As nossas relações com as almas do Purgatório

Na Sagrada Escritura, no Magistério da Igreja, na Catequese e Teologia

“O tempo de procurar Deus, é a vida, neste mundo.
O tempo de O encontrar, é a morte.
O tempo de O possuir, é a eternidade” – S. Francisco de Sales

1 - O que nos ensina O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA sobre o PURGATÓRIO e o INFERNO
Estes lugares (os infernos) não são todos da mesma espécie. Há, com efeito, uma prisão horrível, tenebrosa, onde os condenados são atormentados com os espíritos imundos, por um fogo inextinguível. Chama-se a este lugar a "geena", abismo e inferno propriamente dito (Act 2,24; Mt10,28; Lc 1422; Ap. 9,11).
Além disso há um fogo purificador, em que as almas dos justos se purificam, em sofrimentos de uma determinada duração, esperando que se lhes possa abrir a entrada da eterna pátria, em que nada manchado seria capaz de penetrar.
O cura de almas vigiará, pois, com o maior cuidado possível, no sentido de ser pregada uma tal verdade, baseada, como o declaram os próprios Santos Padres, nos ensinamentos da Igreja pelos sagrados Concílios, na Sagrada Escritura e na Tradição apostólica, visto que somos chegados a uma época em que os homens já não acolhem tantas vezes a sã doutrina.
Um terceiro lugar, por fim, é aquele em que eram recebidas as almas dos santos mortos, antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, e onde elas gozavam de uma estadia tranquila, ao abrigo de todo o sofrimento e aliviadas pela feliz esperança da Redenção. Ora, estas almas que aguardavam o Salvador no seio de Abraão, libertou-as o próprio Cristo Nosso Senhor, "descendo aos infernos", ou à mansão dos mortos.

A Alma de Cristo desceu aos infernos,
não apenas pelo Seu poder, mas realmente

Não vamos no entanto imaginar que Cristo tenha descido aos infernos, apenas no sentido em que a Sua força e o Seu poder aí tenham ido, e não a Sua própria Alma; aquilo que o próprio Credo nos obriga a acreditar é que a Sua própria Alma tenha descido à mansão dos mortos realmente e em substância, como o prova este bem formal testemunho de David: "Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos nem permitireis que o Vosso Santo sofra a corrupção" (8115,10).

A dignidade de Cristo não sofreu nenhum dano
pelo facto de descer aos infernos

Mas embora Cristo tenha descido aos infernos, a Sua Omnipotência não sofreu com isso nenhum dano; o brilho da Sua santidade não foi embaciado pela menor mancha. Pelo contrário, este mesmo facto provou, da maneira mais clara, que tudo quanto Ele Mesmo havia dito de Sua santidade era perfeitamente verdadeiro e que Ele era na realidade o Filho de Deus, como na Sua vida antes tinha provado por tantos milagres. E nós compreendemo-lo muito facilmente, se comparamos entre si os diferentes motivos pelos quais Cristo e os demais homens vieram para este lugar. Na verdade, todos os outros homens para lá tinham ido cativos ou prisioneiros, enquanto Ele, por Sua vez, lá fora livre e vencedor entre os mortos (8187,6) e, como vencedor, para abater ou derrotar os demónios que tinham estas almas encerradas ou cativas e encadeadas, por causa das suas faltas. Aliás, de todos quantos estavam nestes lugares, uma parte deles sofriam os mais dolorosos castigos, mas os outros, sem experimentar ou sofrer dores, estavam privados da visão de Deus e reduzidos ou sujeitos a esperar a vida bem-aventurada que ansiosamente aguardavam; e assim também eles eram punidos. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo desceu aos infernos, não para sofrer fosse o que fosse, mas sim para libertar os santos e os justos do lamentável peso deste cativeiro e assim lhes aplicar os frutos da Sua Paixão. E se Ele desceu aos infernos, foi sem nada perder da Sua soberana dignidade e do Seu poder.

