Oração mais antiga

 A mais antiga prece mariana evidencia a crença num grande mistério da nossa fé: a Maternidade Divina de Maria.
É esta: "À vossa protecção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!".
Rezada e propagada antes mesmo que a Ave-Maria, esta prece leva-nos a reflectir sobre a grandeza de um mistério que ultrapassa os séculos. Esta é a mais antiga oração a Nossa Senhora que se conhece. Encontrada num fragmento de papiro em 1927, no Egipto, remonta ao século III.
Tem uma excepcional importância histórica pela explícita referência ao tempo de perseguições dos cristãos (“Estamos na provação” e “Livrai-nos de todo o perigo”) e uma particular importância teológica por recorrer à intercessão de Maria invocada com o título de Mãe de Deus. Este título é o mais importante e belo da Virgem Santíssima. Já no século II era dirigido a Maria e foi objecto de definição conciliar em Éfeso, em 431. O texto primitivo, do qual derivam as diversas variações litúrgicas é o seguinte: “Sob a asa da vossa misericórdia nós nos refugiamos, Theotókos; não recuses os nossos pedidos nas necessidades e salva-nos do perigo: somente pura, somente bendita”. Aliás, o texto original desta oração dirigida a Maria Santíssima, invocada como Theotókos (em português, Mãe de Deus), está guardado na biblioteca John Ryland, de Manchester, na Inglaterra, que o adquiriu no Egipto, em 1917, num pequeno papiro de 18 x 9,4cm, catalogado como Ryl.III, 470. O seu conteúdo foi identificado em 1939.
É ponto assente que a piedade mariana desde remotas épocas existe no povo de Deus, pondo em relevo a figura maternal de Maria.