A Necessidade de Ajudar as Almas do Purgatório

Impotência para se acudirem

As almas do purgatório não podem nada por elas próprias. Parecem-se com o paralítico estendido à beira da fonte de Siloé, que não podia fazer o menor movimento para ter alívio. Vêem suas companheiras de infortúnio, aliviados de tempos a tempos recebendo os frutos de uma comunhão, o valor de uma missa, e elas ficam esquecidas.
Vós que viveis na terra e tão facilmente vos comoveis ante o sofrimento e a ideia do abandono, ouvi as almas do purgatório pedindo-vos uma migalha desse pão que Deus vos dá com tanta abundância: uma pequena parte das vossas orações, boas obras, e sofrimentos! Como são justas as queixas que um religioso ouviu desses pobres corações abandonados.
"Ó irmãos! Ó amigos! Há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; chamamo-vos e não respondeis; sofremos tormentos que não há iguais, e não vos compadeceis; gememos e não consolais".
O mundo não sabe que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno. Se possível fosse fazer uma visita a essas mansões de dor, não haveria na terra quem quisesse cometer um só pecado venial, visto o rigor com que é punido.
São Francisco Xavier percorria, à noite, as ruas da cidade, convocando com uma campainha o povo a rezar pelas almas do purgatório.