Quais as razões que levaram Cristo a descer aos infernos?
Nosso Senhor Jesus Cristo desceu à mansão dos mortos, não apenas para arrancar aos demónios os seus despojos e para libertar da sua prisão os santos patriarcas e os outros justos, mas também para os introduzir com Ele no Céu. E foi o que Ele realizou de uma forma admirável e infinitamente gloriosa. De facto, a Sua presença fez resplandecer imediatamente sobre todos esses cativos a mais brilhante luz e encheu as suas almas de delícias e de uma alegria infinita; e deu-lhes a posse dessa bem-aventurança tão desejada, que consiste na visão de Deus, realização ou cumprimento da promessa que Ele mesmo havia feito ao bom ladrão, dizendo-lhe: "Hoje mesmo estarás Comigo no Paraíso" (Lc 23,43).
Esta libertação dos bons, tinha-a de resto predito Oseias há muito tempo: "Ó morte, Eu serei a tua morte! Ó inferno, Eu serei a tua desolação!" (Os 13.14). E era também a isto que fazia alusão o profeta Zacarias, quando dizia: "Por causa da tua aliança de sangue, libertarei os teus cativos da fossa em q não há água" (Zac 9.11).
Finalmente, foi o que exprimiu o Apóstolo com estas palavras: "Despojando os Principados e Potestades, exibiu-os publicamente, triunfando deles pela Cruz" (CoI2,15).
Mas para melhor se compreender ainda o alcance deste mistério, é necessário muitas vezes trazer à nossa memória que não foram apenas os bons que viram o dia da vinda do Senhor, mas também os que O precederam desde Adão e os que irão viver até ao fim dos séculos, que ficaram a dever a sua salvação ao benefício da Sua Paixão. E é por isso que, antes da Sua morte e da Sua Ressurreição, as portas do Céu se não haviam ainda aberto para ninguém. As almas dos justos, ao deixar este mundo, eram levadas para o seio de Abraão, ou então, como é ainda agora o caso para aquelas que têm alguma mancha a lavar ou alguma dívida a pagar, eram purificadas pelo fogo do Purgatório.
Há ainda um outro motivo pelo qual Cristo desceu aos infernos: Foi também para neles manifestar o Seu poder e o Seu império tal como no Céu e na terra, sobretudo "para que ao Nome de Jesus, todo o joelho se dobre, nos Céus, na Terra e nos Infernos" (Fil 2.10).
E quem se não admiraria aqui da imensa bondade de Deus para com o género humano? Quem se não admiraria de O ver, não apenas aceitar por nós a mais cruel morte, mas também penetrar nas mais tenebrosas profundezas da terra, para arrancar as almas que Lhe são tão queridas e as conduzir à bem-aventurança?

2 - O que nos ensina O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA sobre o PURGATÓRIO e o INFERNO
a) - A purificação final ou PURGATÓRIO
Os que morrem na graça e amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.
A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativamente ao Purgatório, sobretudo nos Concílios de Florença e de Trento. A Tradição da Igreja, com referência a certos textos da Escritura (Cor 3,15;I Ped1.7), fala de um fogo purificador: "Pelo que diz respeito a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do Julgamento, um fogo purificador; conforme afirma Aquele que é Verdade, quando diz que, se alguém proferir uma blasfémia contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado, nem neste século nem no século futuro (Mt 12, 31).
Desta afirmação, podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo e outras no mundo que há-de vir" (S. Gregório Magno, 4,39).
Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: "Por isso (Judas Macabeu) pediu um sacrifício expiatório, para que os mortos fossem livres das suas faltas" (2 Mac 12,46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o sacrifício eucarístico (cf DS 85) para que, purificados, pudessem chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos.
"Socorramo-los e façamos comemoração deles. Se os filhos de Job foram purificados pelo sacrifício de seu pai (cf Job 1,5), porque duvidar de que as nossas oferendas pelos defuntos lhes levam alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações (S. João Crisóstomo, Hom. in 1 Cor 41,5). CIC, nºs 1030 a 1032.

