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Deus é Amor

Papa Bento XVI

 
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É correcto usar a mão esquerda para fazer o sinal da cruz? Imprimir e-mail

É correcto usar a mão esquerda para fazer o sinal da cruz? Por quê?

Depois de descobrir o significado deste gesto, terás muito orgulho de fazer o sinal da cruz

Pergunta

É correcto usar a mão esquerda para fazer o sinal da cruz? Sou canhota e às vezes faço-o com a esquerda. Quando eu era criança, a minha mãe ensinou que só se faz com a mão direita. É verdade ou mito?

Resposta

 “O cristão começa o seu dia, as suas orações, as suas actividades, pelo sinal da cruz ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém’. O baptizado consagra o dia à glória de Deus e apela à graça do Salvador, que lhe permite agir no Espírito, como filho do Pai. O sinal da cruz fortalece-nos nas tentações e nas dificuldades” (Catecismo da Igreja Católica, 2157).

A primeira pessoa a fazer o sinal da cruz foi o próprio Jesus, que estendeu os seus braços na cruz. E os seus braços estendidos entre o céu e a terra traçaram o sinal indelével da Aliança.

Nos primeiros séculos, era costume fazer o sinal da cruz sobre a testa. Pouco a pouco, o costume transformou-se no que conhecemos hoje: fazer uma grande cruz sobre nós mesmos, da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito.

E por que é que os padres abençoam com a mão direita?

Porque os antigos ícones mostram Cristo ou os hierarcas da Igreja a abençoar com a mão direita.

A direita recorda-nos a alegria dos que foram salvos, dos que fazem a vontade de Deus, já que o Filho colocará as ovelhas fiéis à sua direita (Mt 25, 31).

Esta forma de fazer o sinal da cruz também tem um significado teológico profundo.

O sinal da cruz começa com a mão direita da cabeça até ao peito, aceitando que Jesus Cristo desceu do alto (isto é, do Pai) à terra pela sua santa Encarnação.

O sinal da cruz continua, partindo do lado esquerdo, onde está o coração, lugar no qual se guarda com amor o mistério pascal de Jesus (a sua dolorosa Paixão e Morte), e dirigindo-se depois ao lado direito, recordando que Jesus está sentado à direita do Pai pela sua gloriosa Ascensão. Ou seja, a cruz termina na glória celestial.

A Igreja sempre considerou o lado direito como preponderante. É por isso que, para traçar o sinal da cruz, se usa também a mão direita.

Ao incensar o altar, também se começa sempre pelo lado direito.

Jesus diz que, entre outras coisas, a caridade também se faz com a mão direita: “Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita” (Mt 6, 3).

Mas é importante fazer o sinal da cruz de maneira especial?

Sim. Nós não temos nenhuma autoridade para mudar, negar ou criticar, segundo a nossa maneira de pensar, a tradição cristã que é observada hoje e que começou há muitos séculos.

Precisamos de levar em consideração que, no âmbito da vida social, há protocolos que têm de ser respeitados, mesmo quando ainda não conhecemos a sua origem ou significado. Quando se cumprimenta alguém, dá-se a mão direita, não a esquerda, por exemplo.

As regras de boas maneiras na sociedade não são meras formalidades, mas expressam respeito e cordialidade. Quando, em nome da espontaneidade, as pessoas deixam de lado as boas maneiras, podem acabar por se tornar até brutas, ásperas, toscas.

Na vida de piedade acontece a mesma coisa. A mão direita é considerada mais “digna” e por isso a usamos.

 Assim, por exemplo, o padre dá a comunhão com a mão direita, mesmo que seja canhoto. Não é proibido nem pecado que se dê a comunhão com a esquerda, mas é uma questão de boa educação litúrgica, bem como um detalhe de amor a Jesus.

De qualquer maneira, é bom conservar detalhes que têm um significado e, se fazemos por amor, valem ainda mais. Não se trata de formalismos vazios. A nossa fé dá sentido a estes gestos.

Utilizar a mão direita para as acções litúrgicas e/ou religiosas nunca pode ser ofensivo para os canhotos. De facto, os bispos e os sacerdotes canhotos também fazem o sinal da cruz e dão bênçãos com a mão direita.

Evidentemente, utilizar a direita, mais que uma questão de fé, é uma convenção, que busca expressar uma maior dignidade no que se faz – daí que signifique um maior respeito e, portanto, mais amor também.

Na liturgia, a elegância também é uma virtude e, se os gestos são feitos com amor, o seu significado e mérito serão maiores.

Valorizar a cruz

Quando entendemos o que a cruz implicou para Jesus a favor nosso, quando recordamos que na cruz Jesus nos amou até ao extremo, e se o nosso pequeno gesto do sinal da cruz é consciente, estaremos continuamente reorientando a nossa vida em boa direcção, pois carregar a cruz é o que Jesus pede para o seguir.

Todo o gesto simbólico nos pode ajudar a entrar em comunhão com aquilo que o gesto significa, e isto é o mais importante.

 

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