marta Obregón foi encontrado, coberto de neve, a aproximadamente 5km de Burgos. Ela tinha 22 anos.
Marta morreu nas primeiras horas do dia 22 de Janeiro, festa da mártir Santa Inês, por tentar evitar a agressão. O seu corpo apareceu com numerosos golpes e 14 feridas de arma branca, como um bisturi, uma das quais penetrou o centro do seu coração.
Também o condenado pelo crime, que continua na prisão, deu a entender que, se ela tivesse cedido à agressão, como várias vítimas anteriores, ele não a teria matado.
Serenidade e perdão
A despedida de Marta foi muito emotiva. A dor misturava-se com a alegria e a paz. Algumas testemunhas que viram o rosto da falecida afirmam, impressionadas, que o seu aspecto era sereno e doce, como se não tivesse sofrido o terror dos golpes e pressões que apareceram no seu corpo.
Muitas outras pessoas ficaram profundamente impressionadas pela serenidade da família da jovem e pelas palavras de perdão da sua mãe. “Esta é a força de espírito”, explica o postulador, e acrescenta: “Quem nunca sentiu humanamente a morte de um ente querido e, ao mesmo tempo, se sentiu mais perto que antes dessa pessoa?”.
López considera que é preciso “continuar rezando pelo agressor, porque ele é quem mais precisa”.
Com relação ao testemunho da família da jovem, destaca que “tiraram Marta da sua família por um tempo determinado, mas, pela fé, os seus têm a certeza de que ela já passou pelo mistério pascal”. “Se ela morreu por ser fiel a Cristo e defender uma virtude – afirma -, isto dá fortaleza aos seus pais.”