b) - Os INFERNOS – Cristo desceu aos Infernos
As frequentes afirmações do Novo Testamento, segundo as quais Jesus "ressuscitou de entre os mortos" (Act 3,25; Rm 8,11; 1 Cor 15,20), pressupõem que, anteriormente à Ressurreição, Ele tenha estado na morada dos mortos (Hb 13,20). É este o sentido primeiro dado pela pregação apostólica à descida de Jesus aos infernos: Jesus conheceu a morte, como todos os homens, e foi ter com eles à morada dos mortos. Porém, desceu como salvador, proclamando a Boa Nova aos espíritos que ali estavam prisioneiros (1 Ped 3, 18-19).
A morada dos mortos a que Cristo morto desceu, é chamada pela Escritura os infernos, Sheol ou hades (Filip 2,10; Act, 24; Ap 1,18; Ef 4,9), porque aqueles que aí se encontravam eram privados da visão de Deus (Sl 6, 6; 8,11- 13). Tal era o caso de todos os mortos, maus ou justos, enquanto esperavam o Redentor (Sl 88,49; 1 Sam 28,19; Ez 32,17-32), o que não quer dizer que a sua sorte seja idêntica, como Jesus mostra na parábola do pobre Lázaro, recebido no "seio de Abraão" (Lc 16,22-26). "Foram precisamente essas almas santas que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus Cristo libertou, quando desceu aos infernos" (Cat. Rom. I, 6,3). Jesus não desceu aos infernos para de lá libertar os condenados (cf. Conc. de Roma de 745: DS 587), nem para abolir o Inferno da condenação (cf. DS pelos 1011; 1077), mas para libertar os justos que O tinham precedido (cf. IV Conc. de Toledo, em 625; DS 485; Mt 27, 52-53).
"A Boa Nova foi igualmente anunciada aos mortos..."(1 Ped 4,6). A descida aos infernos é o cumprimento, até à plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a última fase da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta no seu significado real de extensão, da obra redentora, a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, porque todos aqueles que se salvaram se tornaram participantes da Redenção.
Cristo, portanto, desceu aos abismos da morte (Mt 12,24; Rm 10,7; Ef 4,9), para que "os mortos ouvissem a voz do Filho do Homem e os que a ouvissem, vivessem" (Jo 5,25). Jesus, "o Príncipe da Vida" (Act 5,25), "pela sua morte, reduziu à impotência aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo, e libertou a quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão durante a vida inteira" (Hb 2, 14-15). Desde agora, Cristo ressuscitado "detém as chaves da morte e do hades" (Ap 1,18) e "ao Nome de Jesus todos se ajoelhem, no Céu, na Terra e nos abismos" (Filip 2,10).
"Um grande silêncio reina hoje sobre a Terra; um grande silêncio e uma grande solidão. A Terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos (...). Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte, Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu filho (...) "Eu sou o teu Deus, que por ti Me fiz teu filho (...) Desperta, tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos; levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos" (Antiga homilia para Sábado Santo: LH, Sábado Santo, Ofício de leitura).

RESUMINDO: Na expressão "Jesus desceu aos infernos", o Símbolo confessa que Jesus morreu realmente, e que, por ter morrido por nós, venceu a morte e o Diabo, "que tem o poder da morte" (Hb 2,14).
Cristo morto, na Sua alma unida à pessoa divina, desceu à morada dos mortos. E abriu aos justos, que O tinham precedido, as portas do Céu.
(CIC nºs 632 a 637).

c) - O INFERNO
Não poderemos estar em união com Deus, se não O amarmos livremente. Mas não poderemos amar a Deus, se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo ou contra nós mesmos: "Quem não ama permanece na morte.
Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida; ora, vós sabeis que nenhum homicida tem em si a vida eterna" (1 Jo 3,15), Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados d'Ele, se descurarmos as necessidades graves dos pobres e dos pequeninos Seus irmãos (Mt25, 31-46). Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é a mesma coisa q morrer separado d'Ele para sempre, por livre escolha própria. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados q se designa pela palavra "Inferno".
Jesus fala muitas vezes da "gehena" do "fogo que não " se apaga" (Mt 5,22-29; 13, 42.50; Mc 9,43-48), reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, alma e corpo (Mt 10,28). Jesus anuncia, em termos mais graves, que "enviará os Seus Anjos, que tirarão do Seu Reino todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente" (Mt 13,41-42), e sobre eles pronunciará a sentença: a "Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno" (Mt 25,41).
A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, depois da morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno" (cf. DS 76; 409; 411; 80). A principal pena do Inferno consiste na separação eterna de Deus, único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira.
As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: "Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!" (Mt 7, 13-14).
Como não sabemos o dia nem a hora, é preciso que, segundo a recomendação do Senhor, vigiemos continuamente, a fim de que, no termo da nossa vida sobre a Terra, que é só uma, mereçamos entrar com Ele para o banquete de núpcias e ser contados entre os eleitos, e não sejamos lançados, como servos maus e preguiçosos, no fogo eterno, nas trevas exteriores, onde "haverá choro e ranger de dentes" (LG 48).
Deus não predestina ninguém para o Inferno (cf DS 397). Para ter semelhante destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus (pecado mortal) e persistir nela até ao fim. Na liturgia eucarística e nas orações quotidianas dos seus fiéis, a Igreja implora a misericórdia de Deus, "que não quer que alguns venham a perder-se, mas que todos se possam arrepender" (2 Ped 3,9).
Aceitai benignamente, Senhor, a oblação que nós, vossos servos, com toda a vossa famí1ia, Vos apresentamos. Dai a paz aos nossos dias, livrai-nos da condenação eterna e contai-nos entre os vossos eleitos".

