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São João Bosco

 
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Violência psicológica, o que é? 

 

Violência psicológica é um tipo de agressão que, em vez de magoar o corpo da vítima, traz danos ao seu psíquico e emocional, fere o equilíbrio afectivo, a capacidade de tomar decisões e o estado de bem-estar necessário para que o indivíduo possa viver com dignidade.

Este tipo de hostilidade não deixa sinais físicos, por isso não é tão perceptível, mas, por vezes, imprime marcas negativas tão profundas em quem a sofre, que abalam e traumatizam o resto da vida.

Um factor geralmente ligado à violência psicológica é a dependência afectiva da vítima. De alguma forma, o agredido vê, na brutalidade do agressor, um tipo de segurança para ele. A carência afectiva o faz manter uma certa cumplicidade com tais sofrimentos, associa que o parceiro com temperamento explosivo é o protector, o ciúme patológico como demonstração de quem quer manter o relacionamento a todo o custo e as ameaças como que gestos desesperados de amor.

Outro ponto é que a pessoa dominada, na maioria das vezes, tem baixa autoestima, um provável reflexo de opressões e angústias vivenciados no seu histórico.

Não são somente os casais que vivem este tipo de problema, mas crianças, pessoas deficientes e idosos que dependem dos cuidados de outros. Estes, não raramente, sofrem por negligência, impaciência e intolerância dos seus responsáveis.

Tipos de agressões

– Violência verbal: caracteriza-se por proferir obscenidades ou palavras que desclassificam e julgam o outro incapaz.

– Indiferença: é o comportamento neutro, a omissão ou o descaso com a vida e as necessidades do outro, o que, por vezes, magoa mais do que o ódio declarado.

– Intolerância ou discriminação: despreza as características, a cultura, os valores e a crença do outro.

– Perseguição: disposição em causar dano ou mesmo só o escárnio a alguém de forma sequencial, quando não basta agredir ou ridicularizar apenas uma vez. Numa palavra mais moderna, é o famoso bullying.

– Chantagem: condicionar o bem que se pode fazer ao outro, isentá-lo de punição ou suprir uma das suas necessidades mediante uma retribuição ou satisfação imoral para o agressor.

– Causar dependência do outro: acontece quando uma pessoa identifica (ainda que inconscientemente) a carência afectiva do outro e usa isso para oprimir, sufocar e impor as suas vontades na vida dele.

– Económica: sustentar o outro em necessidades básicas ou os seus apegos e vícios; em troca, tirar-lhe a liberdade e impor condições para satisfazer a vontade própria.

– Exposição pública: constranger, desrespeitar, causar medo ou vergonha, divulgar factos da intimidade de alguém, de forma que muitas outras pessoas possam ver ou ter acesso. Também, denunciar em público o que deveria ser levado a uma autoridade.

– Impor condição privilegiada: O agressor argumenta que a sua condição está acima da vítima e, por isso, ninguém vai acreditar nele ou considerá-lo.

– Ameaça ou intimidação: quando o agressor impõe uma vantagem, força ou instrumento de força (uma arma, por exemplo) apenas como forma de intimidar, ameaçando de agressão física ou obrigando a vítima a ceder algo contra a sua vontade.

Há também a violência psicológica institucionalizada, como é o caso do terrorismo, dos governos ditatoriais e da acção de organizações criminosas, verdadeiros organismos que se articulam para impor os seus ideais a um povo ou localidade.

Provavelmente, todos nós, ainda que num nível superficial, vivenciamos algum destes tipos de violência psicológica. Na escola, em casa, no trabalho, entre conhecidos, na rua, fomos vítimas ou quem sabe agressores. Daí a importância de tomarmos consciência do mal que podemos fazer e renunciar a este tipo de atitude.

Num mundo que, cada vez mais, vive a violência de tantos tipos, precisamos, a partir de nós, de romper com todo o tipo de agressão, a começar pelos nossos mais simples gestos.

 

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