3 - O que nos ensina o CONCÍLIO VATICANO II sobre o PURGATÓRIO

- Purificação, depois da morte
- Orações e Sufrágios pelas ALMAS DO PURGATÓRIO
- A Comunhão dos Santos


“Enquanto o Senhor não vier, na Sua majestade, e todos os Anjos com Ele (Mt 25,31) e vencida a morte, tudo Lhe for submetido (1 Cor 15, 26-27), dos Seus discípulos, uns peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados e contemplam "claramente Deus trino e uno, como Ele é" (Lg 49).
"Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo Místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam, cultivou com muita piedade, desde os primeiros tempos do Cristianismo, a memória dos defuntos e, 'porque é coisa santa e salutar rezar pelos mortos, para serem absolvidos dos seus pecados" (2 Mac 12,46), por eles oferece sufrágios" (LG 50).
Esta venerável fé dos nossos maiores acerca da nossa união vital com os irmãos que já estão na glória celeste ou que, após a morte, estão ainda em purificação, aceita-a este sagrado Concílio com muita piedade e de novo propõe os decretos dos sagrados Concílios Niceno II, Florentino e Tridentino. Ao mesmo tempo, com solicitude pastoral, exorta todos aqueles a quem isto diz respeito a esforçarem-se por desterrar ou corrigir os abusos, excessos ou defeitos que porventura tenham surgido aqui ou além, e tudo restaurem, para maior glória de Cristo e de Deus. Ensinem, portanto, aos fiéis que o verdadeiro culto dos santos não consiste tanto na multiplicação dos actos externos quanto na intensidade do nosso amor efectivo, pelo qual, para maior bem nosso e da Igreja, procuramos "na vida dos santos um exemplo, na comunhão com eles uma participação, e na sua intercessão uma ajuda". Por outro lado, mostrem aos fiéis que as nossas relações com os bem-aventurados, quando concebidas à luz da fé, de modo algum diminuem o culto de adoração prestado a Deus Pai por Cristo, no Espírito, mas pelo contrário o enriquecem ainda mais" (LG 51).

4 - O que nos ensina o CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA sobre AS INDULGÊNCIAS

Pela própria referência que delas faz o CIC, ao nomear alguns dos meios de que nos podemos servir para aliviar as ALMAS DO PURGATÓRIO, vale bem a pena acompanhar agora a catequese que delas faz o mesmo CIC:

No Dia de Finados, "aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de Novembro, nas condições costumeiras, isto é, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Encher. Indulgentiarum, n.13)".

"Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semi-públicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai-nosso e Creio, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e Ave-Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção)."

O que é indulgência?

A indulgência é o cancelamento das penas devidas pelos pecados que nós cometemos e que já foram perdoados na confissão. Mas é preciso explicar uma coisa: quando se comete um pecado grave, há duas consequências: a culpa e a pena. A culpa é aquela ofensa que se faz a Deus e a confissão perdoa. No entanto, ainda fica a chamada 'pena temporal', que é o estrago causado pelo pecado na sua própria alma, porque você deixou de ser mais santo. Então, há de querer recuperar isso. Essa pena nós cumprimos aqui na terra com orações e penitências ou no purgatório, se a pessoa morrer com elas.

A indulgência retira estas penas das almas do purgatório; fazem o que nós chamamos de sufrágio da alma.

§1479 - Uma vez que os fiéis defuntos em vias de purificação também são membros da mesma comunhão dos santos, podemos ajudá-los obtendo para eles indulgências, para libertação das penas temporais devidas por seus pecados.
§1498 - Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados.
§1032 – A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos... "Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles." (S. João Crisóstomo, Hom. In 1Cor 41,5)
§1471 – A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do Sacramento da Penitência.
"Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos" (Paulo VI, Const. Apost., Indulgentiarum doctrina, 2)
"A indulgência é parcial ou plenária, conforme libera parcial ou totalmente da pena devida pelos pecados (Indulgentiarum Doctrina,2 ). Todos os fiéis podem adquirir indulgências (...) para si mesmos ou para aplicá-las aos defuntos" (CDC, cân 994).
§1472 - As penas do pecado. Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama pena eterna do pecado. Por outro lado, mesmo o pecado venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra quer depois da morte, no estado chamado purgatório. Esta "purificação" liberta da chamada "pena temporal" do pecado.

Condições para a Indulgência plenária (uma vez ao dia):
1 - Confessar-se e rejeitar todo o pecado (uma Confissão para várias Indulgências)
2 – Participar na Missa e Comungar com o desejo de receber a Indulgência (uma Missa e Comunhão para cada indulgência).
3 - Rezar pelo Papa ao menos: um Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
4 – Escolher uma das acções:
- Via Sacra, ou
- Reza do Terço em família, ou
- Adoração do Santíssimo, durante meia hora, ou
- Leitura meditada da Sagrada Escritura, durante meia hora.

As penas do pecado
Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, deve ter-se presente que o pecado tem uma dupla consequência.
O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus, e portanto torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama a "pena eterna" do pecado.
Por outro lado, todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual tem de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama PURGATÓRIO. Esta purificação liberta do que se chama "pena temporal" do pecado. As duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado.
Uma conversão procedente do fervor da caridade pode chegar à total purificação do pecado, de modo que nenhuma pena subsista.
O perdão do pecado e o restabelecimento da comunhão com Deus trazem consigo a abolição das penas eternas do pecado. O cristão deve esforçar-se por aceitar, como uma graça, estas penas temporais do pecado, suportando pacientemente os sofrimentos e as provações de toda a espécie e, chegada a hora, enfrentando serenamente a morte; deve esforçar-se, através das obras de misericórdia e de caridade, bem como pela oração e pelas diferentes práticas de penitência, a despojar-se completamente "homem velho" e revestir-se do "homem novo" (Ef4,24).

A Comunhão dos Santos
O cristão que procura purificar-se do seu pecado e santificar-se com a ajuda da graça de Deus, não se encontra só. "A vida de cada um dos filhos de Deus encontra-se ligada de modo admirável, em Cristo e por Cristo, à vida de todos os outros irmãos cristãos, na unidade sobrenatural do Corpo Ia Místico de Cristo, como que uma pessoa mística" (Paulo VI, Const. Ap. InduIgentiarum doctrina 5).
Na comunhão dos santos, "existe, portanto, entre os fiéis – os que já estão na prática celeste, os que foram admitidos à expiação do Purgatório, ou os que vivem ainda peregrinos na Terra – um constante laço de amor e uma abundante permuta de todos os bens (Paulo V1, op. cit.). Nesta admirável permuta, a santidade de uns aproveita aos outros. Assim, o recurso à comunhão dos santos permite ao pecador contrito ser liberto mais depressa e mais eficazmente das penas do pecado.
A estes bens espirituais da comunhão dos santos, também lhes chamamos o tesouro da Igreja, "que não é um somatório de bens, como quando se trata das riquezas materiais acumuladas no decurso dos séculos, mas sim o preço infinito e inesgotável que têm junto de Deus as expiações e méritos de Cristo, nosso Senhor, oferecidos para que a humanidade seja liberta do pecado e chegue à comunhão com o Pai. É em Cristo, nosso Redentor, que se encontram em abundância as satisfações e os méritos da sua redenção" (Cf. Hb 7,23-25; q, 11.28). "Pertencem igualmente a este tesouro o preço verdadeiramente imenso, incomensurável e sempre novo que têm," junto de Deus as orações e boas obras da Bem-Aventurada Virgem Maria e de todos os santos, que se santificaram pela graça de Cristo, seguindo as Suas pegadas, e cumpriram uma obra agradável ao Pai, de modo que, trabalhando para sua própria salvação, igualmente cooperaram para a salvação dos seus irmãos na unidade do Corpo Místico” (cf Paulo VI, op. Cit).

Obter a Indulgência de Deus pela Igreja
A Indulgência obtém-se mediante a Igreja que, em virtude do poder de ligar e desligar que lhe foi concedido por Jesus Cristo, intervém a favor de um cristão e lhe abre o tesouro dos méritos de Cristo e dos Santos, para obter do Pai das misericórdias o perdão das penas temporais devidas pelos seus pecados. É assim que a Igreja ñ quer somente vir em ajuda deste cristão, mas também incitá-lo a obras de piedade, penitência e caridade. Uma vez que os fiéis defuntos, em vias de purificação, também são membros da mesma comunhão dos santos, nós próprios podemos ajudá-los, entre outros modos, obtendo para eles INDULGÊNCIAS, de modo que sejam libertos das penas temporais devidas pelos seus pecados. (CIC, nºs1471 a 1479).

5 - Uma voz da TEOLOGIA – O que nos ensina SÃO TOMÁS

Desceu aos infernos
Como ficou demonstrado, a morte consistiu, tanto para Cristo como para o homem, na separação da alma e do corpo, mas a divindade estava tão indissoluvelmente unida a Cristo-homem que, embora o corpo e a alma de Cristo se tivessem separado, a divindade ficou perfeitamente unida, tanto ao corpo como à alma de Cristo. E é por esse motivo que o Filho de Deus estava presente no Seu Corpo, no túmulo, e a desceu aos infernos com a Sua Alma.
Cristo desceu aos infernos com a Sua Alma por quatro razões:

1 – A primeira: Para suportar todo o castigo do pecado e expiar assim toda a falta.
Ora, o castigo do pecado era não apenas a morte do corpo; havia também um castigo para a alma, porque o pecado estava também na alma, e para que a alma fosse punida, perdendo a visão de Deus; punição das faltas pelas quais nenhuma satisfação tinha ainda sido oferecida. E por isso que, antes da vinda de Cristo, todos, mesmo os santos patriarcas, desciam aos infernos, depois da sua morte.
Para tomar sobre Si todo o peso da punição que pesava sobre a humanidade pecadora, Cristo não quis apenas morrer, quis também que a Sua Alma descesse aos infernos ou mansão dos mortos. Por isso mesmo é dito no Salmo 87.5-6: "Já estou contado entre os que descem à tumba, tornei-me como um homem inválido e sem forças. O meu leito encontra-se entre os mortos, como o dos que jazem no sepulcro". Os outros, com efeito, estavam lá como escravos, mas Cristo como um homem livre.

2 - Segunda razão desta descida de Cristo aos infernos:
Para vir em auxílio de todos os Seus amigos.
De facto, Ele tinha os Seus amigos, não apenas na terra, mas também nos infernos ou limbos. É, na verdade, amigo de Cristo todo aquele que tem a caridade. Ora, nos infernos ou limbos eram muitos os que haviam morrido com amor e fé no futuro Salvador, tais como Abraão, Isaac, Jacob, Moisés, David e outros homens justos e perfeitos. E uma vez que Cristo nos visitava agora visivelmente, nesta terra, e vinha também em sua ajuda pela Sua morte, quis visitar também aqueles dos Seus que estavam na mansão dos mortos e ir assim em seu auxílio, indo ao seu encontro: "Penetrarei em todas as profundezas da terra, e lançarei um olhar por todos os que dormem, e alumiarei todos os que confiam no Senhor"(Eccli 24,45).

3 - A terceira razão: Para triunfar perfeitamente do diabo.
Com efeito, triunfa-se perfeitamente de um outro, quando não se vence apenas no campo de batalha, mas também se persegue até à sua própria morada e se priva do seu trono e da sua residência. Ora, Cristo triunfou do Maligno, Seu inimigo; venceu-o na Cruz; e por isso diz: "Agora é que é o julgamento deste mundo; agora é que será expulso o príncipe deste mundo" (Jo 12,31).
Mas para que o Seu triunfo fosse perfeito, quis tirar-lhe o trono do seu reino e ligá-lo na sua morada, isto é, no Inferno. Eis por que desceu aos infernos: encadeou-o e arrebatou-lhe a presa. "Despojando os Principados e Potestades, exibiu-os publicamente, triunfando deles pela cruz" (CoI2,15). Da mesma forma que Cristo recebeu o domínio e a posse do céu e da terra, quis obter também o poder sobre o Inferno, para que assim, segundo a palavra do Apóstolo, "em Nome de Jesus, todo o joelho se dobrasse, no Céu, na Terra e nos Infernos" (FiI 2,10), e para realizar também a promessa de Cristo: "Em Meu Nome, expulsarão os demónios" do (Mc 16,17).

4 - A última razão: Para libertar todos os Santos que estavam nos infernos ou limbos.
Com efeito, tal como Cristo quis sofrer a morte para libertar da morte os vivos, assim quis descer aos infernos, para libertar os que neles moravam. E é assim que o profeta já diz: "Por causa da tua aliança de sangue, libertarei os teus cativos da fossa em que não há água" (Zac 9,11). "Ó morte, Eu serei a tua morte, infernos, Eu serei a vossa desolação" (Os 13,14). Com efeito, embora Cristo tenha aniquilado completamente a morte, não aniquilou completamente os infernos; Ele apenas os desolou, porque não libertou todos os que lá estavam, mas apenas os que estavam isentos de pecado mortal e do pecado original. Aqueles que tinham sido circuncidados, tinham sido pessoalmente purificados deste último pecado; antes da circuncisão, tinham sido purificados dele os que, não tendo ainda atingido o uso da razão, o eram pela fé de pais que professavam a verdadeira fé, e os que tinham já atingido a idade adulta, pelos sacrifícios e pela fé no Salvador q estava para vir.
Mas estavam ainda retidos nos infernos, por causa do pecado de Adão, de que não podiam ser libertos senão por Cristo, pois eram da raça de Adão. Em compensação deixou lá os q para lá tinham descido com um pecado mortal e as crianças não circuncidadas. E é por isso que se diz: "Ó morte, Eu serei a tua morte". Cristo desceu, pois, aos infernos pelos motivos que acabámos de indicar (Summa de S. Tomás, II,q.52).

CONCLUSÕES
Muitas conclusões podemos tirar, para nossa edificação espiritual:

1 - Uma sólida esperança em Deus
E uma sólida esperança em Deus, porque em qualquer angústia ou aflição que o homem se possa encontrar, deve sempre esperar na ajuda de Deus e ter confiança n'Ele, porque não há nada mais terrível que estar no Inferno. Se, pois, Cristo libertou aqueles que estavam nos infernos, todo aquele que seja amigo de Deus pode ter confiança que por Ele será liberto de toda a angústia. "Ela (a Sabedoria Divina) não desamparou o justo vendido, mas preservou-o do pecado, Desceu com ele à prisão, e não o abandonou nas suas cadeias, até lhe entregar nas mãos os poderes do reino e o poder sobre os seus opressores" (Sab 10, 13-14). E porque Deus ajuda muito particularmente os Seus servidores, aquele que serve a Deus, pode estar muito particularmente em segurança: "O espírito daqueles que temem a Deus será procurado; quando Deus olhar para eles será abençoado, porque Deus é a sua esperança" (Eccli 34, 14-15).

2 - Um temor salutar e aluga do perigo
De facto, embora Cristo tenha sofrido e tenha descido aos infernos pelos pecadores, Ele não libertou deles todos os que lá estavam, mas apenas aqueles que não tinham falta mortal alguma, como já se disse. Aqueles que tinham falecido em estado de pecado mortal, deixou-os lá. Que ninguém espere, pois, pelo perdão, se para lá desce em estado de pecado mortal, porque permanecerá no Inferno por tanto tempo como os santos patriarcas no Paraíso, isto é, eternamente: "E estes irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna" (Mt 25,46).

3 - Um temor real.
Um temor real, porque Cristo desceu aos infernos para nossa salvação. Devemos, pois, também nós, descer para lá com temor, considerando tais castigos, como o fez Ezequias, quando disse: "Eu disse: Na metade dos meus dias, vou descer às portas do sepulcro, privado do resto dos meus anos" (1s 38,10).
Com efeito, aquele que lá desce durante a sua vida, por uma atenta meditação, não descerá lá tão facilmente depois da morte: esta consideração ou meditação preserva do pecado. Nós vemos, na realidade, que neste mundo se evita cometer crimes, com medo dos castigos corporais; quanto mais os evitaremos nós por causa do castigo que é o Inferno, castigo bem maior, tanto na duração como no rigor e na diversidade. Eis por que motivo o Sábio diz: "Em todas as tuas obras, lembra-te do fim, e jamais pecarás" (Eccli 7,40).

4 - Um exemplo de caridade
Cristo, na verdade, desceu aos infernos, para deles libertar os Seus; por conseguinte, também nós devemos lá descer, para ir em auxílio dos nossos, porque eles não podem socorrer-se a si próprios.
Eis por que razão devemos ir em auxílio dos que estão no Purgatório. Seria bem duro de coração aquele que não fosse em auxílio do seu amigo prisioneiro; mas quanto mais duro é aquele que não vai em auxílio do seu parente ou amigo que está no Purgatório, cujos castigos em nada se podem comparar com os castigos deste mundo. Com Job, as Almas do Purgatório gritam-nos: "Tende piedade de mim, tende piedade de mim, ao menos vós que sois meus amigos, porque a mão de Deus feriu-me" (Job 19,21). Eis por que razão está escrito noutro lugar: "É um santo e salutar pensamento rezar pelos mortos, a fim de que eles sejam libertos de seus pecados" (2 Mac 12,16).

E ajudemo-los, sobretudo, por três meios, de que nos fala Santo Agostinho: a Santa Missa, a Oração, a Esmola. São Gregório acrescenta-lhe uma quarta: o jejum. E a razão é evidente: uma vez que, neste mundo, um amigo pode ajudar o seu amigo, isso mesmo deve acontecer também com aqueles que estão no Purgatório. (S. Tomás de Aquino)

6 - OS PASTORINHOS DE FÁTIMA viram o INFERNO

O mistério mais pavoroso da fé cristã é o "Mysterium iniquitatis" (o mistério da iniquidade) – o mistério do mal. O mal, no mundo, é uma realidade e a consequência que finalmente dele procede, o Inferno, é também ela uma verdade. A Sagrada Escritura, como já vimos, afirma em variadíssimas passagens que o demónio existe, que o Inferno existe e que cada um deverá contar com a possibilidade que tem de se condenar, por causa da sua maldade ou malícia. Não há quase santo algum em que este pensamento o não tenha cheio de temor; temor que até uma Santa Teresinha do Menino Jesus com dificuldade conseguia dominar. Na época em que vivemos, a par de uma tentativa de descrença no Inferno, existem documentos bem precisos, tanto da teologia como dos ensinamentos e catequização da Igreja que nos garantem a autenticidade da sua existência e natureza. Verdade é que todo o cristão deveria tomar tanto mais consciência e conhecimento dele, quanto maior é o número daqueles q, em nossos dias, tentam fechar os olhos a esta bem séria realidade.
Vamos encerrar esta palestra justamente com este impressionante testemunho, mesmo por tratar-se de uma versão portuguesa: trata-se da visão do Inferno que tiveram os três videntes de Fátima: os beatos Francisco e Jacinta e a vidente Lúcia.
Na 3ª aparição, no dia 13/7/1917, a Mãe de Deus confiou um segredo às três crianças. Trata-se do chamado 2º segredo. Vinte e cinco anos depois, a Autoridade eclesiástica revelou o dito segredo, em parte, para bem das almas.
Ouçamos a Irmã Lúcia: "Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial sempre q fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria".
Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos como nos meses passados. O reflexo que elas expediam pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demónios e as almas como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, como forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com as nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam estremecer de pavor (devia ser ao deparar com essa vista que dei o "ai" que dizem ter ouvido). Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados, como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: "Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo dos seus crimes por meio da guerra, da fome e da perseguição à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei a pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia converter-se-à e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja: os bons serão martirizados; o Santo Padre terá muito que sofrer; várias nações serão aniquiladas.
Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal, conservar-se-á sempre o Dogma da Fé, etc. "
Segue-se a terceira parte do segredo... "... Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo. Quando rezais o terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente as q mais precisarem".